Damária Jácome de Oliveira, que é investigada pelo assassinato do prefeito Francisco Damião de Oliveira, o “Marcelo Oliveira”, e do pai dele, Sandi Alves de Oliveira, foi presa nesta quinta-feira no Paraguai, juntamente com Leidiane e Weverton
Damária Jácome foi vice da vítima Marcelo Oliveira nas eleições 2020
Da Redação do Jornal de Fato
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte prendeu nesta quinta-feira, 21, a ex-prefeita de João Dias, Damária Jácome de Oliveira, que é investigada pelo assassinato do prefeito Francisco Damião de Oliveira, o “Marcelo Oliveira”, e do pai dele, Sandi Alves de Oliveira. Também foram presos Leidiane Jácome de Oliveira, vereadora e irmã de Damária; e Weverton Claudino Batista, suspeitos de participação na trama criminosa.
As prisões ocorreram em Ciudad del Este, no Paraguai, após uma operação liderada por policiais civis da 76ª Delegacia de Polícia (DR) de Alexandria, que contou com a cooperação internacional da Polícia Federal, apoio operacional da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Foz do Iguaçu/PR e atuação da Polícia Nacional do Paraguai, por meio do comando da Tripartido que atua na Fronteira.
As investigações apontam que Damária e Leidiane são suspeitas de mandar matar o prefeito Marcelo Oliveira, com motivação ligada a disputas políticas locais. Já Weverton Claudino teria atuado como intermediador na contratação dos executores, desempenhando papel central no planejamento do crime. Os três estavam foragidos desde agosto de 2024.
O duplo assassinato ocorreu em 27 de agosto de 2024, durante o período de campanha eleitoral, em João Dias, município do Alto Oeste potiguar com pouco mais de 2 mil habitantes.
O prefeito Marcelo Oliveira foi alvejado com 11 disparos de arma de fogo dentro de sua residência. Ele chegou a ser socorrido e encaminhado a um hospital em Catolé do Rocha, na Paraíba, mas não resistiu aos ferimentos.
Na ocasião, o pai do prefeito, Sandi Alves de Oliveira, de 58 anos, que o acompanhava no momento do ataque, também foi atingido pelos disparos e morreu ainda no local.
Eleições
Damária Jácome tentou se eleger prefeita nas eleições 2024, mesmo diante das suspeitas que recaiam sobre ela. No entanto, não obteve êxito nas urnas. Ela foi derrotada nas urnas pela viúva de Marcelo Oliveira, “Fatinha de Marcelo”, que foi eleita com 66,84% dos votos contra 20,81% de Damária. Ainda foi votada a candidata Iranilda Fernandes, que obteve 12,35%.
Desde então, a cidade de João Dias vive clima tenso. No fim de 2024, a Justiça decidiu pela prisão de Damária Jácome e de outros suspeitos de participação na trama criminosa. Antes da decisão ser cumprida, Damária conseguiu fugir e só agora foi presa pela polícia no Paraguai.

Prefeita “Fatinha de Marcelo” também era alvo do grupo, segundo o MP
O prefeito Marcelo Oliveira era candidato à reeleição pelo União Brasil quando foi assassinado a tiros no fim da manhã do dia 27 de agosto de 2024. Ele chegou a ser socorrido para o Hospital da Catolé do Rocha-PB, mas não suportou os tiros que atingiram seu corpo. Já o seu pai, Sandi Alves de Oliveira, teve morte imediata ao ser atingido na cabeça por tiro, provavelmente de escopeta.
Eleito pela primeira vez em 2020, Marcelo renunciou após seis meses de mandato, mas voltou à Prefeitura após alegar na Justiça que tinha sido coagido a abrir mão do cargo, sob ameaças, pela família da sua então vice-prefeita, Damária Jácome.
Em 2020, Damária teve prisão preventiva decretada sob suspeita da prática dos crimes de integrar milícia privada, receptação e posse ilegal de arma de fogo. Ela retornou após a própria Justiça relaxar a prisão.
Após da vitória da viúva “Fatinha de Marcelo”, atual prefeita de João Dias, a polícia denunciou que o grupo familiar Jácome também cogitou matá-la após as eleições do ano passado. Segundo o Ministério Público, o novo assassinato foi solicitado mesmo após a prisão de parte do grupo criminoso. As informações estão no aditamento à primeira denúncia, no qual o MP acusa mais nove pessoas por participação nos crimes.
De acordo com a peça acusatória, a informação foi confirmada após a prisão e apreensão do celular de Marcelo Alves da Silva, chamado de "Pastor".
“A extração de dados de seu celular revelou diálogos mantidos com Leidiane Jácome, nos quais ela o pressionava por uma nova execução — desta vez, tendo como alvo a atual prefeita, ‘Fatinha’. No entanto, a investida foi recusada pelo Pastor, que alegou ser complicado colocar o plano em prática”, diz a denúncia.
Novas denúncias
A denúncia original já havia apontado Francisco Emerson Lopes da Silva, Jadson Rodrigues Rolemberg, Heliton Leandro Barbosa da Silva e Rubens Gama da Silva como envolvidos no ataque.
Com o avanço das investigações, o MPRN, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e da Promotoria de Justiça de Delitos de Organizações Criminosas, formalizou a acusação contra os seguintes nomes:
Damária Jácome de Oliveira, então vice-prefeita de João Dias
Leidiane Jácome de Oliveira, vereadora de João Dias
Weverton Claudino Batista
Carlos André Claudino
Marcelo Alves da Silva, o Pastor
Everton Renan Fernandes Dantas
Olanir Gama da Silva
Thomas Vitor Soares Pereira Tomaz
Gildivan Junior da Costa
Alguns dos suspeitos já se encontram presos em unidades prisionais de Caraúbas e Mossoró.

Prefeito Marcelo Oliveira e o pai Sandi Alves foram mortos em 27 de agosto de 2024
Crime motivado por vingança pessoal e política
Segundo a apuração do Ministério Público, o ato criminoso em João Dias foi motivado por vingança pessoal e política. "Os elementos reunidos no curso do inquérito policial demonstram a autoria delitiva por parte de Damária Jácome de Oliveira, Leidiane Jácome de Oliveira, Everton Renan Fernandes Dantas, Weverton Claudino Batista, Carlos André Claudino e Marcelo Alves da Silva, no crime de duplo homicídio qualificado por motivo torpe (vingança) e pelo recurso que dificultou a defesa das vítimas", diz o documento.
O MPRN afirmou que ficou constatado que todos os envolvidos no atentado ocorrido em João Dias "integravam, na verdade, uma organização criminosa estruturada, com divisão de tarefas e voltada à prática de crimes graves".
A ação criminosa contou com a participação de, no mínimo, 14 pessoas, todas com funções previamente definidas. Entre elas, estava Josenilson Martins da Silva, encontrado morto no dia 26 de outubro, na zona rural do município de Antônio Martins.
Funções dentro da organização criminosa, de acordo com o MPRN:
- Olanir Gama da Silva assumiu o papel de articulador da organização;
- Heliton Leandro Barbosa da Silva, Francisco Emerson Lopes da Silva, Jadson Rodrigues Rolemberg e Gildivan Júnior da Costa foram os executores dos crimes;
- Thomas Vitor Soares Pereira Tomaz e Rubens Gama da Silva atuaram no suporte logístico e transporte;
- Weverton Claudino Batista, Everton Fernandes Dantas, Carlos André Claudino e Marcelo Alves da Silva ofereceram condições materiais e informações necessárias à execução dos crimes.
- Damária Jácome de Oliveira e Leidiane Jácome de Oliveira, mentoras intelectuais do grupo.
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