Líder da oposição e coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, o senador potiguar prometeu destravar a votação da anistia aos condenados pela tentativa de golpe de Estado e defendeu o voto aberto na eleição da Mesa Diretora do Senado
Senador potiguar Rogério Marinho, candidato à presidência do Senado
O PL lançou nesta quarta-feira (4) a candidatura do senador Rogério Marinho (RN) à presidência do Senado. Líder da oposição e coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, Marinho prometeu destravar a votação da anistia aos condenados pela tentativa de golpe de Estado e defendeu o voto aberto na eleição da Mesa Diretora. Para chegar ao comando da Casa, terá de superar o atual presidente, Davi Alcolumbre (União-AP), e negociar com Tereza Cristina (PP-MS), que também pretende concorrer.
O lançamento ocorreu após reunião com cerca de 30 senadores na sede do PL, em Brasília. "Fui escolhido pelos nossos companheiros para representar a direita", afirmou Marinho. Participaram do encontro Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e os senadores eleitos Guilherme Derrite (PP-SP) e Deltan Dallagnol (Novo-PR), entre outros parlamentares.
O PL terá a maior bancada do Senado em 2027, com 29 integrantes, e conta com o apoio dos três eleitos pelo Novo. Essa base potencial de 32 votos representa quase 40% da Casa. Para vencer no primeiro turno da eleição, marcada para 1º de fevereiro, Marinho precisará de pelo menos 41 votos. A votação é secreta.
Anistia e voto aberto
Marinho afirmou que pretende usar a presidência do Senado para permitir a apreciação de propostas defendidas pela oposição, especialmente a anistia aos condenados pela tentativa de golpe.
"O Congresso Nacional vai nos dar condição de destravar a pauta e vamos permitir que o projeto da anistia seja apreciado", declarou.
O senador também defendeu mudanças na eleição da Mesa Diretora. Para ele, o voto aberto permitiria à população acompanhar o posicionamento dos parlamentares e evitar o que chamou de "estelionato eleitoral".
"Voto aberto é extremamente recomendável e necessário, mas vamos avaliar de que forma podemos fazer", disse. Enquanto não houver mudança nas regras, aliados discutem incentivar senadores de direita a declarar publicamente seus votos.
Marinho procurou afastar a ideia de que sua campanha será centrada no impeachment de ministros do STF, embora tenha prometido analisar eventuais denúncias por crimes de responsabilidade.
"Não seremos candidatos com o tema de impeachment de quem quer que seja, somos candidatos defendendo a Constituição. Se algum ministro do STF cometer crime de responsabilidade, não seremos omissos", afirmou.
Direita dividida
A candidatura de Marinho ainda não unificou a oposição. Ex-ministra da Agricultura de Jair Bolsonaro, Tereza Cristina mantém a intenção de concorrer. O senador disse que conversou com ela nesta quarta-feira e que ambos tentarão viabilizar seus nomes antes de buscar um entendimento.
"A Tereza tem toda a legitimidade para ser candidata. Conversamos pela manhã. Ela naturalmente vai tentar viabilizar sua candidatura e, em momento oportuno, vamos convergir", declarou.
A pressão para que Tereza desista provocou reação no PP, especialmente após ataques à senadora nas redes sociais. A federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, anunciou apoio à reeleição de Alcolumbre, mas a decisão enfrenta resistência de integrantes da oposição.
Marinho busca votos entre partidos de centro, enquanto Alcolumbre conta com o respaldo de Lula (PT) e de aliados do Centrão.
Ao justificar sua candidatura, Marinho relembrou a disputa de 2023, quando foi derrotado por Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Disse que concorreu a pedido de Jair Bolsonaro e criticou a distribuição de espaços nas comissões após a eleição.
"Os vencedores não fizeram gestos, não nos permitiram participar das comissões. Se ganharmos, vamos tratar de forma diferente. Vamos respeitar a democracia e a dissidência", afirmou.
Fonte: Congresso em Foco
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