Forças de segurança do Rio Grande do Norte
Da Redação
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) afirma que uma força-tarefa, com apoio das forças se segurança do Rio Grande do Norte, expulsou o Comando Vermelho (CV) do bairro Felipe Camarão, na zona oeste de Natal, considerada uma das áreas mais violentas da capital potiguar.
A força-tarefa prendeu 179 integrantes da facção criminosa, além de ter apreendido bens, dinheiro e armamentos.
O Rio Grande do Norte foi escolhido pelo Governo Federal como projeto-piloto da ação de enfrentamento ao crime organizado no país. Em Natal, a ação busca retomar o território e permitir a volta da normalidade em uma área onde moradores relatavam toque de recolher, cobrança de taxas e práticas de “justiçamento”, como agressões físicas.
Batizada de “Território Seguro”, a ação coordenada pelo MJSP visa criar um modelo de retomada territorial do crime organizado que possa ser replicado por estados e municípios. A estratégia combina repressão qualificada (prisões, apreensões, inteligência, bloqueio de dinheiro) com ocupação institucional contínua (serviços públicos e ações sociais), para evitar que o crime volte a se reorganizar.
O modelo envolve a Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (DIOPI), vinculada à Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), além das polícias Militar e Civil do Rio Grande do Norte e do Ministério Público estadual, por meio de um comitê coordenado pelo governo federal.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) também participou do cerco, diante da expectativa de fuga de suspeitos pela BR-226, em um cenário que, segundo as autoridades, acabou se confirmando. O MJSP afirma ter identificado a migração de integrantes que escaparam para outro bairro e diz que a movimentação é monitorada para um novo bloqueio.
A operação resultou na apreensão de 2,3 toneladas de drogas, 31 armas de fogo, 42 veículos, três embarcações e R$ 983 mil em bens, além do bloqueio de outros R$ 702 mil em contas bancárias. A mobilização teve 752 policiais, somou quase 7 mil diárias e teve custo estimado em R$ 2,5 milhões, de acordo com o ministério.
O secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, afirma que a proposta é deixar uma política pública estruturada para desarticular o comando do crime e restabelecer direitos na região. “É um modelo focado em mostrar a força do Estado brasileiro, que seja proporcional, mas suficiente para desestruturar os comandos do crime e resgatar a cidadania e a liberdade das pessoas. Queremos deixar uma política pública consolidada”, disse.
Com o avanço da operação policial, o poder público agora corre para implementar serviços sociais e culturais como estratégia para consolidar a presença do Estado e evitar a recomposição criminosa no território.
O Comando Vermelho é a mesma facção que atua em áreas como os complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, onde investigações já apontaram práticas de extorsão e tortura de moradores. Nessas regiões, uma megaoperação contra a facção terminou com 122 mortos, segundo registros citados em investigações.
NÚMEROS DA FORÇA-TAREFA
- 2,3 toneladas de drogas apreendidas
- 31 armas de fogo
- 42 veículos apreendidos
- 3 embarcações apreendidas
- R$ 983 mil em bens aprendidos
- R$ 702 mil de contas bancárias bloqueadas.
- 752 policiais e quase 7 mil diárias envolvidos na ação
- R$ 2,5 milhões foram gastos pelo governo na ação
Fonte: MJSP
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