O PT não quer correr o risco de cometer o erro de 2022, quando abriu mão do vice-governador Antenor Roberto (PCdoB), que tinha o direito natural à reeleição, para colocar Walter Alves na chapa. Naquele momento, houve a interferência de Lula
Vice-governador Walter Alves chegou a anunciar apoio a Cadu Xavier, mas depois saiu para a oposição
Da Redação do Jornal de Fato
Dos três principais pré-candidatos a governador do Rio Grande do Norte, apenas Cadu Xavier (PT) não anunciou o nome do seu vice. Álvaro Dias (PL) formará chapa com o ex-presidente da Femurn, Babá Pereira (PL), e Allyson Bezerra (União Brasil) terá o deputado estadual Hermano Morais (MDB) como companheiro de chapa.
O fato de Cadu ainda não ter anunciado o seu vice não significa que o seu grupo não tenha nomes para compor a chapa. O que acontece é que o PT vai valorizar a escolha do vice, principalmente sob os aspectos éticos e de confiança. O partido está ressabiado com o episódio recente em que o vice-governador Walter Alves (MDB) rompeu politicamente com a governadora Fátima Bezerra (PT) para se aliar à oposição.
A decisão de Walter causou decepção e prejuízo político. Em razão de ele ter quebrado o compromisso de assumir o governo para se aliar ao pré-candidato a governador Allyson Bezerra (União Brasil), a governadora Fátima teve que continuar no cargo e, por gravidade, desistiu de disputar o Senado na eleição de 4 de outubro.
O PT, na versão interna, não quer correr o risco de cometer o erro de 2022, quando abriu mão do vice-governador Antenor Roberto (PCdoB), que tinha o direito natural à reeleição, para colocar Walter Alves na chapa. Naquele momento, houve a interferência do então candidato presidente Lula, que costurava o apoio do MDB para o seu projeto político, e a aliança no Rio Grande do Norte acabou fazendo parte do “pacote” nacional.
A decepção com Walter Alves foi ainda maior porque o vice-governador foi companheiro de Fátima durante três anos, assumiu o governo por diversas oportunidades e se mostrava parceiro político confiável. Walter decidiu romper apenas no início do ano eleitoral, o que passou a ideia ao PT de “oportunismo político”.
A governadora Fátima afirmou que se surpreendeu com a postura de Walter Alves, inclusive, revelou que havia um acordo firmado em uma reunião ocorrida em Brasília, com a participação dos líderes do PT e MDB, na qual ficou acertado que Walter assumiria o governo, Fátima seria candidata ao Senado e ajudaria ao MDB formar uma nominata forte à Assembleia Legislativa.
Diante do episódio protagonizado por Walter Alves, o PT decidiu que vai valorizar a escolha do candidato a vice-governador, a partir de critérios como confiança e ética. Alguns nomes já foram especulados, mas o partido não confirma.
Cadu Xavier tem se mostrado tranquilo em relação a escolha do seu vice. Em recentemente entrevista ao Jornal de Fato, ele disse que a escolha será feita no momento certo e que será o nome que vai agregar valores à chapa majoritária.
Partidos da base governista se reúnem nesta quarta-feira
A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, e os três partidos da base governista: PSB, PDT e Cidadania, voltarão a se reunir nesta quarta-feira, 15, em Natal, para discutir sobre as eleições 2026. A escolha do vice de Cadu Xavier (PT) e o segundo nome ao Senado, ao lado da vereadora Samanda Alves (PT), estarão na pauta.
A governadora Fátima Bezerra (PT), que lidera o processo, conduzirá a discussão. Também estarão presentes o ex-deputado federal Rafael Motta e o ex-senador Jean Paul Prates, que disputa a indicação do PDT para preencher a segunda vaga ao Senado.
O PSB, que tem possibilidade de indicar o vice de Cadu Xavier, prefere não se envolver nessa discussão de forma mais profunda. Segundo a presidente do partido no Rio Grande do Norte, ex-deputada Larissa Rosado, o foco principal da legenda é a nominata à Câmara Federal.
O partido conseguiu os nomes para compor a chapa proporcional e vai atender a orientação do comando nacional do PSB, que é justamente disputar mandato à Câmara dos Deputados.
Larissa Rosado, inclusive, confirmou ao Jornal de Fato que é pré-candidata à deputada federal. Ele disse que o partido conseguiu se articular para formar uma nominata preenchendo os nove nomes, inclusive, a cota de gênero de 30%.
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