Planalto Central
Da Redação do Jornal de Fato
O presidente Lula (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) polarizam a eleição presidencial 2026, mas a corrida ao Planalto tem 11 pré-candidatos. A lista começa a ser consolidada com avanço do calendário eleitoral. Os registros oficiais de candidatura dependem de formalização perante a Justiça Eleitoral, com prazo final em 15 de agosto, mas diferentes legendas já apresentaram ou anunciaram nomes como pré-candidatos a presidente do país.
Confira os 11 nomes que estão no tabuleiro da sucessão presidencial:

1 - Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de 80 anos, está cumprindo o seu terceiro mandato como presidente do Brasil. Sua trajetória política começou como líder sindical nos anos 80. Disputou em 1989 o cargo de Chefe do Executivo pela primeira vez, perdendo no segundo turno para Fernando Collor de Mello. Voltou a concorrer às eleições de 1994 e 1998, e perdeu para Fernando Henrique Cardoso. Sua primeira vitória veio em 2002, quando venceu as eleições na disputa contra José Serra. Em 2006, foi reeleito contra Geraldo Alckmin, seu atual vice, que permanecerá na condição para a disputa de 2026.

2 – Flávio Bolsonaro (PL) polariza a disputa com Lula, representando a direita brasileira. Aos 44 anos, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro aparece empatado tecnicamente com Lula nas pesquisas. Formado em Direito pela Universidade Candido Mendes (UCAM), Flávio foi deputado estadual no Rio de Janeiro entre 2003 e 2019, sendo eleito ao cargo por quatro vezes seguidas. Em 2016, chegou a disputar a eleição para a prefeitura do Rio, pelo Partido Social Cristão (PSC), mas ficou em quarto lugar. Surfando na onda bolsonarista, Flávio chegou ao Senado em 2019, após eleição que também elegeu seu pai presidente.

3 – Ronaldo Caiado (PSD), de 76 anos, é médico ortopedista formado pela Escola de Medicina e Cirurgia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e produtor rural. Ele ganhou projeção nacional na década de 1980, sendo um dos fundadores da União Democrática Ruralista (UDR), associação criada para defender os interesses dos grandes proprietários de terras e fazer contraponto aos movimentos sociais que exigiam a reforma agrária. Participou da eleição presidencial de 1989, o que o ajudou a se consolidar como um dos maiores nomes da direita brasileira e da chamada bancada ruralista. Foi eleito deputado federal por cinco vezes pelo estado de Goiás, até 2015. Ingressou no Senado, onde ficou até 2018, quando disputou as eleições para o governo de Goiás, sendo eleito no primeiro turno, assim como na reeleição de 2022.

4 - Renan Santos (Missão), de 41 anos, é um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL), grupo que nasceu na internet durante o ano de 2014 e se mostrava insatisfeito com o governo de Dilma Rousseff (PT). Foi um dos grandes articuladores dos protestos contra a administração em 2015 e 2016. Apesar de apoiar a candidatura de Jair Bolsonaro em 2018, logo nos primeiros meses de 2019 Renan liderou um distanciamento e rompimento com o governo, apresentando-se contra o bolsonarismo e lulismo. Desde novembro do ano passado, integra o partido Missão, fundado por membros do MBL.

5 - Aldo Rebelo (Democracia Cristã), 70 anos, é nome histórico da esquerda brasileira. Ele começou sua vida política com movimentos estudantis. Foi presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) durante a década de 80. Entrou no PCdoB em 1985 e construiu uma relação de quase 40 anos. Foi deputado federal por São Paulo em seis mandatos consecutivos, de 1991 a 2015. Foi ministro-chefe da Secretaria de Coordenação Política e Relações Institucionais durante o primeiro mandato de Lula. Ocupou três ministérios diferentes durante o governo Dilma: Esporte (2011–2015); Ciência, Tecnologia e Inovação (2015); Defesa (2015-2016). Distanciou-se nos últimos anos das pautas da esquerda e chegou a fazer parte da gestão de Ricardo Nunes na cidade de São Paulo em 2024, como secretário de Relações Internacionais, enquanto seu partido (PDT) apoiava a candidatura de Guilherme Boulos.

6 - Romeu Zema (NOVO), de 61 anos, é formado em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV-SP) e construiu carreira no setor privado antes de ingressar na política. É herdeiro do Grupo Zema, famoso pelas Lojas Zema, rede varejista. Em 2018, filiado ao partido Novo, disputou sua primeira eleição ao governo de Minas Gerais. Ganhou o pleito após subir nas pesquisas ao declarar apoio a Jair Bolsonaro no primeiro turno. Foi reeleito em 2022. Ele renunciou ao cargo de governador para concorrer à presidência.

7 - Hertz Dias (PSTU), de 55 anos, é professor de história na rede pública estadual de ensino no Maranhão. Formado pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), também é rapper e um dos fundadores do Movimento Hip Hop Quilombo Urbano, que em 1992 passou a se chamar Quilombo Urbano, e é vocalista do grupo Gíria Vermelha. Filiado ao Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), Hertz ganhou notoriedade nacional ao disputar a eleição presidencial como vice na chapa de Vera Lúcia. Concorreu ao cargo de prefeito de São Luís em 2020 e ao governo do estado em 2022, sem sucesso.

8 - Samara Martins (UP), de 38 anos, é o nome do Rio Grande do Norte na disputa presidencial. A dentista, nascida em Minas Gerais, transferiu-se para o RN há algum tempo. Ela atua no Sistema Único de Saúde (SUS) e é ativista histórica de movimentos sociais no Brasil, com defesa dos direitos das mulheres, da população negra e luta por moradia. Vice-presidente do Unidade Popular, ela é militante ativa do Movimento de Mulheres Olga. Concorreu pela primeira vez a um cargo público em 2020, tentando ser vereadora na cidade de Natal, sem sucesso. Também disputou as eleições presidenciais em 2022, ao lado de Leonardo Péricles, um dos fundadores da sigla e atual presidente do partido.

9 - Rui Costa Pimenta (PCO), 68 anos, é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero. Iniciou sua militância política na juventude, integrando o movimento estudantil e sindical durante a ditadura militar. Filou-se ao Partido dos Trabalhadores em 1980, liderando a chamada Causa Operária, defendendo ideias mais radicais dentro da sigla. Ficou no PT até 1989, quando foi expulso por divergências com a cúpula do partido e Lula. Em 1995, fundou o Partido da Causa Operária, com a ajuda de outros correligionários. Rui Costa concorreu à presidência em 2002, 2006, 2010 e 2014, sem votações expressivas.

10 - Edmilson Silva (PCB) é formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e doutor em Economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com pós-doutorado no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da mesma instituição. Edmilson Silva, de 75 anos, é professor universitário e diretor de pesquisa e formação do Instituto Caio Prado (ICPJ). Concorreu à prefeitura de São Paulo em 2008 e chegou a concorrer à vice-presidência em 2010, na chapa com Ivan Pinheiro.

11 - Cabo Daciolo (Mobiliza) tem 50 anos e é militar do Corpo de Bombeiros. Construiu carreira no Rio de Janeiro e ganhou notoriedade ao liderar uma greve da classe em 2011. Benevenuto Daciolo Fonseca dos Santos chegou a ser expulso da corporação, mas foi posteriormente anistiado. Foi deputado federal pelo Rio de Janeiro de 2015 a 2019, eleito filiado ao PSOL. Depois migrou entre diversos partidos, e disputou em 2018, pelo Patriota, a Presidência da República. Para esta eleição, filiou-se ao partido Mobiliza, antigo Mobilização Nacional (PMN).
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