Sexta-Feira, 06 de março de 2026

Postado às 09h00 | 04 Fev 2026 | redação Gestão Allyson adquiriu quase 8 milhões de comprimidos só para pressão alta em um ano

O grande volume de medicamento para hipertensão arterial foi adquirido junto às empresas investigadas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Meredi. Os medicamentos adquiridos são distribuídos gratuitamente pelo Programa Farmácia Popular

Crédito da foto: Reprodução Polícia Federal fez busca e apreensão na residência do prefeito Allyson Bezerra

Da Redação do Jornal de Fato

A Operação Mederi, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) para investigar esquema criminoso de desvio de dinheiro da saúde pública por meio de contratos com a empresa DisMed - Distribuidora de Medicamentos, abriu um leque de apuração que tem exposto cenário de dúvidas graves no âmbito da gestão do prefeito Allyson Bezerra (União Brasil).

Uma das que chamam a atenção é o grande volume de aquisição de medicamentos utilizados no tratamento da hipertensão arterial. Só no exercício de 2025, a gestão Allyson adquiriu aproximadamente 8 milhões de comprimidos de medicamentos para hipertensão.

A Operação Mederi, que realizou busca e apreensão na residência de Allyson Bezerra, tem como base o grande volume de recursos aplicados em contratos com a DisMed, justamente para aquirir medicamentos que, segundo a Polícia Federal, não foram entregues ou entregues em menor quantidade em relação ao que foi contratado.

A informação foi publicada em primeira mão pela jornalista Carol Ribeiro, do Diário do RN. O material jornalístico tem como base dados do Portal da Transparência e “o volume se refere exclusivamente à quantidade física de unidades adquiridas, e não ao valor financeiro das compras realizadas pelo Município.”

A reportagem revela que os medicamentos adquiridos pela gestão Allyson incluem atenolol, losartana, enalapril, captopril, hidroclorotiazida e anlodipino, todos amplamente utilizados na rede pública de saúde para o controle da pressão arterial. “A soma dos quantitativos registrados totaliza 7.588.000 unidades de comprimidos”, destaca a jornalista.

Outro ponto que chama a atenção é que os medicamentos adquiridos pela Prefeitura são fornecidos gratuitamente pelo Governo Federal por meio do programa Farmácia Popular, bastando a pessoa apresentar a receita médica.

O material jornalístico mostra que o grande volume previsto em contrato representa uma média superior a 20 mil comprimidos por dia ao longo do ano. “Em uma estimativa simplificada, considerando o uso de um comprimido por paciente ao dia, esse montante poderia atender cerca de 20 mil pessoas de forma contínua. Há que se ressaltar, no entanto, que, na prática, muitos pacientes fazem uso combinado de dois ou mais medicamentos”, narra a matéria.

 

 

Investigação da Polícia Federal aponta “faturamento fantasma”

A gestão do prefeito Allyson Bezerra contratou a DisMed Distribuidora para fornecer os quase 8 milhões de comprimidos para tratamento da hipertensão arterial e abastecer a rede municipal de saúde. Os dois sócios da empresa, Moab Soares e Oseas Monthalggan, foram alvos da Operação Mederi e estão sendo monitorados eletronicamente.

A apuração inicial da Polícia Federal aponta para a existência de “faturamento fantasma”, caracterizado pelo “pagamento sem entrega” ou pela entrega de produtos em quantidade incompatível com os valores pagos.

A decisão judicial que autorizou a Operação Mederi, assinada pelo desembargador Rogério Filho, da Justiça Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), destaca que em determinados contratos a administração pública realizava “o empenho, a liquidação e o pagamento integral das notas fiscais, mas os produtos não eram entregues ou eram entregues em quantidades irrisórias”.

A decisão judicial diz que esse tipo de prática teria ocorrido paralelamente a falhas recorrentes no abastecimento da rede pública de saúde, mesmo diante do aumento significativo dos volumes contratados e pagos. Ainda são apontados indícios de fornecimento inadequado, falhas na execução contratual e possíveis sobrepreços, elementos que motivaram o cumprimento de mandados de busca e apreensão, inclusive na residência do prefeito de Mossoró.

Em um dos áudios captados pela Polícia Federal, a fala dos sócios da DisMed diz que 15% de um contrato foi para Allyson Bezerra. Em nota assinada por seus advogados, o prefeito nega qualquer participação no esquema criminoso. 

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