Senadora Zenaide Maia se negou a assinar requerimento para abertura da CPI do Master
Manchetinha: Documento teve assinatura dos outros dois senadores potiguares Rogério Marinho e Styvenson Valentim
Legenda: Senadora Zenaide Maia se negou a assinar requerimento para abertura da CPI do Master
Da Redação do Jornal de Fato
Dos três senadores do Rio Grande do Norte, apenas Zenaide Maia (PSD) não assinou o requerimento para abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do caso Master. Maia não justificou a sua decisão e tem evitado falar sobre o assunto. Já Rogério Marinho (PL) e Styvenson Valentim (PSDB) não só assinaram o documento, como se posicionaram de público a favor de ampla investigação do rumoroso caso.
O pedido de aberturada de CPI foi apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que protocolou o documento oficialmente junto ao Senado Federal. O objetivo é investigar as ligações dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), com o caso do Banco Master.
Styvenson Valentim, que será candidato à reeleição, assim como Zenaide Maia, questionou a parlamentar potiguar por não ter assinado o requerimento da CPI. Maia, que é uma das vice-líderes do governo Lula (PT) no Senado, seguiu orientação do Palácio do Planalto, embora no Rio Grande do Norte ela tenha rompido com o governo do PT da governadora Fátima Bezerra.
O senador Styvenson, que é aliado ao bolsonarismo no Rio Grande do Norte, defendeu uma investigação séria sobre o caso e que nenhum dos envolvidos deve ser blindado. Ele, em vídeo, afirmou que assinou o pedido de abertura da CPI porque é livre e não tem “conchavo com ninguém.”
Styvenson se referiu a Daniel Vorcaro como um “furacão”, além de dizer que os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 eram “fichinha” diante das revelações do caso do Banco Master.
Já Rogério Marinho, em nota oficial, classificou como “gravíssima” a revelação da suposta troca de mensagens entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, no dia 17 de novembro de 2025, conforme noticiado em primeira mão pelo jornalismo da Globo. A situação, segundo Marinho, exige resposta institucional imediata.
“O maior interessado no esclarecimento deveria ser o próprio ministro. Uma investigação séria e independente é essencial para preservar a credibilidade do STF. Cabe ao Procurador-Geral agir com a mesma rapidez demonstrada em outras ocasiões”, disse Rogério Marinho, que é o líder da oposição no Senado.
A leitura do pedido cabe ao presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP). Alessandro Vieira conseguiu a assinatura de 35 senadores para investigar Moraes e Toffoli – ultrapassando a exigência mínima regimental de 27 nomes para apresentar o requerimento da CPI. Na justificativa do requerimento, Vieira apontou que o caso do Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, preso novamente na segunda fase da Operação Compliance Zero, “revelou ao país uma complexa teia de irregularidades financeiras, cujos desdobramentos investigativos alcançaram o coração do Poder Judiciário Nacional”.
Para Alessandro Vieira, os fatos que emergiram a partir das investigações da Polícia Federal geraram “questionamentos de enorme gravidade sobre conduta” dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. O senador defendeu que as revelações “merecem — e exigem — a atenção investigativa do Parlamento”.
Dos 35 senadores que assinaram o requerimento da CPI, 11 são do PL, 6 do PP, 4 do Republicanos, 3 do PSDB, 3 do PSD, 2 do União Brasil, 2 do PSB, 2 do Podemos, 1 do Novo e 1 do MDB – o autor do pedido, Alessandro Vieira. Nenhum senador do PT assinou o requerimento da CPI.
Presidente do STF defende investigação: “doa a quem doer”
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, reuniu-se com o ministro André Mendonça, relator das investigações sobre as fraudes envolvendo o Banco Master. O encontro não estava na agenda de Fachin e aconteceu após Mendonça ter autorizado a terceira fase da Operação Compliance Zero e de o jornal O Globo revelar que Daniel Vorcaro mandou mensagens para o ministro Alexandre de Moraes no dia em que o banqueiro foi preso pela primeira vez, em novembro de 2025.
O presidente do Supremo também conversou com outros ministros sobre a crise. O assunto também já foi tratado por Fachin com o ministro Alexandre de Moraes, que é o vice-presidente da Corte.
Na última quarta-feira, 4, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, voltou a ser preso pela Polícia Federal em São Paulo na terceira fase da Operação Compliance Zero, uma investigação que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras. O banqueiro foi transferido na sexta-feira, 6, para o Penitenciária Federal de Brasília.
Nos bastidores, ministros do Supremo estão reclamando da postura da Polícia Federal na condução do caso Master e também há cobranças para que Fachin se posicione publicamente sobre as mensagens envolvendo Moraes.
O presidente do Supremo também se reuniu com a diretoria do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). No encontro, a investigação sobre o Banco Master também foi discutida. Fachin teria defendido as investigações e reiterou que tudo será investigado “doa a quem doer” para preservar a instituição STF.
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