Vereador Matheus Faustino, que é candidato a deputado federal pela coligação de Allyson Bezerra, denuncia perseguição e afirma que o ex-prefeito de Mossoró e candidato a governador é 'um lob em pele de cordeiro'. A crise tem raiz no fundo eleitoral
Matheus Faustino diz que está sofrendo perseguição
Da Redação do Jornal de Fato
Um dia após o Jornal de Fato noticiar a crise interna na coligação “Esperança e Trabalho”, que sustenta a candidatura a governador de Allyson Bezerra (União Brasil), um novo episódio aumentou a tensão na campanha do ex-prefeito de Mossoró. O vereador de Natal Matheus Faustino, que é candidato a deputado federal pelo União Brasil, está sendo processado por Allyson na Justiça Eleitoral. A ação pede a condenação do candidato e uma multa financeira.
Matheus Faustino foi notificado nesta quinta-feira, 17. De imediato ele tornou público:
“Algo muito absurdo, vocês não vão acreditar. Depois de bloquear meus recursos [para campanha eleitoral], agora querem tirar o pouco que eu tenho. O candidato ao governo, Allyson Bezerra, acabou de me processar e pedir multa.”
Faustino se refere ao vídeo anteriormente gravado por ele, que alegou boicote do próprio partido e apontou suspeitas em relação a outros candidatos da nominata da Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e PP, e ao próprio Allyson, quando menciona pontos graves da Operação Mederi em que o ex-prefeito de Mossoró é investigado pela Polícia Federal e apontado no “topo” da organização criminosa que desviou recursos da saúde pública.
“Eu não menti, nem inventei da minha cabeça, quando falei sobre a operação Mederi e disse que duas pessoas haviam recebido propina da empresa DisMed, porque quem disse isso foi a própria Polícia Federal”, afirmou Faustino se referindo a um trecho da operação em que o nome de Allyson e de uma pessoa chamada “Fátima” aparecem como beneficiários de propina de 15% e 10%, respectivamente. Essa descoberta está no áudio interceptado pela PF com autorização da Justiça Federal e consta na decisão do desembargador federal Rogério Fialho, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), que autorizou a busca e apreensão no duplex de Allyson Bezerra no dia 27 de janeiro deste ano.
Matheus Faustino afirma que o processo patrocinado por Allyson contra ele é uma tentativa de censura, mas garante que está preparado para enfrentar. “Eu não tenho medo. Tiraram os meus recursos e eu não sei como vou pagar a minha campanha. Mas se Allyson acha que vai me intimidar, pelo contrário, só está mostrando, de fato, quem ele é, um verdadeiro lobo em pele de cordeiro”, disse Faustino.
Fundo eleitoral
A crise na coligação de Allyson Bezerra, agravada com as denúncias de Matheus Faustino, tem origem na divisão do fundo eleitoral. Faustino é o último entre os candidatos da federação no ranking dos repasses, com apenas R$ 236 mil. Enquanto isso, nomes desconhecidos como Dani Ribeiro (União Brasil) recebeu R$ 2,536 milhões; Nágila Diniz (União Brasil): R$ 1.433 milhão; e Paulinha Galdino (PP): R$ 1,1 milhão.
“São nomes completamente aleatórios, que não têm nenhuma relevância política, mas só pelo fato de estarem ao lado de Allyson Bezerra receberam (valores altíssimos) como essa Dani Ribeiro que ganhou mais de 2 milhões e 500 mil reais”, disparou Faustino.
Matheus Faustino garante que a ofensiva jurídica de Allyson não vai calar a sua boca. “Por trás de um marketing bem caro, dá para desfaçar um lobo em pele de cordeiro, e é isso que Allyson tem feito. Se o preço de falar a verdade será pagar multa para Allyson, eu faço cumprir a lei. Mas jamais irei me calar ou deixar que qualquer político engane o povo”, disse, para concluir: “Essas páginas do processo não me derrubam, pelo contrário, só me motivam para continuar a minha luta. Comigo não existe preço, existem valores e esses valores eu defendo. O máximo que Allyson pode fazer é tirar a minha vida, e se ele fizer isso, aparecerão outros Faustinos.”
Detalhes do vídeo de Matheus Faustino que revoltaram Allyson
No primeiro vídeo gravado pelo candidato a deputado federal Matheus Faustino (União Brasil), ele fez duras críticas aos deputados João Maia, Benes Leocádio e Robinson Faria, e a Allyson Bezerra, destacando situações delicadas que envolvem esses políticos.
O Jornal de Fato destacou na edição de ontem:
- Sobre Robinson: “Estou sendo boicotado por meu partido porque eu roubei, porque eu estava marcando suruba com Vorcaro ou envolvido no escândalo do Banco Master, não. Na verdade quem está envolvido com isso é Fábio Faria, filho do deputado Robinson Faria”;
- Sobre João Maia: “Não, Faustino, você fez esquema no DNIT para roubar dinheiro na casa de 1 milhão, não, não fui eu não. Isso quem fez foi João Maia supostamente junto com a sua família (Operação Via Trajana)”;
- Sobre Benes: “Mas você, Faustino, teve contas reprovadas pelo Tribunal de Contas, pagou multa, desviou dinheiro do Fundef e está sendo investigado por desvio de dinheiro público; isso também não fui eu, mas, sim Benes Leocádio quando ele foi prefeito de Lajes”;
- Sobre Allyson: “Mas você contratou empresa na saúde e essa empresa fez depósitos curiosos para duas pessoas suas dentro do seu gabinete; isso aí também não foi eu, e sim o candidato a governador Allyson Bezerra (Operação Mederi da Polícia Federal).
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