Sábado, 05 de setembro de 2026

Postado às 07h45 | 05 set 2026 | redação Getúlio Rêgo: 'A polarização da campanha federal vai impactar no Rio Grande do Norte'

Com dez mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa, Getúlio Rêgo afirma que está pronto para voltar. Candidato a deputado estadual nessas eleições, ele traça um diagnóstico da disputa e diz que a polarização impactará a eleição para governador

Crédito da foto: Jornal de Fato Getúlio Rêgo no Cafezinho com César Santos

Entre 1983 a 2022 a região do Alto Oeste do Rio Grande do Norte contou com o mais legítimo representante na Assembleia Legislativa, Getúlio Rêgo, que cumpriu dez mandatos ininterruptos em defesa da população alto-oestana, priorizando, principalmente, a saúde pública.

No pleito de 2022, embora bem votado, ele não conseguiu se eleger, abrindo uma lacuna. A eleição de 2026 pode reparar esse vazio.

Aos 82 anos de idade, Getúlio Rêgo se diz revigorado e pronto para retomar a carreira na Assembleia Legislativa. Candidato pelo PL, ele é visto como um dos favoritos na concorrida nominata, principalmente porque manteve as suas bases no Alto Oeste, com destaque para as cidades de Pau dos Ferros, Portalegre, Umarizal, Caraúbas, Riacho da Cruz e Encanto.

Getúlio Nunes Rêgo, médico e político, tomou o “Cafezinho com César Santos” para falar sobre a sua caminhada de volta ao Palácio José Augusto, sede da ALRN. Na sede do Jornal de Fato, acompanhado do filho Leonardo Rêgo (ex-prefeito de Pau dos Ferros), ele afirmou que está preparado, com a saúde em dia e a disposição de um jovem, no sentido de retomar a luta em defesa da sua região, com foco, principalmente, na saúde pública. Confira:

Dr. Getúlio, depois de cumprir dez mandatos na Assembleia Legislativa, 40 anos ininterruptos, o senhor agora propõe retomar a cadeira que pertence principalmente à região do Alto Oeste. Onde o senhor encontra a empolgação para disputar mais uma campanha eleitoral?

Nós fomos desafiados pelo povo da minha região e pelas lideranças do nosso grupo político. O povo sente falta de um gabinete que, durante 40 anos, manteve permanentemente as portas abertas para atender aos reclames da população. Também sentimos a fragilidade da representação política na Assembleia Legislativa para defender a saúde do povo do Rio Grande do Norte. Minha saúde, graças a Deus, está boa, plena. Alimento-me de forma saudável, pratico exercício físico diariamente e estou com a cabeça limpa para retornar ao debate. O Rio Grande do Norte precisa de alguém que tenha um passado limpo e que tenha gravada na memória essa trajetória de 40 anos de atividade parlamentar. Convidado pelo povo da minha região e estimulado pelas lideranças partidárias, como o senador Rogério Marinho, o prefeito de Natal Paulinho Freire e os deputados federais da oposição ao governo do Rio Grande do Norte, nós topamos a parada. E, pelas manifestações solidárias que temos recebido, estamos vendo uma perspectiva muito promissora de retornar à Assembleia Legislativa.

 

O senhor disputa pelo PL, que tem uma nominata bastante concorrida, talvez a maior delas. Qual a sua perspectiva?

Eu visualizo um espaço crescente em termos de solidariedade popular. Ultimamente, temos recebido manifestações expressivas nesse campo. Recentemente, por exemplo, recebi o apoio da ex-prefeita de Mossoró, ex-senadora e ex-governadora Rosalba Ciarlini. É, sem dúvida, um apoio de uma dimensão praticamente incalculável, tendo em vista tudo o que ela fez por Mossoró, pela minha região Oeste e pelo Rio Grande do Norte. Eu relembro, por exemplo, quando fui seu líder na Assembleia. Naquele ano em que disputamos a eleição, colegas diziam: “Você vai naufragar na sua tentativa de se reeleger para a Assembleia”. Foi justamente quando obtive a maior votação da história das minhas dez eleições: ultrapassei 52 mil votos. Isso aconteceu pela clareza de defender a fidelidade como instrumento que sempre norteou a minha vida, de nunca sair do barco, enquanto combati governos sucessivos, já que a grande maioria dos meus mandatos exerci como deputado de oposição. Recebi inúmeros convites para ser premiado com coisas vultosas, mas nunca me contagiei com esse tipo de comportamento. Fui sempre fiel àqueles com quem disputei eleições e que me deram oportunidade de contribuir para o desenvolvimento da minha região.

Foi o caso do governo Rosalba Ciarlini, por exemplo?

No governo de Rosalba, do qual fui líder na Assembleia Legislativa, muita gente disse que ela não foi um governo cinco estrelas, mas faço uma avaliação diferente. Foi na gestão Rosalba que obtivemos estradas importantes da nossa região, como a BR-226, de Patu, Pau dos Ferros até a divisa do Ceará. Obtivemos também a construção da adutora de engate rápido quando o povo de Pau dos Ferros estava com sede, sem água nas residências. Em tempo recorde, Leonardo [Rêgo], então secretário estadual de Recursos Hídricos, levou a adutora da barragem de Santa Cruz. Fizemos ainda a BR-405 entre Serrinha dos Pintos e Martins, que alavancou o turismo da cidade e contribuiu para dar mais mobilidade à região. Pau dos Ferros passou a ser um centro comercial mais expressivo, agregando diariamente milhares de pessoas que iam comprar no comércio local e estudar na cidade. No tempo de Leonardo prefeito de Pau dos Ferros, foram criados a unidade do Instituto Federal de Educação (IFRN) e o campus da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), o que fez Pau dos Ferros crescer de forma muito expressiva no contexto regional. Então, continuamos com a mesma firmeza, por isso o nosso nome tenha merecido o conceito e o respeito que o povo me credita, por não ser oportunista como representante do povo na Assembleia Legislativa.

 

Se o senhor for eleito para o 11º mandato, chegará à Assembleia sem nomes de referência, como José Dias e Vivaldo Costa, que não são candidatos à reeleição e estão encerrando a carreira. Diante dessa lacuna, a experiência de dez mandatos será determinante para a próxima legislatura?

Sem nenhuma dúvida. Temos propósitos em defesa de áreas vitais. Penso que a situação da saúde do Rio Grande do Norte exige uma atuação mais firme. Os profissionais médicos do Estado estão em um combate muito lento para oferecer oportunidades de projetos que valorizem a categoria. O Rio Grande do Norte hoje, por exemplo, está tendo um prejuízo mensal no fundo previdenciário de R$ 200 milhões, que terão que ser sacados do Tesouro Estadual para pagar aposentados e pensionistas. Por quê? Porque o governo terceirizou a saúde do Rio Grande do Norte. Quem contribui hoje como funcionário da rede estadual de hospitais e das escolas, os dois setores de maior expressão do ponto de vista de emprego, está caindo na Previdência Federal. Está faltando aporte de recursos nas contribuições dos funcionários para o Instituto de Previdência Estadual. Isso é um risco muito grande para o futuro dos aposentados e pensionistas. Nós defendemos que o Estado contrate, por meio de concurso público, médicos, enfermeiros, assistentes sociais, enfim, toda a cadeia que dá suporte às áreas da saúde e da educação, que são as que mais empregam no Rio Grande do Norte. O objetivo é revitalizar a arrecadação do Instituto de Previdência Estadual e garantir que, no futuro, todos tenham tranquilidade para receber seus vencimentos como aposentados e pensionistas.

A base política do senhor é o Alto Oeste, e seu grupo liderou Pau dos Ferros por mais de uma década, com três mandatos recentes de Leonardo Rêgo. Há duas eleições, porém, esse poder não foi retomado. Uma eventual eleição sua pode significar a retomada do grupo para a disputa da principal prefeitura do Alto Oeste?

Olhe, nós temos uma visão bastante respeitosa em relação aos resultados eleitorais. Nunca fizemos política na base do toma lá dá cá. Nunca tivemos orçamento financeiro para bancar uma eleição e fazer o eleitor ficar nos devendo. Nós sempre ficamos devendo aos eleitores. Terminadas as apurações, estávamos ao lado do povo para trabalhar, ser solidários e agradecer pelos dez mandatos conseguidos sem nenhum investimento de ordem material. Nunca aceitamos apoio de representantes públicos, vereadores, prefeito ou vice-prefeito na base do toma lá dá cá. Lamentamos que o processo político-eleitoral tenha se transformado em um supermercado. Não vou acusar ninguém, até porque nunca tive vocação para ser delegado de polícia nem promotor de Justiça, que são os órgãos de controle para fiscalizar as irregularidades. Mas nunca me seduziu essa capacidade de transformar patrimônio em instrumento de cooptação de votos, porque respeito o eleitor. Sempre respeitei e sempre recebi o eleitorado em todas as eleições das quais participei. Agradeço permanentemente pela confiança que sempre depositaram em mim.

 

Mas sobre Pau dos Ferros...

Hoje, sei que o povo da minha região, principalmente no nosso foco no Médio Oeste, está muito consciente do que precisa. É tanto que, mesmo tendo uma prefeitura adversária na última eleição estadual em Pau dos Ferros, nós fomos o deputado mais votado na cidade. Isso vem se repetindo desde 2002. Em todas as eleições, apesar de municipalizarem a campanha para deputado estadual e deputado federal, nosso grupo saiu vencedor em Pau dos Ferros. Em 2022, Leonardo fazia parte de uma nominata como candidato a deputado federal e foi o mais votado de Pau dos Ferros. Eu também fui o mais votado, apesar de enfrentar adversários que iam casa a casa oferecendo tudo o que o povo quisesse para, naquela eleição, a gente ser derrotado. O povo de Pau dos Ferros foi solidário comigo. E eu estou sentindo que hoje (atual campanha eleitoral) já começou a farra, mas nós não estamos fazendo farra. Estamos fazendo um apelo para revigorar a nossa presença na Assembleia Legislativa. Resgatar esse mandato será colocá-lo a serviço da população. Como sempre disse em palanque, eu não quero ser deputado para o povo ficar me devendo. Quero sempre ficar devendo ao povo, porque é assim que se pode transformar o mandato em ação efetiva em favor da população. É assim que vou continuar fazendo.

Vamos falar da disputa majoritária. Temos três candidatos em potencial ao governo do Estado e, pelo acirramento da campanha, provavelmente teremos segundo turno. Pela sua experiência e pelo cenário que observa no Rio Grande do Norte, quais candidatos chegariam a essa etapa?

Em primeiro lugar, devo dizer que, no meu ponto de vista, vamos emprestar nosso apoio ao candidato Álvaro Dias para o governo do Estado. Eu o conheço de longas datas. Ele foi deputado estadual, três vezes presidente da Assembleia Legislativa, foi duas vezes prefeito de Natal e deputado federal, representante do Rio Grande do Norte na Câmara. Ele tem experiência e maturidade. Como prefeito de Natal, Álvaro desatou o nó da paralisia que estava acontecendo na gestão da cidade. Tínhamos um Plano Diretor que travava o crescimento de Natal. Aquilo foi uma resposta expressiva às aspirações populares. Natal tem hoje milhares de investimentos em execução na construção civil. Além de propiciar crescimento, com geração de emprego e renda, isso deu à capital mais arrecadação. Imagine Natal, com as milhares de construções de edifícios que estão acontecendo atualmente, quanto a prefeitura não vai arrecadar, por exemplo, de IPTU? Isso vai ampliar o orçamento municipal. Natal estava perdendo de longe para João Pessoa. Antes, estava acima de João Pessoa, mas começou a atrofiar, enquanto João Pessoa se expandiu e passou à frente. Eu quero que o Rio Grande do Norte seja dirigido por uma pessoa que tenha experiência, visão de futuro e que já tenha sido testada e aprovada na capital do Estado, que é a maior cidade do Rio Grande do Norte, como gestor. Tivemos investimentos na Zona Norte e na Praia de Ponta Negra, que é o nosso cartão-postal e gerou milhares de empregos. Hoje, é uma ferramenta importante para a economia do Estado, especialmente na oferta de atendimento aos turistas que chegam. Então, ele está preparado para isso. E eu vejo que nós vamos ter uma influência muito grande do processo da disputa federal.

 

O senhor aposta em quais dois candidatos passarão para o segundo turno?

Pelo andar da carruagem, minha impressão é de que a polarização da campanha federal entre Lula e Flávio Bolsonaro vai arrastar também, no Rio Grande do Norte, os candidatos que farão parte do segundo turno da eleição estadual. Eu aposto que o segundo turno será entre Álvaro e Cadu. Veja bem: só a presença recente do presidente Lula em Natal, candidato à reeleição, já fez Cadu dar um salto de crescimento na sua avaliação nas pesquisas eleitorais. A tendência é de acirramento da campanha neste mês de setembro, e isso vai continuar acontecendo. Eu acredito, na minha opinião, que o segundo turno ocorrerá entre Álvaro e Cadu.

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