Trabalhadora doméstica Arinalda do MBL é a única candidata à governadora do RN
Da Redação do Jornal de Fato
Apenas uma mulher encabeça chapa ao Governo do Rio Grande do Norte nas eleições de 2026. Uma queda de 75% em relação ao pleito de 2022, quando três mulheres disputaram o cargo majoritário, que foi vencido pela governadora Fátima Bezerra (PT), que era candidata à reeleição.
Arinalda Medeiros, registrada na Justiça Eleitoral como “Arinalda do MBL”, é a única candidata à governadora. Apesar de isolada no ambiente majoritário, contra sete candidatos homens, ela se inscreve na história como a primeira mulher negra trabalhadora doméstica a disputar o Governo do RN.
Em 2022, além da governadora Fátima, mais duas mulheres disputaram o Governo do Estado: Clorisa Linhares, do PMB; e Rosália Fernandes, do PSTU. Outras duas mulheres participaram da chapa majoritária nas eleições passadas: Socorro Ribeiro (PSTU), que foi a vice de Rosália; e Francisca Henrique (Podemos), que foi a vice do candidato a governador senador Styvenson Valentim (Podemos).
Apesar da queda da presença da mulher na cabeça de chapa ao Governo do RN, houve um crescimento de 100% no número de mulheres potiguares como candidatas à vice-governadora. Este ano, são quatro no total:
- Larissa Rosado (PSB), vice de Cadu Xavier (PT);
- Leny Maciel Grilo (Psol), vice de Robério Paulino (Psol);
- Maria Socorro Batista de Macedo (Agir), vice de Rodrigo Bolsonaro (Agir);
- Fernanda Lourena Pereira Soares (PSTU), vice de Dário Barbosa (PSTU).
A queda da presença feminina em cabeça de chapas majoritárias representa um retrocesso, embora as mulheres venham ocupando mais espaços na política e no poder. Não é só isso. Para Hannah Maruci Aflalo, cientista política, doutora pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutoranda no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), a comparação entre 2026 e 2022 mostra apenas parte do problema.
“É preciso olhar que presença essas mulheres estão tendo, que lugares ocupam e se essas chapas têm estrutura, recursos, exposição e apoio político", afirma Hanna, que é uma das fundadoras da Tenda das Candidatas, projeto de formação política e apoio a candidaturas femininas.”
Apenas duas mulheres disputam a Presidência da República
Apenas duas mulheres encabeçam chapas à Presidência da República nas eleições 2026. Uma queda de 50% frente as quatro candidatas em 2022. Uma das presidenciais é a servidora pública Samara Martins, do partido Unidade Popular (UP), que é mineira, mas há anos vive em Natal, capital do Rio Grande do Norte. A vaga de vice também é ocupada por uma mulher, Raquel Brício (UP).
A outra candidata à Presidência é Clariana Barão, que forma a chapa com Fabiana Torquato, ambas do partido Democracia Cristâ (DC).
Ao todo, sete mulheres compõem as chapas neste ano: além das duas presidenciáveis, cinco concorrem à vice. É uma a menos que em 2022, quando a participação feminina atingiu o maior número desde a primeira eleição direta após a redemocratização, em 1989, segundo levantamento feito pelo portal g1 com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A distribuição também mudou. Há quatro anos, eram quatro candidatas a presidente e quatro a vice. Agora, enquanto o número de mulheres no topo das chapas caiu de quatro para duas, o de candidatas a vice subiu para cinco, repetindo o patamar de 2018, quando também houve duas presidenciáveis e cinco mulheres disputando a vice.
Como a eleição de 2026 tem 13 chapas, duas a mais que em 2022, a participação proporcional das mulheres também recuou. Elas ocupam 27% das 26 posições em disputa, ante 36% das 22 vagas na eleição passada.
Os dados de 2026 ainda podem mudar. Partidos, federações e coligações terão as candidaturas julgadas pela Justiça Eleitoral. Entre elas está a de Pablo Marçal, do PRTB, que está inelegível, mas conseguiu registrar sua chapa para concorrer à Presidência no último dia do prazo.
Há ao menos uma mulher em cinco das 13 chapas presidenciais nas eleições de 2026:
- Clariana Barão e Fabiana Torquato, do DC;
- Cleusa Santos, candidata a vice de Edmilson Costa (PCB);
- Vanessa Portugal, candidata a vice de Hertz Dias (PSTU);
- Samara Martins e Raquel Brício, da UP;
- Suêd Haidar, candidata a vice de Wilson Grassi (Democrata).
Isso significa que as mulheres estão presentes em 38% das chapas. Nas duas eleições anteriores, a participação superava a metade: elas estavam em sete das 13 candidaturas de 2018 (54%) e em seis das 11 de 2022 (55%).
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