Cosme Rogério Ferreira Dias, o Mentor de Barricadas, foi preso no Recreio
A Polícia Civil do RJ prendeu, nesta terça-feira (18), Cosme Rogério Ferreira Dias, o Mentor de Barricadas, em mais uma fase da Operação Contenção, uma iniciativa permanente contra a expansão territorial do Comando Vermelho (CV). Além de Cosme, também são alvos ferros-velhos suspeitos de financiar e fornecer materiais usados na construção de barreiras em comunidades dominadas pela facção.
Até a última atualização desta reportagem, eram 16 presos, entre eles Mentor — pego em casa, em um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio. A mulher dele, Cyntia dos Santos Ferreira, também foi presa. A polícia apreendeu uma Hilux e um BMW blindados.
Cosme se apresentava como empresário do ramo da reciclagem, mas, segundo as investigações, chefiava o braço financeiro da organização, integrando as operações de lavagem de dinheiro e de apoio logístico ao tráfico.
Agentes da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) saíram para cumprir, ao todo, 41 mandados de prisão e 94 de busca e apreensão, e 8 ferros-velhos foram interditados. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 217 milhões em bens e valores — esse é o volume movimentado pela quadrilha em 2 anos.
As diligências ocorrem no Rio, em São Paulo e em Minas Gerais.
Nesta segunda (17), o governador Cláudio Castro (PL) anunciou a Operação Barricada Zero, uma força-tarefa do estado com 12 prefeituras a fim de remover 16 mil obstáculos no Grande Rio.
Sob disfarce da reciclagem
Segundo as investigações, os estabelecimentos funcionavam formalmente como empresas de reciclagem, mas eram usados para receptar materiais furtados — principalmente cobre — e lavar dinheiro do tráfico de drogas.
Parte desses recursos, aponta a polícia, era usada na instalação e na manutenção de barricadas em comunidades da Zona Norte, da Baixada Fluminense e da Região Metropolitana.
“Essa fase da Operação Contenção representa um golpe direto sobre o braço financeiro e econômico do Comando Vermelho, visando a asfixiar financeiramente a facção e restringir sua capacidade de domínio territorial”, afirmou o secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi.
A apuração também identificou que os ferros-velhos tinham papel central na movimentação de valores ilícitos, usando empresas de fachada, movimentações bancárias simuladas e bens em nome de terceiros para ocultar o dinheiro do tráfico.
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Carros de mentor foram apreendidos — Foto: Reprodução/TV Globo
Bloqueios e sequestros
A Justiça determinou o bloqueio integral de valores e ativos financeiros dos suspeitos, além do sequestro de imóveis de luxo no Recreio dos Bandeirantes e de veículos de alto padrão. Sócios e responsáveis legais das empresas foram afastados compulsoriamente para impedir a continuidade das atividades.
As análises financeiras da DRF apontaram movimentação superior a R$ 217 milhões entre 2022 e 2024, valor considerado incompatível com as operações declaradas.
De acordo com a Polícia Civil, o esquema era dividido em 4 núcleos:
- Comando: responsável por decisões estratégicas, financiamento das operações e coordenação do esquema;
- Aporte financeiro: formado por “laranjas” e operadores que movimentavam o dinheiro em empresas de fachada;
- Intermediário: composto por gerentes que repassavam ordens e organizavam a logística dos furtos;
- Operacional: executores diretos, responsáveis pela subtração de cabos e transporte dos materiais furtados.
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Polícia cumpre mandado na Operação Contenção — Foto: Divulgação/PCERJ
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