Quarta-Feira, 18 de março de 2026

Postado às 13h00 | 30 Dez 2021 | redação Prefeito Allyson termina com a base de sustentação política avariada

Crédito da foto: Reprodução Prefeito Allyson Bezerra perdeu apoio de vereadores que eram da base

Por César Santos – Jornal de Fato

 

“A gente tinha tido a percepção de que os projetos do prefeito eram bons, mas houve um desvirtuamento do discurso ao longo desse ano não só comigo, mas com outros colegas da base.” A fala é do vereador Gideon Ismaias (Cidadania) ao anunciar o rompimento político-administrativo com o prefeito Allyson Bezerra (Solidariedade) e se colocar, a partir de agora, como um “independente” na Câmara Municipal de Mossoró.

A insatisfação de Ismaias não é fato isolado na base de sustentação do chefe do Executivo. Os focos estão aumentando, inclusive, outros três vereadores se movimentaram nos bastidores para definir nova estratégia de atuação a partir de 2022. Eles também acumulam queixas, principalmente da quebra de compromisso do prefeito.

Allyson entrará o ano eleitoral com a missão de recompor a sua base política. Ele vai precisar restabelecer o seu grupo para continuar com o legislativo sob o controle e para fortalecer o projeto de ter os seus candidatos mais votados em Mossoró. O chefe do Palácio da Resistência termina o primeiro ano de gestão com a base avariada.

Para entender o momento delicado, é preciso voltar ao início da gestão Allyson. Ele começou o governo contando com apoio de 19 dos 23 vereadores. Apenas três na oposição: Francisco Carlos (Progressistas), Larissa Rosado (PSDB) e Marleide Cunha (PT); e um declarado independente: Pablo Aires (PSB).

A maioria esmagadora fez o Executivo aprovar tudo que quis no Legislativo, inclusive, projetos mal elaborados e cheios de erros. Prevalecia a ordem de aprovar tudo de olhos fechados. O poder sobre os vereadores, porém, exigia do prefeito um tratamento respeitoso e de mão dupla, coisa que ele não levou a termo. Prevaleceu o autoritarismo, o grito na cara, a humilhação, segundo relatos dos dissidentes. Logo, os menos tolerantes deixariam a bancada.

Foi o que aconteceu com o vereador Didi de Arnor (Republicanos), o primeiro a sair da base de apoio do governo. Ao anunciar rompimento, o vereador disse que não suportou o grito de Allyson. Em seguida, o vereador Zé Peixeiro (Progressistas) tomou o mesmo rumo, diante da falta de compromisso do chefe do palácio, segundo o disse o próprio vereador.

Mais recentemente, foi a vez do vereador Tony Fernandes (Solidariedade) se afastar do projeto político de Allyson, o criticando por se abraçar com as oligarquias (leia-se ministro Fábio Faria), coisa que o prefeito condenou quando era candidato. Tony não anunciou rompimento, mas deixou evidenciado que assumiria posição de independente.

Dias depois, o vice-prefeito Fernandinho das Padarias (de saída do PSD) oficializou rompimento político-administrativo. Allyson havia exonerado os cargos comissionados da Vice-prefeitura e todos os indicados de Fernandinho. O vice virou oposição.

Na segunda-feira, 27, foi a vez do vereador Gideon Ismaias (Cidadania) anunciar saída da bancada governista.

O bloco independente saltou de um vereador no início do ano para quatro vereadores agora (Didi de Arnor, Zé Peixeiro, Pablo Aires e Gideon Ismaias) e pode subir para cinco caso Tony Fernandes faça a prometida travessia. Com os três da oposição, se somados, o plenário da Câmara Municipal bate a casa de 1/3 que não reza a cartilha do Palácio da Resistência.

Com isso, torna-se possível, por exemplo, a aprovação de um pedido de uma CEI para investigar eventual deslize da gestão municipal. Não é uma certeza que isso venha a acontecer, mas é um fantasma com o qual o inquilino do palácio terá que conviver.

A desnutrição na base de sustentação política obrigará o prefeito a correr atrás dos companheiros que ele mandou ou forçou a barra para irem embora. Allyson vai precisar de uma base sólida, inclusive, para aprovar o novo projeto de orçamento de 2022, que entrará em discussão em janeiro, da forma como ele pretende.

Será o primeiro teste de fogo do novo ano.

 

Formação no plenário da Câmara de Mossoró

Número de vereadores: 23

Governistas: 15

Lawrence Amorim (Solidariedade)

Wignes do Gás (Solidariedade)

Marckuty da Maísa (Solidariedade)

Paulo Igo (Solidariedade)

Ricardo de Dodoca (Progressistas)

Carmem Júlia (MDB)

Costinha (MDB)

Lucas das Malhas (MDB)

Raério Cabeça (PSD)

Genilson Alves (Pros)

Naldo Feitosa (PSC)

Lamarque (PSC)

Omar Nogueira (Patriota)

Edson Carlos (Cidadania)

Isaac da Casca (DC)

Oposicionistas: 3

Francisco Carlos (Progressistas)

Larissa Rosado (PSDB)

Marleide Cunha (PT)

Independentes: 5

Zé Peixeiro (Progressistas)

Didi de Arnor (Republicanos)

Gideon Ismaias (Cidadania)

Pablo Aires (PSB)

Tony Fernandes (Solidariedade)

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