Governadora Fátima Bezerra beija Cadu Xavier, eleito o seu sucessor no Governo do RN
Da redação do Jornal de Fato
Desde que foi instituída a reeleição, a partir das eleições de 1998, que um governo que foi reeleito não conseguia eleger o sucessor no Rio Grande do Norte. A escrita foi quebrada pela governadora Fátima Bezerra (PT), que elegeu Cadu Xavier (PT) no último domingo, 25. Além disso, a vitória prolonga a gestão do Partido dos Trabalhadores no estado por mais quatro anos, até 2030, quando completa 12 anos do governo petista.
O projeto político-administrativo do PT para o Rio Grande do Norte começou em 2018, quando Fátima Bezerra, então senadora da República, venceu as eleições com 1.022.910 votos (57,60%), derrotando o ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, que obteve 753.035 votos (42,40%). Quatro anos depois, em 2022, Fátima foi reeleita já no primeiro turno, com 1.066.496 votos (58,51%).
A eleição de 2026 foi o grande desafio. Eleger o sucessor, embora o governo tenha um índice de desaprovação maior do que a aprovação, exigiu de Fátima Bezerra toda a sua experiência na política. Ele fez uma aposta que poucos acreditavam. O seu secretário da Fazenda, Carlos Eduardo Xavier, nunca havia disputado uma eleição, mas aceitou o desafio por entender que o projeto de governo do PT precisava de um candidato para defender junto ao eleitor.
Deu certo. Cadu venceu com 1.073.024 votos, equivalentes a 50,77% dos votos válidos, superando o ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), que obteve 1.040.399 votos (49,23%). A diferença foi de 32.625 votos.
Tentativas frustradas
No Rio Grande do Norte, há dois exemplos de governos vitoriosos que não conseguiram ter continuidade com sucessores.
O primeiro ocorreu na eleição de 2002, quando o candidato apoiado pelo governador Garibaldi Filho (PMDB, hoje MDB) fracassou nas urnas. Fernando Freire (PMDB), que era vice-governador e assumiu o governo para ser candidato à reeleição, foi derrotado por Wilma de Faria (PSB), que renunciou à Prefeitura de Natal para se eleger governadora.
Freire, que teve o médico e ex-deputado Laíre Rosado como vice, até conseguiu passar para o segundo turno, deixando para trás o ex-senador Fernando Bezerra (PTB), mas foi superado pela chapa Wilma de Faria/Antônio Jácome na votação final, com uma maioria de quase 300 mil votos.
Naquela eleição, Garibaldi Filho, que teve o governo aprovado pela maioria da população, elegeu-se senador da República com 714.363 votos (29,48%), ao lado de José Agripino Maia (PFL), que recebeu 594.912 votos (24,53%).
Wilma de Faria, com aprovação em alta, foi reeleita em 2006, já tendo Iberê Ferreira (PSB) como vice-governador. Quatro anos depois, ela tentou eleger o sucessor, Iberê, que teve como vice Vágner Araújo (PSB), mas fracassou nas urnas.
Iberê Ferreira havia assumido o governo para ser candidato à reeleição, sendo derrotado pela chapa da então senadora Rosalba Ciarlini (DEM)/Robinson Faria (PMN) ainda no primeiro turno das eleições. Naquele pleito, a disputa pelo governo estadual teve ainda a candidatura do ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves (PDT), que terminou em terceiro lugar.
Além de não conseguir fazer o sucessor, Wilma de Faria fracassou na tentativa de se eleger senadora da República. A líder socialista terminou em terceiro lugar, com 651.538 votos (21,89%), e viu os senadores Garibaldi Filho, com 1.042.272 votos (35,03%), e Agripino Maia, com 958.891 (32,23%), serem reeleitos.
BOX
RESULTADOS DAS ELEIÇÕES PARA GOVERNO DO RN DE 2002, 2010 E 2026
ELEIÇÃO DE 2002 – 2º turno
- Eleita: Wilma de Faria (PSB): 820.541 (61,05%)
- Segundo Colocado: Fernando Freire (PMDB): 523.614 (38,95%)
ELEIÇÃO DE 2010 – 1º turno
- Eleita: Rosalba Ciarlini (DEM): 813.813 (52,46%)
- Segundo colocado: Iberê Ferreira (PSB): 562.256 (36,24%)
- Terceiro colocado: Carlos Eduardo (PDT): 160.828 (10,36%)
ELEIÇÃO DE 2026 – 2º turno
- Eleito: Cadu Xavier (PT): 1.073.024 votos (50,77%)
- Segundo colocado: Allyson Bezerra (União Brasil): 1.040.399 votos (49,23%)
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