Sexta-Feira, 06 de março de 2026

Postado às 09h45 | 03 Fev 2026 | redação Câmara é pressionada a instalar CEI para apurar desvios de dinheiro da saúde

Crédito da foto: Reprodução Vereadora Plúvia Oliveira lançou petição pública

Da Redação do Jornal de Fato

A Câmara Municipal de Mossoró tem o desafio para enfrentar no retorno do recesso, agora em fevereiro: aprovar uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar os desvios de recursos da saúde pública, especialmente nos contratos de fornecimento de medicamentos. O esquema criminoso foi descoberto pela operação Mederi, da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU).

O pedido de abertura de uma CEI foi apresentado pela bancada de oposição um dia após a operação da Polícia Federal cumprir 35 mandados de buscas e apreensão, inclusive, nas residências do prefeito Allyson Bezerra (União Brasil), e da secretária municipal de Saúde, enfermeira Morgana Dantas. Na operação, a fala de dois sócios da DisMed Distribuidora de Medicamentos revela que o prefeito Allyson era beneficiado com 15% do pagamento de contrato à empresa investigada.

A oposição sabe que não será fácil instalar a CEI. A bancada conta apenas com seis vereadores, número insuficiente para aprovar o pedido; falta um voto. Como o prefeito Allyson controla 16 dos 21 vereadores, a ordem do Gabinete Civil é não deixar passar a iniciativa da oposição.

Consciente dessa dificuldade numérica, a vereadora Plúvia Oliveira (PT) busca o apoio popular para pressionar a Câmara a instalar a CEI chamada de “A Matemática de Mossoró”, justamente porque os sócios da DisMed ao narrarem a forma de distribuição dos recursos desviados chama a divisão de “matemática de Mossoró.” Para atrair o apoio da sociedade, Plúvia lançou uma plataforma de petição pública popular para pressionar a Câmara a aprovar a comissão de inquérito.

A vereadora afirma que o Legislativo tem a obrigação de investigar o caso diante das sucessivas denúncias que apontam inconsistências nos gastos, falta de medicamentos nas unidades de saúde e suspeitas de má gestão do dinheiro público. O objetivo da CEI é investigar de forma transparente como os recursos da saúde estão sendo aplicados no município.

Segundo o Regimento Interno da Câmara, são necessárias 7 assinaturas de vereadores e vereadoras para a abertura de uma CEI. No entanto, o pedido ainda não avançou porque vereadores da base do prefeito se negam a assumir o compromisso de dar respostas ao povo de Mossoró, impedindo que a investigação seja instalada.

“A saúde de Mossoró não pode ser tratada com descaso. Enquanto faltam remédios para a população, surgem denúncias graves sobre a aplicação do dinheiro público. A CEI ‘A Matemática de Mossoró’ é um instrumento legítimo para garantir transparência e responsabilidade com os recursos que são do povo”, afirma Plúvia Oliveira.

A petição pública tem Mossoró como foco central, já que é a cidade diretamente afetada pelo escândalo na saúde. Ainda assim, qualquer pessoa de todo o Rio Grande do Norte pode assinar, fortalecendo a cobrança por investigação, transparência e justiça.

“A petição é uma ferramenta de mobilização popular. É o povo dizendo que quer saber para onde está indo o dinheiro da saúde e quem são os responsáveis por esse possível esquema. A Câmara não pode se omitir diante da dor de quem depende do SUS em Mossoró”, reforça a vereadora.

A petição pode ser assinada por meio do site: www.ceimatematicademossoro.com

Allyson é colocado pela PF no “topo” da organização criminosa

A Operação Mederi foi detonada pela Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) há uma semana. Nas primeiras horas de terça-feira, 27, policiais federais e agentes da CGU cumpriram 35 mandados de busca e apreensão em endereços de Mossoró, Serra do Mel, Tibau, Paraú, José da Penha e São Miguel.

A ação visa desmantelar um esquema criminoso de desvio de recurso da saúde pública, por meio de contratos com a DisMed Distribuição de Medicamentos. Mossoró é a cidade mais prejudicada pela ação criminosa.

A Polícia Federal fez busca e apreensão na residência do prefeito Allyson Bezerra, acusado de receber 15% de propina dos pagamentos feitos pela Prefeitura. Allyson foi colocado no   “topo” da organização criminosa ao lado do vice-prefeito Marcos Bezerra. A secretária de Saúde do município, Morgana Dantas, também teve a residência visitada por policiais federais.

Segundo a PF, foram apreendidos R$ 219 mil, divididos em 7 locais de busca; 20 celulares; 17 outras mídias (pen drive, computador); e 2 veículos. O dinheiro apreendido estava guardado em caixa de isopor.

Além disso, sete investigados passaram a usar tornozeleiras eletrônicas e estão monitorados pela Polícia Federal. As investigações seguem em ritmo acelerado, a partir do material apreendido durante a Operação Mederi.

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