Quinta-Feira, 10 de setembro de 2026

Postado às 17h00 | 10 set 2026 | redação Quedas respondem por mais de dois terços das hospitalizações de crianças e adolescentes

Um levantamento divulgado pelo Projeto Criança Segura, da Aldeias Infantis SOS, revela que as quedas foram responsáveis por 861 das 1.278 hospitalizações de crianças e adolescentes de 0 a 14 anos por acidentes no Rio Grande do Norte em 2025

Crédito da foto: Ilustrativa Acidentes com crianças e adolescentes têm elevado índice no Rio Grande do Norte

Da Redação do Jornal de Fato

Um levantamento feito pelo Projeto Criança Segura, da Aldeias Infantis SOS, revela que as quedas foram responsáveis por 861 das 1.278 hospitalizações de crianças e adolescentes de 0 a 14 anos por acidentes no Rio Grande do Norte em 2025. Isso equivale a 67,4% do total de hospitalizações na faixa de idade no estado. A proporção é a maior registrada entre as unidades federativas analisadas pelo levantamento, com dados do Ministério da Saúde.

Para se ter ideia do elevado índice no estado potiguar, no Brasil as quedas responderam por 43,4% das 128.466 hospitalizações de crianças e adolescentes por acidentes em 2025. Assim, a participação dessa causa no Rio Grande do Norte foi 24 pontos percentuais acima da média nacional, revelando uma característica marcante do perfil estadual.

“Os dados do Projeto Criança Segura nos convocam a transformar informação em prevenção e prevenção em políticas públicas. O Rio Grande do Norte tem a maior proporção registrada entre todas as unidades federativas analisadas, e isso é preocupante”, comenta Francisco de Assis Santiago Júnior, Coordenador de Desenvolvimento Programático da Aldeias Infantis SOS.

O trânsito também exige atenção, respondendo por 15% dessas internações, acima da média nacional de 11,3%. Esses números não podem ser naturalizados como simples fatalidades do cotidiano. Prevenir acidentes é proteger vidas e exige corresponsabilidade das famílias, da sociedade e do poder público”, ressalta.

O desafio do Criança Segura no Rio Grande do Norte é fortalecer uma cultura permanente de prevenção e cuidado, capaz de produzir ambientes mais seguros e de fazer da proteção integral e da prioridade absoluta da criança uma realidade concreta nas políticas públicas e na vida cotidiana.

Para José Carlos Sturza de Moraes, cientista social e pesquisador do Projeto Criança Segura, da Aldeias Infantis SOS, os números reforçam a necessidade de olhar para a prevenção dos acidentes cotidianos. “As quedas fazem parte do dia a dia de crianças e adolescentes e podem ocorrer em diferentes ambientes, muitas vezes em situações que parecem corriqueiras. Quando mais de dois terços das hospitalizações por acidentes no Estado estão relacionadas a esse tipo de ocorrência, temos um sinal importante para ampliar a prevenção e tornar os espaços frequentados pelas crianças, como suas casas, escolas e praças, mais seguros”, afirma.

Embora a participação das quedas seja excepcionalmente elevada, o Rio Grande do Norte não está entre os estados com maior volume absoluto de hospitalizações. As 1.278 internações representam cerca de 1% do total nacional. Na taxa nacional, com 39 hospitalizações por 100 mil habitantes, o estado ficou abaixo da média brasileira, de 63.

Os sinistros de trânsito aparecem como a segunda causa de maior destaque no retrato potiguar. Em 2025, foram registradas 192 hospitalizações de crianças e adolescentes por essa causa, correspondentes a 15% das internações estaduais por acidentes. O percentual supera a média brasileira, de 11,3%, indicando uma participação proporcionalmente maior do trânsito no perfil de lesões não intencionais entre crianças e adolescentes no Estado.

O resultado chama atenção porque, apesar de o volume geral de hospitalizações estar abaixo da média nacional quando considerado o tamanho da população, determinadas causas apresentam peso proporcional significativo. “No caso das quedas, a diferença é particularmente expressiva: elas representam quase sete em cada dez internações estaduais. Muitas das quais com sequelas para a vida, sendo os casos que precisam da atenção redobrada dos serviços de saúde, pois podem dizer de violências. Demandando outros procedimentos protetivos às crianças e às famílias”, observa Sturza.

 

Queimaduras e intoxicações têm menor participação

As queimaduras tiveram participação proporcional bem inferior à observada no país. No Rio Grande do Norte, corresponderam a 7,5% das hospitalizações de crianças e adolescentes por acidentes (total de 96 casos registrados), enquanto a média nacional foi de 16,6%.

As intoxicações também ficaram abaixo do padrão brasileiro: representaram 1,4% das internações estaduais (18 casos no total), contra 4,3% no país.

Já os acidentes envolvendo armas de fogo tiveram baixa incidência entre a população de 0 a 14 anos, com duas hospitalizações registradas em 2025. No país, foram 70 ocorrências.

O conjunto dos dados evidencia, portanto, um cenário particular no Rio Grande do Norte: embora o estado apresente volume e taxa geral de hospitalizações inferiores aos indicadores nacionais, as quedas assumem um peso excepcional entre os acidentes que atingem crianças e adolescentes, enquanto o trânsito também supera a participação média observada no Brasil.

 

Perfil da mortalidade também muda conforme a idade

O estudo da Aldeias Infantis SOS também traz dados referentes a mortes de crianças e adolescentes de até 14 anos em todo o Brasil no ano de 2024. A soma das oito categorias analisadas revela que, naquele ano, foram registradas 3.341 mortes.

No levantamento, as sufocações foram a principal causa, com 1.039 óbitos (ou 31,1% do total de casos registrados), seguidas por acidentes de trânsito, com 922 (27,6%), e afogamentos, com 850 (25,4%). Juntas, essas três causas responderam por, aproximadamente, 84,1% das mortes totais do período analisado.

O perfil da mortalidade também muda conforme a idade. Crianças de 1 a 4 anos concentraram 1.095 mortes, ou 32,8% do total, enquanto os menores de 1 ano somaram 930 óbitos (27,8%). Entre as sufocações, 75% das mortes vitimaram bebês, enquanto os afogamentos concentraram vítimas de 1 a 4 anos. Já os acidentes de trânsito atingiram diferentes perfis, incluindo ocupantes de automóveis e caminhonetes, pedestres, motociclistas e ciclistas.

 

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