Sexta-Feira, 06 de março de 2026

Postado às 09h15 | 13 Fev 2026 | redação Nomes de Walter começam a desembarcar do governo Fátima Bezerra

Crédito da foto: Reprodução Ex-prefeito de Apodi Alan Silveira saiu da Secretaria do Desenvolvimento Econômico

Da Redação do Jornal de Fato

O ex-prefeito de Apodi, Alan Silveira, entregou o cargo de secretário do Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Norte. A decisão oficializada nesta quinta-feira, 12, é consequência do rompimento político-administrativo do vice-governador Walter Alves, presidente estadual do MDB. Como foi indicado por Walter e, respeitando a posição do partido, Alan decidiu sair do governo.

No dia anterior, Sérgio Rodrigues, outro nome indicado por Walter, foi exonerado da presidência da Companhia de Água e Esgotos (CAERN). O MDB, até o fechamento dessa edição, ainda estava dentro do governo com Paulo Varela, secretário de Recursos Hídricos, e Luciano Santos, titular da Secretaria Extraordinária de Governo e Relações Institucionais (SEGRI).

A saída de Alan Silveira do governo acontece três semanas após Walter Alves oficializar o rompimento político com a governadora Fátima Bezerra (PT) e declarar apoio à pré-candidatura a governador de Allyson Bezerra (União Brasil), prefeito de Mossoró.

A princípio, o ex-prefeito de Apodi chegou a avaliar a possibilidade de continuar no governo, dada a sua boa convivência política e administrativa com Fátima Bezerra, que chama de amiga. Alan observou o cenário político de Apodi, onde o palanque do MDB com Allyson Bezerra será coordenado pelo deputado estadual Neilton Diógenes (PP), com quem tem dificuldade de relação. No entanto, o ex-prefeito decidiu respeitar a sua história no MDB e, como foi indicado por Walter Alves, considerou justo entregar o cargo.

Na carta endereçada a Fátima Bezerra, com pedido de exoneração, Alan Silveira destacou:

“Minha amiga Governadora Professora Fátima Bezerra, seguindo a orientação do meu partido, o MDB, que foi o que me indicou para o Governo do Estado, e para trabalhar outros projetos, venho comunicar à senhora que estou entregando hoje o cargo de secretário da Secretaria Estadual do Desenvolvimento Econômico, da Ciência Tecnologia e da Inovação. Encerro meu ciclo de 8 meses na SEDEC com o coração cheio de boas lembranças.”

E seguiu:

“Não é apenas um encerramento de contrato ou o fim de uma etapa profissional. É o fechamento de um ciclo repleto de aprendizados, desafios superados, conquistas compartilhadas e, principalmente, de convivência com pessoas incríveis, como a senhora.”

O ciclo de conquistas destacado por Alan Silveira contrasta com as críticas que Allyson Bezerra, apoiado pelo MDB, faz contra o governo Fátima Bezerra. Daí, em Apodi, comenta-se que o ex-prefeito terá dificuldade de seguir a orientação do partido para votar em Allyson. Também é dado como certo o seu apoio a Fátima Bezerra para o Senado Federal. Sobre isso, Alan Silveira ainda não se manifestou.

 

Substituto

A presidência da Caern tem novo titular. George Marques foi anunciado para substituir Sérgio Rodrigues. O novo presidente acumulará o posto com a função de diretor de Planejamento e Finanças da empresa.

Na Secretaria do Desenvolvimento Econômico, desocupada por Alan Silveira, não teve o nome do substituto anunciado pelo governo até o fechamento dessa edição.

 

Articulador político do governo diz que Walter Alves “foi desleal”

 

“Ele foi totalmente desleal.” A afirmação é de Raimundo Alves, secretário do Gabinete Civil do governo Fátima Bezerra (PT) e articulador político do governo, sobre a decisão do vice-governador Walter Alves (MDB) de se aliar à oposição. “Ele criou uma crise propositadamente”, afirmou durante entrevista ao programa “Tamo Junto”, da Rádio FM Universitária, em Natal.

Raimundo Alves considera que Walter tem o direito de ir para o palanque adversário, mas ressaltou que em política isso “é traição”. “Eu acho que se o Walter tivesse chegado pra gente e tivesse dito assim simplesmente: ‘eu não quero assumir, eu quero mudar o projeto, vamos discutir aqui como é que é a saída’, a gente teria encontrado uma saída. Ele teria sido candidato a deputado estadual da forma como ele queria, e a gente teria encontrado uma saída”, afirmou.

O secretário do Gabinete Civil também rechaçou um dos argumentos utilizados por Walter para não assumir o governo depois da renúncia de Fátima — o de que o Estado estaria em crise fiscal. “Isso, pra gente, é sair criando uma crise propositadamente. Foi preparada essa saída”, criticou.

Antes da fala de Raimundo Alves, a governadora Fátima havia falado sobre a decisão de Walter Alves pela primeira vez e também não escondeu a sua surpresa pela postura do vice-governador. Fátima ressaltou que a aliança PT/MDB estava mantida, inclusive, chancelada pela nacional dos partidos.

“Claro que o sentimento da direção nacional do PT evidentemente foi de muita decepção, porque não era o que estava pactuado, não era o que estava combinado. Obviamente, não era de maneira nenhuma. Cada um é responsável pelas escolhas que faz”, disse a governadora.

No café da manhã com jornalistas, em Natal, a governadora afirmou que Walter nunca havia dito que não assumiria o governo e que se surpreendeu com a atitude do vice-governador de ter se aliado ao prefeito de Mossoró e pré-candidato a governador, Allyson Bezerra (União Brasil), “que vive detonando o nosso governo”.

Fátima contou detalhes da relação política com Walter, afirmando que havia um alinhamento para o vice-governador assumir o governo e ser candidato à reeleição. O projeto foi discutido no plano nacional, com o presidente do MDB, Baleia Rossi, e tudo caminhava bem, até que Walter decidiu que assumiria o governo, mas não seria candidato à reeleição.

A partir daí, surgiu a pré-candidatura de Cadu Xavier, apoiada pelo próprio Walter. Só que, no fim de 2025, o vice-governador mudou de comportamento, iniciando afastamento do governo e acenando para a oposição. Em janeiro passado, Walter oficializou a saída da base governista e anunciou apoio a Allyson Bezerra.

No entendimento da governadora, Walter cometeu um “grande” equívoco, pois, segundo ela, havia toda uma estrutura política a seu favor. “Ele jogou fora a chance mais especial de ser eleito governador do Rio Grande do Norte”, disse.

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