Eleitores com 60 anos ou mais somam 36,2 milhões no Brasil
Por Congresso em Foco
O número de brasileiros com 60 anos ou mais aptos a votar cresceu 74% entre as eleições de 2010 e março de 2026, segundo levantamento do instituto Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral. Em termos absolutos, esse contingente passou de 20,8 milhões para 36,2 milhões no período.
No mesmo intervalo, o eleitorado total do país teve avanço menor. A quantidade de pessoas aptas a votar subiu 15%, passando de 135,8 milhões em 2010 para 156,2 milhões em 2026, o que evidencia um ritmo de crescimento mais acelerado entre os eleitores mais velhos.
Com isso, a participação desse grupo no conjunto do eleitorado aumentou. Em março de 2026, os brasileiros com 60 anos ou mais representavam 23,2% do total de eleitores, o equivalente a quase um em cada quatro votantes no país.
A presença nas urnas também varia conforme a idade dentro desse grupo. Nas eleições de 2022, 21,6 milhões de eleitores com 60 anos ou mais compareceram ao primeiro turno, o que corresponde a 65,5% dos aptos. Entre aqueles de 60 a 69 anos, cuja participação é obrigatória, o índice chegou a 85,7%, acima da média geral de 79,1% registrada no mesmo pleito.
Já entre os eleitores com mais de 70 anos, para quem o voto é facultativo, o comparecimento foi de 41,1% em 2022. Ainda assim, a abstenção nessa faixa etária apresentou queda ao longo das últimas eleições, recuando de 63,6% em 2014 para 58,9% em 2022. Enquanto isso, no eleitorado geral, ocorreu o movimento oposto no mesmo período, com a abstenção subindo de 19,4% em 2014 para 20,3% em 2018 e atingindo 20,9% em 2022.
Regiões
Regionalmente, o peso dos eleitores mais velhos é maior no Sul e no Sudeste. Nessas regiões, ao menos 23% do eleitorado é formado por pessoas com 60 anos ou mais, com destaque para Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Nos três maiores colégios eleitorais, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, esse grupo reúne cerca de 16 milhões de votantes.
Na região Norte, o perfil permanece mais jovem, com média de 16,5% de eleitores com 60 anos ou mais. Paralelamente, cresce também a participação desse grupo nas disputas eleitorais. Em 2024, mais de 70 mil candidatos com 60 anos ou mais concorreram a cargos eletivos, o equivalente a 15% do total, enquanto em 2022 foram 4.873 candidaturas, correspondendo a 17%.
Saiba como verificar se seu título está regular
Eleitoras e eleitores podem consultar, de forma rápida e gratuita, pela internet, a situação do título. Disponível no “Autoatendimento Eleitoral!”, no Portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o serviço permite verificar eventuais pendências e as formas de regularização.
Para consultar, basta entrar no sistema, acessar o menu “Consultas” e clicar em “Situação do título”. É necessário informar o número do título, o CPF ou o nome e a data de nascimento.
Também é possível fazer a verificação pela página principal, no menu de serviços localizado no canto superior direito, ao selecionar a opção “Situação eleitoral” e preencher os dados solicitados.
No ambiente digital, a eleitora e o eleitor podem conferir a situação eleitoral, emitir certidões, atualizar dados cadastrais e obter orientações para regularizar o título, caso haja alguma inconsistência.
Cidadania
Manter a situação eleitoral regular é importante para garantir o direito ao voto e evitar restrições, como impedimentos para tirar passaporte, tomar posse em cargo público ou obter empréstimos em instituições oficiais.
A partir de 7 de maio, o cadastro eleitoral estará fechado para o recebimento de novas solicitações relativas ao pleito, marcado para 4 de outubro (1º turno). A medida segue a Lei das Eleições (Lei 9.504/1997), que estabelece o fechamento do cadastro 150 dias antes da votação.
Projeto atrela cota de candidatas à proporção de mulheres na população
A Câmara dos Deputados analisa o projeto de lei 1155/2026, de autoria da deputada Elisangela Araujo (PT-BA), que propõe substituir a cota mínima fixa de 30% de candidaturas femininas por um percentual variável, baseado na proporção de mulheres na população brasileira, segundo dados do IBGE.
A proposta altera a Lei das Eleições (9.504/1997), que hoje fixa o mínimo de 30% e o máximo de 70% de candidaturas por sexo, para adotar um critério variável vinculado ao Censo Demográfico.
O texto mantém o teto e atrela o piso das candidaturas femininas à participação das mulheres na população, hoje em 51,5%, de acordo com o Censo de 2022, o que elevaria o percentual mínimo atualmente exigido.
O índice seria atualizado a cada eleição e divulgado pelo TSE com pelo menos 12 meses de antecedência.
Tramitação
Autora da proposta, Elisângela Araújo afirma que a regra atual não foi suficiente para ampliar a presença feminina na política. Para a deputada, a adoção de um critério dinâmico pode reduzir a diferença entre a participação das mulheres na população e sua representação nos espaços de poder.
O projeto será analisado pelas comissões de Defesa dos Direitos da Mulher e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Em seguida, segue para o Plenário da Câmara. Para virar lei, ainda precisa do aval do Senado.
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