Terça-Feira, 17 de março de 2026

Postado às 09h15 | 17 Mar 2026 | redação Mossoró terá novo prefeito a partir do dia 1º de abril, com renúncia de Allyson Bezerra

O atual vice-prefeito, Marcos Bezerra (PSD), será convertido a prefeito com a renúncia do titular do cargo, Allyson Bezerra (União Brasil), para ser candidato a governador do Rio Grande do Norte nas eleições de 4 de outubro. Allyson confirmou saída

Crédito da foto: Reprodução Vice-prefeito Marcos Bezerra assumirá cargo de prefeito no dia 1o de abril

Da Redação do Jornal de Fato

A partir do dia 1º de abril, Mossoró passará a ser administrada por Marcos Bezerra (PSD). O atual vice-prefeito será convertido a prefeito com a renúncia do titular do cargo, Allyson Bezerra (União Brasil), para ser candidato a governador do Rio Grande do Norte nas eleições de 4 de outubro.

Allyson se desincompatibilizará do cargo no dia 30 de março. Ele confirmou a data durante inauguração do Complexo Viário 15 de Março, no último domingo, 15. Quatro dias antes, o deputado federal João Maia, presidente estadual do PP e aliado do prefeito, havia antecipado o anúncio. Maia é um dos coordenadores do projeto eleitoral do prefeito de Mossoró.

“Eu lutei muito para chegar à Prefeitura de Mossoró. Dia de 30 março estarei concluindo essa minha missão. Marcos vai continuar tocando o barco e estou muito feliz de entregar o cargo de prefeito ao meu amigo-irmão”, discursou ao lado do futuro prefeito e de políticos aliados.

A confirmação do prefeito de que deixará cargo para ser candidato à sucessão estadual alivia a tensão de aliados políticos como a senadora Zenaide Maia (PSD) e João Maia, que dependem da candidatura de Allyson Bezerra para sustentarem os seus projetos eleitorais. É que a postulação de Allyson passou a ser dúvida depois que estourou a Operação Mederi, que desmantelou um esquema de desvio de recursos da saúde no âmbito da gestão municipal.

Segundo a Polícia Federal, Allyson Bezerra estaria no “topo” do grupo criminoso, e que teria sido beneficiando por 15% de propina dos pagamentos realizados pela Prefeitura à DisMed Distribuidora de Medicamentos, empresa investigada.

Além de Allyson, o vice-prefeito Marcos Bezerra também é investigado pela Polícia Federal, além da atual secretária de Saúde, Morgana Dantas, do ex-secretário de Saúde, Almir Mariano, entre outros servidores comissionados da Prefeitura de Mossoró. Pelo menos sete pessoas investigadas estão sendo monitoradas por tornozeleira eletrônica.

Allyson Bezerra nega envolvimento com o esquema criminoso, mesmo tendo sido alvo de busca e apreensão. Após a Polícia Federal ter cumprido os mandados em sua residência, o prefeito gravou vídeo para afirmar que estava tranquilo e que ele não era alvo da investigação. A fala de Allyson foi desmentida pela própria ação da PF, que apreendeu na sua residência um celular, dois HDs, computadores e outros objetos.

Dez dias após a Operação Mederi, Allyson Bezerra lançou a sua pré-candidatura a governador em Natal, com apoio do União Brasil, PP, PSD e o MDB do vice-governador dissidente Walter Alves. Depois daí, o prefeito pouco circulou, inclusive, decidiu pelo anonimato durante o Carnaval. O recuo aumentou a desconfiança de que ele não renunciaria ao cargo para enfrentar as consequências da Operação Mederi.

Essa desconfiança segue em alta nos bastidores da sucessão estadual, mas os apoiadores de Allyson Bezerra garantem que ele deixará o cargo no dia 30 de março para ser candidato a governador nas eleições de 4 de outubro.

Polícia Federal na casa do prefeito Allyson Bezerra no dia 27 de janeiro de 2026

Esquema montado para desviar dinheiro da saúde pública

27 de janeiro de 2026, antes do café da manhã, a Polícia Federal bateu à porta do duplex do prefeito Allyson Bezerra, no condomínio de luxo Ninho, localizado na zona leste de Mossoró. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos. Policiais federais e agentes da Controladoria-Geral da União (CGU) disseram ao prefeito que ele era um dos alvos da Operação Mederi.

Simultaneamente, a Polícia Federal e CGU cumpriram busca e apreensão nas casas da secretária municipal de Saúde, Morgana Dantas, e do ex-titular da pasta, Almir Mariano, além de ação na sede da DisMed Distribuidora de Medicamentos, empresa investigada. Outras cinco prefeituras da região Oeste foram alto: Tibau, Paraú, Areia Branca, José da Penha e São Miguel.

Segundo a decisão que autorizou a operação, assinada pelo desembargador federal Rogério Fialho, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, um sistema criminoso funcionou dentro da Prefeitura de Mossoró para desviar recursos da saúde por meio de licitações fraudulentas e a não entrega de medicamentos contratados. Os recursos desviados serviriam para pagamento de propina, sendo 15% para o prefeito Allyson e 10% para uma pessoa identificada como “Fátima”, e também para “caixa” de campanha eleitoral.

A Polícia Federal apurou que entre 2023 e 2025, a Prefeitura de Mossoró pagou quase R$ 5 milhões à DisMed. Escutas interceptadas pela PF revelam os sócios da DisMed detalhando como os recursos desviados seriam divididos. Em um dos áudios, um dos sócios narra que teve medo de guardar em casa R$ 2 milhões.

As investigações da Polícia Federal seguem com depoimentos das pessoas suspeitas e análise do material apreendido.

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