Durante a Operação Mederi, a Polícia Federal encontrou quase R$ 60 mil espalhados na casa de Almir Mariano, atual secretário da gestão Allyson Bezerra. Segundo a PF, Mariano teria sido fundamental no esquema ue desviou dinheiro da saúde pública
Secretário Almir Mariano é apontado como uma das pessoas de confiança do prefeito Allyson Bezerra
Da Redação do Jornal de Fato
A decisão do desembargador federal Rogério Fialho, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), que autorizou a Operação Mederi, aponta o ex-secretário da Saúde e atual titular da Secretaria de Programas e Projetos da gestão Allyson Bezerra (União Brasil), Almir Mariano, como responsável pelas condições institucionais para o funcionamento do esquema criminoso de desvio de recursos da saúde pública de Mossoró.
Segundo a Polícia Federal, Almir Mariano teria sido fundamental no processo de contratação das empresas DisMed e Drogaria Mais Saúde, investigadas por fraude e pagamento de propina. Em um dos áudios interceptados pela PF, um dos sócios da DisMed revela que o prefeito Allyson recebeu 15% de propina do pagamento pela compra de medicamentos, que tiveram valores superfaturados e que não foram entregues na totalidade.
Agora, surgiu nova descoberta. Em primeira mão, o jornalista Dinarte Assunção noticiou que a Polícia Federal, durante a Operação Mederi, apreendeu maços de dinheiro na residência de Almir Mariano. A PF descreve o investigado como quem atuou no nível intermediário da organização, servindo como “gerente administrativo que validava formalmente os contratos e pagamentos fraudulentos, negociado pelo núcleo político e empresarial.”
O Blog do Dina revelou, com base nos autos da operação, que maços de dinheiro foram encontrados em diferentes cômodos da casa de Almir Mariano em Mossoró. No primeiro quarto, a Polícia Federal encontrou uma quantia que o investigado atribuiu à sua mãe.
“O auto de apreensão descreve que no quarto e no closet de Almir Mariano, que estava com o namorado na hora da ação da PF, foram encontrados R$ 6,8 mil na mochila do namorado. Distribuídos entre pertences, mochilas e gavetas, a PF achou mais R$ 50.700,00. No total, foram 57.500,00 apreendidos na casa do secretário de Allyson.”
“Os agentes da Polícia Federal também fizeram registro de seringas, ampolas, medicamentos e três veículos que estavam na casa de Almir Mariano, uma BMW X1, de propriedade do secretário; Uma Triton L-200, apontada como de propriedade do namorado de Almir e uma Mitsubishi L200 Triton, pertencente à Ufersa, da qual Almir é professor.”
O Papel do Secretário de Allyson, segundo a PF
Almir Mariano é apontado pela Polícia Federal como peça fundamental na engrenagem administrativa que permitiu a continuidade dos desvios de recursos na saúde de Mossoró. As condutas e responsabilidades atribuídas a ele nos documentos da Operação Mederi são:
1 - Continuidade do Esquema Criminoso (Sucessão na Fraude)
A investigação aponta que Almir assumiu a pasta, remanejado da secretaria de Programas e Projetos, em janeiro de 2025, quando o esquema já estava estruturado e garantiu a sua continuidade. Ele permaneceu à frente da saúde até agosto, quando Allyson o devolveu para a pasta originária.
Em seu lugar, o prefeito colocou no comando da pasta central das fraudes descritas pela PF Morgana Dantas, que estava na Assistência Social e que comandara durante todo o primeiro ano de gestão Allyson a saúde de Mossoró. Morgana também foi alvo da Operação Mederi.
A Almir são atribuídas, sobre a continuidade delitiva, as seguintes condutas:
- A Prova Temporal: Áudios captados em maio de 2025 (três meses após a sua posse) mostram os empresários a discutir a “Matemática de Mossoró” e o pagamento de propinas, provando que o esquema operava durante a sua gestão.
- Manutenção da Equipe: Almir manteve nos cargos a mesma gestora de contratos (Samanta Souza Marques) e o mesmo fiscal (Diego Patrício) da gestão anterior, que são apontados como os executores operacionais da fraude (atestando recebimento de medicamentos não entregues).
2 - Atos Administrativos Específicos (A “Caneta”)
Como Ordenador de Despesas e autoridade máxima da pasta, a assinatura do secretário de Allyson é vinculada aos atos que geraram prejuízo ao erário:
- Homologação de Licitações: Almir Mariano foi responsável por homologar licitações onde a empresa DISMED se sagrou vencedora, mantendo-a como principal beneficiária dos recursos da saúde.
- Pagamentos de Faturas Suspeitas: Dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE/RN) mostram que, sob a sua gestão, foram emitidas ordens bancárias em favor da DISMED. A PF argumenta que ele autorizou pagamentos por produtos que, segundo as escutas, não eram entregues na totalidade.
3 - Conivência Necessária ou “Cegueira Deliberada”
A decisão judicial argumenta que a fraude descrita (pagar por 100% e receber apenas 50% dos medicamentos) seria impossível sem a anuência do Secretário de Saúde.
- A PF conclui que a sua contribuição na estrutura delitiva foi garantir as “condições administrativas necessárias” para o funcionamento do esquema.
O texto afirma que Almir “deve ter aderido a ele [ao esquema] ou, no mínimo, optado por não o coibir”, configurando uma omissão deliberada diante de irregularidades macroscópicas.
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