Renato Gaúcho em primeiro treino no Vasco nesta quarta-feira, 4
Por João Guerra — Da redação do ge
Renato Gaúcho foi apresentado como novo técnico do Vasco na tarde desta quarta-feira, 4, no CT Moacyr Barbosa. O treinador comandou a equipe pela primeira vez em treino pela manhã. Em entrevista coletiva, comentou o retorno a São Januário após 18 anos e disse que a prioridade absoluta é o Campeonato Brasileiro.
“Traçar as metas: o Vasco tem três competições. O Brasileiro é prioridade. Tem Copa do Brasil e Sul-Americana. Vamos buscando. Onde o Vasco vai chegar, eu não sei. É difícil para todos, não será fácil para nós. Vamos tentar andar nas três competições, mas a prioridade sempre vai ser o Brasileiro.”
Em mais de uma oportunidade, Renato Gaúcho afirmou que está com “muito tesão” para trabalhar no Vasco. O treinador foi perguntado sobre o retorno ao futebol após pedir demissão do Fluminense em 2025. “Estou com muita vontade e tesão de trabalhar. Gosto do que faço. Se não, estaria na minha praia jogando futevôlei e tomando chope. Se estou aqui, é porque gosto do que faço.”
Renato afirmou que não há multa rescisória no contrato, que vai até o fim de 2026. O treinador pediu o apoio da torcida e disse que cobrou entrega do elenco para que os resultados apareçam.
“O treinador vive de vitórias. Vive de resultados no Brasil. Lá fora muitas vezes os resultados não vêm, mas é mantido. Se não der resultado no Brasil, a primeira cabeça a rolar é no Brasil. Deus queira que eu permaneça até dezembro, que o clube queira renovar. Eu vim para trabalhar porque estou com tesão. Não tem multa no contrato. Enquanto eu puder entregar, eu continuo”, disse.
Após 18 anos
Renato é o treinador com mais jogos pelo Vasco no século. Esta será a terceira passagem pelo clube. Ele dirigiu a equipe entre 2005 e 2006, período em que foi vice-campeão da Copa do Brasil, e retornou em 2008 para tentar evitar o rebaixamento, objetivo que não alcançou.
“Para mim é um prazer enorme estar voltando. Para o treinador é sempre um desafio independente da época. Desafio treinar uma equipe grande como o Vasco, com uma imensa torcida. Vocês veem hoje em dia que o grupo vem sendo criticado, mas é uma vida nova. Vamos fechar o livro, virar a página. Conversei com o Pedrinho, vamos pensar em novos rumos. O Vasco tem uma enorme torcida”, disse Renato, que completou:
“O reflexo do torcedor é o reflexo do time em campo. A torcida sempre apoiou. Quando você vê uma vaia aqui para o torcedor não está saindo de acordo. Então a entrega é fundamental. Sempre falo para o jogador, se você correr, se entregar, não tem torcida no mundo que vai vaiar. A torcida não vai mais vaiar. Os jogadores que entrarem em campo, eles vão ser muito cobrados, pela entrega em campo. Se o torcedor está vendo o time se entregar, o torcedor vem junto.”
Veja outros trechos da coletiva
Estreia em São Januário
— Passei a maneira que gosto de trabalhar. Vou exigir bastante entrega em campo. Vocês vão ver a maneira como vão se comportar domingo contra o Palmeiras. Falo do trabalho de hoje para frente. Confio no grupo, não conheço todos os jogadores, mas boa parte. No momento que colocarmos em prática o que eu e os auxiliares queremos, temos certeza que vai ser outro time. Conto que o torcedor vai continuar apoiando mais do que nunca porque vão ver a entrega dentro de campo.
Venda da SAF e a volta de Coutinho
— SAF não é problema meu. É problema do presidente, da diretoria. Nem sei se estão negociando. Meu contrato conversei com muitas pessoas. Muitas pessoas acham que sou brigado com Amodeu, mas muito pelo contrário. Tive uma discussão com ele no Grêmio, mas somos amigos. Esta semana conversei com ele, trabalhamos todos os dias.
— Sou muito admirador do Coutinho. Eu trouxe ele aqui (ao time profissional). Sou admirador. Não sei o que aconteceu, então não toquei no assunto com o presidente Pedrinho.
O que pode ser aproveitado de Fernando Diniz
— O meu trabalho começou hoje, é página virada, independente de coisas boas ou não do trabalho do Diniz, que é meu amigo, gosto muito dele. Cada treinador tem seu método de trabalho, ele tem o dele, eu tenho o meu, respeito ao trabalho dele, mas a partir de hoje é o meu trabalho. É lógico que eu não vou começar aqui do zero, coisas boas a gente sempre procura reaproveitar. Mas essas coisas são um papo meu com o grupo e acrescentar, juntamente com a minha comissão técnica, o que a gente tem de bom para buscar sair da lanterna do Campeonato Brasileiro.
A negociação com Pedrinho foi difícil?
— Ele (Pedrinho) é osso duro (risos). E quem trabalha com ele, também. A gente conversou, trocou ideia durante a semana toda. Falei com todo mundo no Vasco. O mais importante é que chegar a um denominador comum bom para mim e para o clube. Eu queria voltar a trabalhar em um grande clube. Agradeço ao Vasco e à diretoria por me dar essa oportunidade. Estou com bastante tesão e vou procurar retribuir essa confiança. O contrato do treinador é sempre demorado. Muita gente questionou, mas estávamos trocando essa ideia.
Terá autonomia para contratar?
— Quando o treinador indica um jogador, é porque quer o bem do clube. Quando o presidente indica, a gente troca ideias. A gente procura fazer o que é bom para o clube. Todas as nossas decisões são em benefício do clube, para estarmos mais fortes nas competições.
Confiança no elenco
— Mostrar para eles como temos que trabalhar a partir de sexta coisas que têm acontecido dentro de campo. É fundamental passarmos confiança para o jogador. Vamos treinar parte física, técnica, tática, jogadas ensaiadas... mas é fundamental passar confiança. Eu fui jogador e sei disso.
O que você quer dos jogadores?
— Eu quero alegria. Trabalhar duro, mas com alegria. Você sempre rende mais trabalhando contente. Quero um time livre, leve e solto. Essa confiança é fundamental. Se você não tiver a confiança do teu chefe, mesmo que você faça besteira, você vai render muito mais. A parte psicológica eu trabalho bem. Vão ver um time bem leve, mas com muita responsabilidade."
Problemas do time em transição
— Conversar com o jogador. Dar moral. Corrigir os defeitos. Isso digo para todos os jogadores. A transição do time depende dos jogadores. Se você tiver jogadores lentos, tem uma transição lenta. Meu time tem que ter uma transição rápida. Eu digo que tenho que ter uma equipe equilibrada em todos os sentidos. Não adianta eu ter uma ideia na cabeça sem ter os jogadores. Vou adaptar os esquemas em cima das qualidades dos jogadores.
Confiança a Brenner
— Só erra o pênalti quem tá lá dentro. Ele não errou porque quis. Vamos dar confiança a ele. Entram 11, um vai errar a jogada, mas ele tem que receber apoio. Eles vão levar isso para dentro do campo. O time tem que falar mais dentro de campo. Eles precisam falar. Eu dou muito exemplo do Guga, tenista, que gritava a cada raquetada. No tênis, ele não tinha com quem falar. No futebol, é coletivo, tem com quem falar. Tem que orientar e falar, principalmente os mais experientes. Você precisa dar moral aos garotos, não pode dar toda a responsabilidade aos garotos.
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