Estourou de vez a crise na federação União Progressista, que sustenta a pré-candidatura a governador de Allyson Bezerra (União Brasil). Ao retirar pré-candidatura a deputado federal, Kelps aponta boicote, quebra de compromisso e critica deputados
Ex-deputado estadual Kelps Lima em visita recente ao Jornal de Fato
Da Redação do Jornal de Fato
Estourou de vez a crise na federação União Progressista, que sustenta a pré-candidatura a governador de Allyson Bezerra (União Brasil). Nesta quinta-feira, 9, o ex-deputado estadual Kelps Lima (União Brasil) anunciou a retirada de sua pré-candidatura à Câmara Federal, expondo a relação conturbada com os três deputados da federação: Robinson Faria e João Maia, do PP, e Benes Leocádio, do União Brasil.
A saída de Kelps praticamente elimina a possibilidade de a federação eleger três deputados federais, o que significa que dos atuais parlamentares do grupo, um não conseguirá renovar o mandato. Além disso, a crise exposta por Kelps sugere que a federação está sem comando, uma vez que não apareceu nenhum líder para conter os problemas.
Kelps Lima, em entrevista a uma emissora de rádio de Natal, contou detalhes da crise e afirmou que foi boicotado por Robinson, João e Benes. Ele diz que ainda tentou contornar a situação, mas não obteve sucesso. Na quarta-feira, 8, Kelps esteve em Brasília para participar de uma reunião com integrantes da cúpula nacional do União Brasil, mas não foi recebido. Ele foi ignorado pelo presidente nacional do partido, Antônio Rueda. O ex-deputado sentiu-se isolado dentro da federação, o que culminou com a sua decisão de retirar a pré-candidatura.
O agora ex-pré-candidato a deputado federal afirma que foi boicotado internamente, apontando para os três deputados da federação:
“Teve uma reunião de Benes Leocádio, Robinson Faria e João Maia com o pré-candidato a governador Allyson, ocorrida há uns vinte e poucos dias, quando eles comunicaram que todos os compromissos assumidos comigo não iam ser cumpridos.”
E mais:
“Falaram para Allyson que ele que podia tirar a minha candidatura que não tinha problema nenhum. Se eu fosse candidato eu tomava uma vaga porque a federação só elegia dois e se eu saísse também só elegia dois. Então, tanto fazia eu ficar ou sair.”
Kelps revelou o compromisso assumido com ele e que não foi cumprido:
“Quando eu recebi o convite, foi-me dito o seguinte: venha para o União Brasil que vai ser repassado dez prefeitos para votar em você. Eu pensei, esses caras não estão calculando o meu tamanho, porque se eles me derem esses votos, serei o mais votado da federação. Foi prometido mais uma série de coisas, e nenhuma foi cumprida.”
Segundo Kelps, ele foi chamado em Brasília por Antônio Rueda, quando recebeu mais uma série de promessas para se filiar ao União Brasil. “Ele me atendeu espetacularmente muito bem, me faz uma série de promessas, e eu pensei: ‘estou aqui, Allyson Bezerra é candidato a governador, é meu amigo pessoal. Com esses votos eu ganho a eleição bem”; então, decidiu aceitar o convite.
Depois daí, o agora ex-pré-candidato revela uma mudança de comportamento do comando nacional do partido. “Só que de 35 dias pra cá, o presidente nacional do partido, Antônio Rueda, não atendeu as minhas ligações. O que é que eu deduzo? Ele está recebendo pressão dos deputados da federação.”
Kelps Lima afirma que a sua decisão não o afasta da campanha eleitoral, mas no momento não tem um nome para ele apoiar para deputado federal. “Só decidirei quando eu ouvir todos os meus amigos. Nesse momento, é zero a possibilidade de apoiar algum candidato.”

“Esses caras não têm compromisso com ninguém”
Ligado politicamente ao ex-prefeito de Mossoró e pré-candidato a governador Allyson Bezerra, de quem se considera amigo, Kelps Lima se sentiu desamparado pelo partido. A quebra de compromisso aumentou a sua insatisfação, que culminou com uma série de críticas que atingiram principalmente o deputado federal Robinson Faria.
Antes de lançar a ofensiva ao trio de parlamentares da federação União Progressista, Kelps disse que conversou com Allyson Bezerra, deixando claro que se sentia à vontade para falar o que ele acha sobre Robinson, João Maia e Benes Leocádio.
“Eu vinha fazendo críticas públicas à bancada federal, sem citar nomes. Agora que estou sendo boicotado internamente, estou livre para nominar o que eu acho. Na primeira crítica que eu fiz, dizendo algo muito óbvio, que Robinson foi o pior governador dos últimos 40 anos, ele correu para chantagear Allyson, dizendo que ia retirar a candidatura se eu continuasse falando.”
Kelps Lima revela que “os deputados correram para dizer: cale a boca de Kelps. E ocuparam a imprensa dizendo que eu estava atrapalhando a campanha de Allyson Bezerra.”
Agora, que não é mais pré-candidato, Kelps Lima tende a aumentar o volume das críticas contra os deputados da federação. Na entrevista a uma emissora de Natal nesta quarta-feira, 9, ele atacou:
“... aí você entende que quando o estado é representado por figuras como João Maia, Robinson Faria e Benes Leocádio, o Rio Grande do Norte tem os índices de pobreza que tem. Esses caras não têm compromisso com ninguém.”
E seguiu:
“João Maia, Robinson e Benes, se você tirar os apoios políticos que eles conquistam com emendas (parlamentares), eles não se elegem vereador em nenhuma cidade do Rio Grande do Norte. Benes hoje não se elege vereador em Lajes (cidade onde Benes Leocádio foi prefeito). João Maia se elege vereador em qual cidade?”
Tags: