Estatística de 2022 mostra que eleitor potiguar precisa ser conquistado para cravar o voto
Por Edilson Damasceno / Jornal de Fato
De uma eleição para outra tudo pode acontecer. E a regra é clara para quem está no comando de alguma campanha eleitoral: é preciso comparar um pleito com outro, analisar falhas e acertos para, somente depois, projetar o futuro do candidato ou candidata. Diante disso, os números são fundamentais para a compreensão de cenários e, evidentemente, focar em uma estratégia que possa atrair a atenção do eleitorado.
Com base nessa premissa, a eleição de 2026 passa, necessariamente, pelos números de 2022. Naquele ano, segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), existiam 2.550.291 eleitores aptos ao voto. Desse total, 2.086.722 eleitores compareceram, representando 81,82% dos votantes.
Esses números indicam que, naquele ano, 463.569 eleitores deixaram de votar. Saliente-se que o pleito de 2022, para o Governo do Estado, foi vencido por Fátima Bezerra ainda no primeiro turno. Ela obteve 1.066.496, representando 58,31% dos votos válidos. Os candidatos mais votados foram Fábio Dantas (406.461 votos) e Capitão Styvenson (307.330 votos).
A leitura desses números implica uma situação interessante: Fátima Bezerra não é candidata e, em tese, esses votos obtidos por ela estariam na margem a ser conquistada pelo candidato por ela apoiado, no caso Cadu Xavier. Além disso, a oposição junta não ameaçou a reeleição de Fátima Bezerra.
Contudo, apesar dos números de 2022 terem sido favoráveis para o grupo governista, isso não quer dizer que Fátima Bezerra possa fazer o sucessor. Uma série de desdobramentos deve ser levada em consideração. E a principal delas diz respeito ao elevado número de eleitores que não votaram.
A abstenção de 463.569 eleitores foi maior que a votação obtida por Fábio Dantas. Além disso, nem todos os eleitores votantes escolheram candidato ao Governo do Estado. Do total dos que votaram (2.086.722), 87,65% cravaram na urna, correspondendo a exatos 1.828.974 eleitores. Naquele ano, 162.027 eleitores anularam seus votos e 95.721 votaram em branco.
Em outras palavras, a eleição de 2022 não despertou o interesse de 721.317 eleitores, entre abstenções, votos nulos e brancos. Esses números são para o Governo do Estado. Quando o assunto é Senado Federal, a realidade numérica é diferente: dos 2.086.722 votos para o cargo, 1.692.509 foram validados (81,11%), contra 239.728 votos nulos e 154.485 em branco. Já para a Câmara Federal, conforme a estatística que consta do endereço eletrônico do Tribunal Regional Eleitoral, do total de 2.086.722 votos registrados, 1.870.321 foram efetivamente computados. Destes, 1.788.126 foram nominais e 76.699 direcionados aos partidos políticos.
Já os votos que não atenderam às especificidades totalizam 685.466, dos quais 463.569 foram abstenções, 5.496 anulados, 105.623 nulos e 110.778 em branco.
Para os candidatos que disputaram a Assembleia Legislativa, conforme o TRE, dos 2.086.722, 1.865.045 foram válidos, divididos em nominais (1.669.429) e em legenda (195.616). Do total, 16.821 votos foram anulados pela Justiça e 331 pelos próprios eleitores. Além disso, 103.315 foram nulos na urna e 101.210 foram em branco. Assim, tem-se uma soma de 685.246 votos que não foram conquistados pelos candidatos.
Caminho está aberto para candidatos ao Governo
Pela estatística das eleições de 2022, os candidatos ao Governo do Estado, Senado, Câmara Federal e Assembleia Legislativa têm um leque considerável de oportunidades. Isso no sentido de atrair a atenção do eleitor que não se sentiu motivado a cravar o voto na urna naquele ano.
Como existem particularidades a serem trabalhadas, cada escolha dos candidatos – no que diz respeito ao marketing, comunicação e demais estratégias ao trato com o eleitor – deve ser pensada com cautela.
O certo é que existe um caminho a ser ocupado. Se o objetivo for o Governo do Estado, percebe-se a existência de 721.317 eleitores que optaram por não seguir nenhum postulante.
Os caminhos existem, seja para o Governo, Senado, Câmara Federal ou Assembleia Legislativa. Os candidatos devem fazer o básico: atrair a atenção do eleitorado e, evidentemente, conquistar o voto.
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