Para Álvaro Dias, candidato a governador pelo PL,a Operação Mederi é um tema sensível e de interesse da população e que deve ser explorado justamente para que o envolvido, Allyson Bezerra, tenha a oportunidade de prestar esclarecimentos ao povo
Candidato a governador Álvaro Dias no Cafezinho com César Santos
A Operação Mederi está no centro do debate no início da campanha eleitoral pelo Governo do Rio Grande do Norte. As investigações da Polícia Federal alcançam o candidato a governador Allyson Bezerra (União Brasil), ex-prefeito de Mossoró que é apontado no “topo” da organização criminosa. Os seus concorrentes têm explorado o tema, inclusive, dominou grande parte do primeiro debate entre os postulantes ao Governo do RN, promovido pela Band Natal.
Para Álvaro Dias, candidato a governador pelo PL, esse é um tema sensível e de interesse da população e que deve ser explorado justamente para que o envolvido, Allyson Bezerra, tenha a oportunidade de prestar esclarecimentos ao povo. Na opinião de Álvaro, qualquer um que se proponha a governar o estado, precisa ter a ficha limpa e prestar os esclarecimentos que a sociedade exige. O que não pode, na opinião de Álvaro, é uma questão tão grave como a Operação Mederi ficar sem resposta do envolvido.
Em Mossoró, nesta sexta-feira, 21, Álvaro Dias voltou a explorar o tema. Nessa entrevista ao “Cafezinho com César Santos”, gravada da redação do Jornal de Fato, o candidato afirmou que continuará cobrando de Allyson explicações sobre o desvio de recursos da saúde pública de Mossoró, que está sendo investigado pela Polícia Federal.
Álvaro Dias voltou a afirmar que ele e o candidato Cadu de Lula, do PT, devem passar para o segundo turno das eleições. A sua percepção é ancorada na polarização da disputa presidencial entre a esquerda e a direita e justificada pelo fato de Allyson Bezerra não ter assumido posição. “Isso ocorreu em Natal, nas eleições de 2024, quando o ex-prefeito Carlos Eduardo, que era favorito, ficou neutro no debate e viu a direita e esquerda passarem para o segundo turno, com Paulinho Freire e Natália Bonavides”, disse.
A entrevista explorou outros temas, como a questão fiscal do estado. Álvaro fez críticas ao atual governo e disse que, se eleito, promoverá uma auditoria nas contas públicas, como fez quando assumiu a Prefeitura de Natal. Segundo ele, o trabalho será necessário para que possa adotar as medidas de reequilíbrio fiscal.

O início da sua campanha tem batido muito forte na imagem de um dos adversários, especialmente na imagem de Allyson Bezerra. Por que essa estratégia? É apenas uma estratégia de campanha ou existe a necessidade de a população do Rio Grande do Norte tomar conhecimento do perfil de cada candidato?
Acho importante que, a partir do momento em que se inicia uma campanha política, os candidatos sejam analisados de acordo com todos os aspectos, inclusive em relação às denúncias que recebem e que devem ser explicadas. O ex-prefeito da cidade de Mossoró, Allyson Bezerra, deve explicações à sociedade mossoroense e à sociedade norte-rio-grandense pelas muitas acusações das quais tem sido alvo por parte da Polícia Federal. As investigações que estão acontecendo o acusam fortemente de malversação de recursos públicos por meio da entrega de medicamentos que não foram feitas, que foram comprados pela Prefeitura de Mossoró e não foram entregues. O que está na investigação é muito grave. A Operação Mederi, que foi desencadeada pela Polícia Federal, aprofunda a apuração acerca de todas essas questões que ocorreram durante a sua gestão. Allyson deve, sim, explicações à sociedade norte-rio-grandense e, principalmente, à sociedade mossoroense, porque foi a cidade que ele administrou e foi na sua gestão na Prefeitura que aconteceram esses supostos desvios de medicamentos e cobrança de propinas.
Numa entrevista esta semana a uma emissora de Natal, o candidato Allyson Bezerra disse que está preparado para um debate e que tem coisas para apresentar contra os adversários que o acusam. Isso é um recado que ele manda para o senhor e para os demais candidatos que estão explorando a Operação Mederi?
Se for um recado que ele está mandando para mim, não tem problema nenhum. Eu sei que quando você entra numa campanha, tem de estar preparado. Nós estamos preparados para responder qualquer questão. Ele pode procurar e analisar toda a minha vida, pode fazer acusações contra nós que nós vamos nos defender e esclarecer, da mesma forma que eu espero que ele esclareça essas questões que estão sendo investigadas pela Polícia Federal, que foram desencadeadas e alardeadas fortemente pela imprensa por meio da Operação Mederi. Essa operação da Polícia Federal é muito grave porque envolve desvio de recursos da saúde pública que deveria chegar às pessoas que mais necessitam. Nós esperamos que ele tenha e traga uma resposta convincente, porque essas questões todas precisam ser devidamente esclarecidas durante o período eleitoral.

Allyson Bezerra, após o primeiro debate entre os candidatos, afirmou que havia uma união dos adversários contra ele, sugerindo um acordo entre o senhor e Cadu de Lula. É possível imaginar uma união entre a direita e a esquerda para derrotar Allyson Bezerra?
Não existe isso, não há qualquer possibilidade dessa união. O que ocorreu naquele debate é que, em determinados momentos, Allyson ficou sem resposta para muitas perguntas, muitas indagações que foram feitas. Na verdade, os três candidatos que estavam participando do debate juntamente com ele fizeram questionamentos sobre a Operação Mederi, e ele não respondeu. Tergiversou, escorregou, deixou de responder em várias oportunidades. E aí, sentindo-se sem ter uma resposta adequada para fornecer, ele veio insinuar que estava havendo ali um combinado entre os três candidatos para fazer perguntas inerentes ou referentes ao mesmo assunto, que era um assunto que preocupava ele: a Operação Mederi, para a qual ele não tem até hoje uma resposta convincente. Mas ele vai ter de encontrar, porque o julgamento popular será feito, e essas questões estão sendo analisadas também pela população. Ninguém pode menosprezar a inteligência ou o raciocínio que é feito minuciosamente pela população, principalmente num período eleitoral que é tão importante para o futuro de todos como o que está acontecendo atualmente aqui no Rio Grande do Norte.
Na última entrevista ao Jornal de Fato, o senhor fez uma projeção de que o segundo turno das eleições seria disputado entre o senhor e Cadu de Lula, que é o candidato do governo. Essa percepção que o senhor tem da campanha continua a mesma?
Continua a mesma. Nós temos aí a percepção de que a eleição, principalmente agora que vai se iniciar o programa eleitoral, vai ter a polarização nacional repercutindo fortemente aqui no estado do Rio Grande do Norte, como ocorreu na eleição municipal na cidade de Natal, que é um exemplo bem conhecido de todos. O ex-prefeito Carlos Eduardo chegou a atingir o patamar de 52% na preferência do eleitorado, e nós fizemos a previsão de que ele não iria participar do segundo turno, mesmo tendo esse percentual significativo de preferência do eleitorado no início do processo eleitoral. E foi o que se confirmou, pois o segundo turno foi entre o candidato Paulinho Freire, que era um candidato declaradamente de direita, contra a candidata da esquerda, deputada Natália Bonavides, que representava o Partido dos Trabalhadores.

O senhor cita muito a questão da polarização para justificar a ideia de que o senhor passa para o segundo turno com Cadu Xavier. Esta semana, o presidente Lula veio ao Rio Grande do Norte e fez comício com Cadu Xavier. O senhor vai receber aqui o candidato a presidente da República pelo PL, que é o partido do senhor, Flávio Bolsonaro?
Flávio virá também participar desse momento eleitoral importante para o estado do Rio Grande do Norte e, com certeza, nós vamos fazer um grande momento para recepcioná-lo, um grande comício na cidade de Natal, assim como o Partido dos Trabalhadores fez agora com o presidente Lula, que está disputando a eleição com o nosso candidato, Flávio Bolsonaro, que tem ideias diferentes, propostas divergentes e que nós também vamos apresentar à população, defendendo as ideias, a livre iniciativa e a possibilidade de ampliar novos horizontes aqui para o estado do Rio Grande do Norte. Recebendo o apoio consistente do futuro presidente Flávio Bolsonaro, que eu acredito que será o nosso presidente da República depois que for concluído esse período eleitoral, porque eu acredito nas suas propostas, acredito nas suas ideias, acredito na livre iniciativa e acredito que esse é o melhor caminho para o nosso país e para o nosso estado.
O futuro governador do Rio Grande do Norte vai encontrar uma situação fiscal delicada. O Estado enfrenta dificuldades claras, vistas por todos. Como o senhor pretende enfrentar essa situação caso seja eleito?
A gestão de Fátima Bezerra gasta mal os recursos que são arrecadados pelo Governo do Estado e também tem limitações profundas sobre a questão administrativa e organizacional do Estado. A governadora devia seguir o exemplo que nós demos quando administramos a cidade de Natal, porque a gente sabia, tinha certeza de que ninguém ia conseguir administrar Natal apenas contando com a arrecadação municipal e o Fundo de Participação dos Municípios. E nós, sabendo disso, tendo essa consciência, fomos buscar recursos a nível do Orçamento Geral da União, a nível de Governo Federal, preparando e encaminhando projetos de interesse da população. E nós conseguimos a liberação desses recursos, tendo feito investimento na cidade de Natal de algo em torno de R$ 700 milhões, recursos extraorçamentários que nós conseguimos liberar por meio de bons projetos que apresentamos, por meio de emendas parlamentares e por meio de outros caminhos que a gente conhecia pelos muitos mandatos que desempenhamos. Inclusive, o mandato de deputado federal nos conferiu uma experiência muito significativa e nos auxiliou muito à frente da gestão do município de Natal, proporcionando a oportunidade de buscar muitos caminhos que nós passamos a perceber com essa experiência adquirida ao longo dos vários mandatos que desempenhamos. É isso que vamos fazer quando assumirmos o governo do Rio Grande do Norte.

Hoje o Estado tem um poder de investimento ínfimo, limitando-se a pagar salários. Os investimentos acontecem por meio de parceria com o Governo Federal. Como é que o seu governo, caso eleito, pretende montar um plano para reverter essa situação fiscal que vive o Rio Grande do Norte?
A primeira providência que nós vamos tomar, chegando ao Governo do Estado, é contratar uma auditoria para auditar as contas públicas, auditar os investimentos que são feitos e os gastos que são realizados atualmente pelo atual governo, que tem gastado mal os recursos, aplicado mal. É inadmissível, inaceitável que, depois de oito anos do atual governo, não tenha sequer uma obra para apresentar à população no estado do Rio Grande do Norte. É preciso, então, fazer essa auditoria para descobrir, analisar profundamente toda a forma que foi utilizada para aplicar esses recursos e, depois de analisada a auditoria, ver os caminhos, os erros, as inconsequências que foram praticadas pelo atual governo. Daí, partiremos para consertar esses erros e buscar novos caminhos, novas oportunidades, inclusive adquirindo sugestões por meio dessa empresa de consultoria que nós vamos contratar para o governo, assim como contratamos na Prefeitura de Natal. Nós fizemos uma auditoria, uma análise profunda por meio da Fundação Dom Cabral, que tem sede em Minas Gerais, e agora, também chegando ao governo do Estado, vamos repetir toda essa consultoria. Iremos contratar a própria Fundação Dom Cabral, a Mackenzie ou outra empresa especializada em auditoria para realizar o trabalho. Nós vamos precisar do auxílio, da orientação, das sugestões e da análise profunda das contas públicas. Vamos precisar desse diagnóstico para que possamos encaminhar o nosso governo, se Deus quiser.
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