Como o radicalismo cego devora o futuro do Brasil
COLUNA NEY LOPES / JORNAL DE FATO
Como o radicalismo cego devora o futuro do Brasil
O maior risco para a democracia brasileira talvez não esteja em um partido específico, mas no avanço de uma mentalidade intolerante que substitui o debate pelo fanatismo político. Em vez de cidadãos críticos, surgem torcidas organizadas. O comportamento dos extremos se torna assustadoramente parecido.
Radicais petistas e bolsonaristas divergem nas ideias, mas se aproximam nos métodos, na agressividade e na incapacidade de admitir o contraditório. Transformam adversários em inimigos, rejeitam o diálogo e alimentam a lógica do “nós contra eles”, em que não há espaço para ponderação, autocrítica ou convergência nacional.
O sequestro da razão
A política brasileira se tornou emocional e cada vez menos racional. O debate público foi capturado por sentimentos extremados. Toda intolerância começa desacreditando instituições, demonizando opositores e estimulando o dogmatismo. O perigo não está apenas nos líderes radicais, mas nas multidões incapazes de questioná-los.
Voltaire advertia: “Aqueles que podem fazer você acreditar em absurdos podem fazer você cometer atrocidades”. Séculos depois, a lição se aplica perfeitamente à fratura ideológica que divide o país.
Inimigos da pátria
No Brasil atual, muitos deixaram de apoiar projetos para idolatrar líderes. Criou-se uma lógica quase religiosa: críticas são tratadas como heresia, fatos inconvenientes são descartados e opositores deixam de ser cidadãos para virar “inimigos da pátria”.
Enquanto os radicais gritam, o Brasil real continua esperando soluções para problemas concretos: educação precária, insegurança, desigualdade, corrupção, saúde pública deficiente e baixo crescimento econômico.
Joaquim Nabuco dizia que “o verdadeiro patriotismo é o que concilia a pátria com a humanidade”. Talvez esteja aí a lição esquecida pela política nacional: amar o Brasil não deveria significar odiar metade dos brasileiros.
O futuro democrático do país dependerá menos de líderes messiânicos e mais da capacidade coletiva de recuperar a moderação. Democracias maduras não são construídas por unanimidades forçadas, mas pela convivência respeitosa entre as diferenças. O extremismo produz aplausos imediatos, mas destrói consensos, paralisa instituições e corrói o Estado de Direito.
A História é implacável com nações que trocam a sensatez pelo dogmatismo. Quando o ódio cego assume o controle, o país sabota a si mesmo e marcha rumo ao colapso. Afinal, a democracia não sobrevive em um ambiente onde o dissenso é tratado como heresia.
Filme
“História de um casamento” – NETFLIX- Um casal passa por muitos problemas e decide se divorciar. Os dois concordam em não contratar advogados para tratar da separação. Mas depois mudam de ideia e surgem discordâncias.
Frase
"O amor maduro não é aquele que não enfrenta crises, mas aquele que diante dos problemas, decide sentar lado a lado para consertar o que parece quebrado."
Nova edição da “Pátria não é de ninguém”
O livro do advogado e escritor François Silvestre – “A Pátria não é de ninguém” -ganha nova edição e está no site da Editora Escribas, com frete grátis para todo o país. O Autor, que vive em Martins, verdadeira ilha de paz no RN, é uma das vozes mais competentes e vigorosas da literatura potiguar.
Ataque ao México
Fala-se em Washington DC que se Trump continuar caindo nas pesquisas e sua guerra com o Irã se prolongar, ele ordenaria um ataque aos cartéis de drogas do México. Faria isso com o duplo objetivo de mobilizar sua base ultranacionalista e desviar a atenção do conflito no Oriente Médio.
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