Quarta-Feira, 10 de June de 2026

Postado às 09h15 | 10 Jun 2026 | redação Fala de Kelps Lima abre crise na federação União Progressista

Crédito da foto: Jornal de Fato Pré-candidato a deputado federal Kelps Lima: 'Um vai sair para eu poder entrar'

Da Redação do Jornal de Fato

O ex-deputado estadual Kelps Lima (União Brasil) tem repetido em todas as entrevistas a necessidade de o Rio Grande do Norte renovar a bancada federal em Brasília. Segundo ele, os deputados e deputadas federais, que hoje ocupam as oito vagas do Estado, não produzem absolutamente nada. Daí, o discurso de que a renovação deve ser levada a sério pelo eleitor que vai às urnas no pleito de 4 de outubro.

As críticas, que no primeiro momento eram direcionadas a toda a bancada, agora estão sendo direcionadas aos três deputados da federação União Progressista, justamente os seus companheiros de chapa. Nos bastidores, a versão é de que Kelps Lima está reagindo a uma quebra de compromisso que os parlamentares assumiram com ele.

Explica-se:

Quando foi convidado para trocar o Solidariedade pelo União Brasil, Kelps Lima recebeu a promessa de uma estrutura capaz de tornar a sua candidatura competitiva. Uma das propostas acertadas era de que os deputados João Maia (PP), Robinson Faria (PP) e Benes Leocádio (União Brasil) transfeririam apoios de prefeitos para Kelps, que somariam em torno de 30 mil votos. Outra promessa era que o pré-candidato a governador Allyson Bezerra (União Brasil) o apresentaria como o “representante” de Mossoró à Câmara dos Deputados. Nenhuma foi cumprida até aqui.

João, Robinson e Benes, que são os nomes mais competitivos da federação União Progressista, negam-se a transferir colégios eleitorais para Kelps. Já o ex-prefeito Allyson apenas levou três vereadores da bancada governista de Mossoró para apoiar Kelps, mas igual número ele direcionou para João, Robinson e Benes. Além disso, Allyson não classificou Kelps como o “deputado de Mossoró”.

A quebra de compromisso elevou a temperatura na federação e, por consequência, Kelps Lima passou a expor os deputados federais que ele considera os seus adversários. “Nessa pré-campanha e na campanha, meus adversários serão Robinson Faria, João Maia e Benes Leocádio, três deputados federais e um deles vai ter que sair para a gente poder entrar”, declarou ao comentar sobre uma foto sua com a vereadora Nina Souza, que é pré-candidata à deputada federal pelo PL.

“Tá achando estranho uma foto minha com Nina na minha rede social? Não tem problema nenhum. Nina, eu gosto dela e ela não é minha adversária”, disse, ao reafirmar que o seu alvo é derrotar um dos deputados da União Progressista.

Kelps Lima entende que a sua federação elegerá três deputados federais. Dessa forma, para ele estrear na Câmara dos Deputados em 2027, um dos três será derrotado. As declarações não foram rebatidas pelos parlamentares da União Progressista, nem comentada por Allyson Bezerra ou pelo presidente do União Brasil, ex-senador José Agripino Maia. No entanto, é certo que João Maia, Robinson Faria e Benes Leocádio não vão abrir espaço para facilitar a campanha de Kelps Lima.

“Hoje, a bancada federal do Rio Grande do Norte é irrelevante”

Numa entrevista ao “Cafezinho com César Santos”, publicada no Jornal de Fato, Kelps Lima afirmou que a bancada federal do Rio Grande do Norte é “irrelevante”. Ressaltando que alguns dos deputados são seus amigos, ele disse que não pode se omitir diante do que ele considera uma bancada fraca, sem atuação relevante na Câmara.

“Hoje, a bancada federal do Rio Grande do Norte é irrelevante. Nenhum deputado preside comissão importante, nenhum é chamado a opinar sobre grandes temas nacionais em veículos de alcance nacional. Não há notícia de projetos de grande repercussão, nem atuação em iniciativas estruturantes para o estado”, criticou. E seguiu: “Nenhum ocupa cargo na Mesa Diretora, nem foi cogitado para ministério, algo que o Rio Grande do Norte historicamente teve.”

Kelps disse que como cidadão, e também como agente político, tem o dever de dizer que a bancada vive um momento ruim. “A representação atual não é boa. E me sinto à vontade para afirmar isso, inclusive dentro do partido ao qual me filiei. Em nenhum momento me foi pedido para silenciar críticas, e, se fosse, eu também não aceitaria”, disse.

Naquele momento da entrevista, Kelps negou atritos internos. “Robson Faria, João Maia e Benes Leocádio são políticos experientes e sabem que a crítica faz parte do processo democrático. Quem não quer ser criticado não deve atuar na vida pública. Toda figura pública está sujeita a críticas.”

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