Quinta-Feira, 14 de May de 2026

Postado às 09h00 | 14 May 2026 | redação Conversas entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro abalam candidatura do PL

Crédito da foto: Reprodução Presidenciável Flávio Bolsonaro tem imagem arranhada

Áudios tornados públicos ontem abalaram a pré-campanha à Presidência da República de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao revelarem conexões do senador com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em gravações e mensagens de texto enviadas no fim do ano passado, quando o empresário já se via em meio a complicações envolvendo suas operações, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reclama sobre a necessidade de quitar “parcelas” para financiar um filme biográfico sobre o pai, a ser lançado às vésperas da eleição de outubro.

O conteúdo, publicado durante a tarde de ontem pelo Intercept Brasil e confirmado pelo GLOBO, revela a intimidade de Flávio com o banqueiro para tratar do patrocínio. A obra cinematográfica, que conta a história da campanha de 2018 de Bolsonaro, teria chegado a receber R$ 61 milhões repassados pelo banqueiro. O senador confirmou as tratativas, mas argumentou que não houve “favores em troca”.

Vorcaro está preso e negocia uma delação premiada com potencial de afetar representantes dos três Poderes. São esperadas revelações de sua atuação para receber blindagem política e, assim, encobrir as fraudes operadas no banco. Após resvalar em nomes de diferentes correntes ideológicas, o escândalo despertou uma disputa de narrativa entre esquerda e direita. As novas revelações, somadas à operação da Polícia Federal (PF) que mirou o senador Ciro Nogueira (PP-PI), atingem diretamente o bolsonarismo.

O material revelado ontem, também sob investigação da PF, mostra que o senador insiste no repasse para o filme em mais de uma ocasião e demonstra estar ciente da crise do Master à época. Um dos diálogos foi travado na véspera da primeira prisão de Vorcaro.

A primeira cobrança documentada deu-se em 8 de setembro de 2025, em um momento no qual, segundo Flávio, os envolvidos na produção do filme “Dark horse” tinham dificuldades para honrar compromissos da montagem. “Tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso, e eu fico preocupado com o efeito contrário ao que a gente sonhou pro filme”, disse.

Em outro contato feito dois meses depois, Flávio insiste: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz”, cobrou.

Na manhã de ontem, ao ser questionado por um repórter do Intercept sobre o assunto, o senador sustentou que os diálogos eram “uma mentira”. Só à tarde, com a reportagem já publicada, Flávio admitiu os contatos com Vorcaro, qualificados por ele como uma negociação entre entes “privados”.

Medo de calote em astro

O lançamento do longa está previsto para o segundo semestre deste ano. O roteiro é assinado pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), ex-secretário da Cultura do governo Bolsonaro, e tem a direção do americano Cyrus Nowrasteh. O ator Jim Caviezel, famoso por interpretar Jesus no filme “A paixão de Cristo”, faz o papel de Jair Bolsonaro.

No áudio de novembro, o senador demonstra preocupação e cita a hipótese de até mesmo “dar um calote” em Caviezel. “Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus (Nowrasteh, o diretor). Os caras renomadíssimos lá no cinema americano e mundial. Pô, ia ser muito ruim. Agora que é a reta final a gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui, porque senão a gente perde tudo”, diz Flávio na gravação.

Vorcaro respondeu à mensagem dizendo que iria resolver a pendência até o dia seguinte. Naquela mesma data, Flávio e o banqueiro ainda se falaram em uma ligação telefônica de 2 minutos, cujo conteúdo não foi revelado. As conversas foram extraídas do celular de Vorcaro, apreendido pela PF em novembro do ano passado.

Após mais de três horas de uma reunião de emergência com aliados em Brasília, Flávio disse em vídeo divulgado à imprensa que Vorcaro tinha “um contrato” para financiar o filme e que o longa precisou de outros investidores para ser finalizado.

Como mostrou a colunista Malu Gaspar, do GLOBO, o publicitário Thiago Miranda, dono da agência que contratou influenciadores para uma operação de “marketing de guerrilha” nas redes sociais em favor do Banco Master e contra a liquidação movida pelo Banco Central (BC), confirmou que intermediou a negociação que levou Vorcaro a aportar o montante no filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. Segundo ele, o valor previsto seria maior, mas os repasses foram suspensos com a crise na instituição financeira. Miranda afirmou ainda que a ligação de Vorcaro com o filme não apareceria publicamente.

Fonte: O Globo

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