Da Redação do Jornal de Fato
O MDB de Mossoró não vai seguir com a decisão do presidente estadual do partido, vice-governador dissidente Walter Alves, de apoiar a candidatura do prefeito Allyson Bezerra (União Brasil) a governador. Membros do partido não concordam com a gestão municipal e alguns fazem oposição ferrenha, não aceitando, agora, ser um aliado de ocasião.
É o caso do vereador Cabo Deyvison, que reagiu à aliança eleitoral entre Walter e Allyson. “Não temos a menor condição de apoiar Allyson; não vamos mudar o nosso discurso, a nossa forma de defender Mossoró”, afirmou em breve contato com o Jornal de Fato.
Único vereador do MDB eleito em 2024, Cabo Deyvison tem sido um ferrenho fiscalizador da gestão Allyson. No discurso no plenário da Câmara Municipal e no perfil das redes sociais, não faltam denúncias graves sobre supostas irregularidades no trato com o dinheiro público.
Recentemente, Cabo Deyvison apontou como “absurdo” um contrato no valor de mais de R$ 17 milhões que a Prefeitura firmou com uma cooperativa médica para prestação de serviços na Policlínica Médica de Mossoró, que o prefeito chama de “hospital”. Segundo o vereador, a empresa de prestações de serviços médicos que ganhou o contrato, a 3S Soluções, ganhou a licitação mesmo tendo ficando em último lugar na concorrência.
Também foi o mandato de Cabo Deyvison que denunciou suposto superfaturamento na decoração natalina de Mossoró, inclusive, provocando o Ministério Público para investigar o caso. Em entrevista ao Diário do RN e em reiterados discursos no plenário da Câmara Municipal, o vereador afirmou ter identificado indícios de corrupção em contratos firmados pela gestão do prefeito Allyson com destaque para a compra de Papai Noel de pelúcia e de tubos utilizados na estrutura dos enfeites. O superfaturamento chega a quase 800%, de acordo com os valores comparados pelo vereador.
Segundo o emedebista, os preços pagos pela Prefeitura estariam muito acima do mercado, com diferenças que, em apenas alguns itens analisados, já somariam quase R$ 150 mil. “Ao meu ver, há indícios graves de superfaturamento e, consequentemente, indícios de corrupção”, afirmou.
Diante de sua postura firme em fiscalizar o dinheiro público, com mandato de oposição à gestão municipal, Cabo Deyvison afirma que não seguirá com o MDB para o palanque de Allyson, assim como deixará o partido. “O mandato é do povo e o povo está com o que é certo, e o certo não é Allyson. Não vou seguir a linha do MDB”, declarou.
O vereador adiantou que vai buscar uma justa causa caso Walter Alves não o libere “na diplomacia”. “Existe motivo de justa causa para eu sair do partido, haja vista que eu vinha seguindo o partido e de repente eles mudaram de direção”, justificou. “Pedi a carta de anuência para sair, se Walter negar, eu vou solicitar a minha saída na Justiça Eleitoral”, adiantou.
MDB praticamente deixou de existir em Mossoró
Nas eleições de 2024, o MDB de Mossoró firmou aliança com o PSDB para disputar a sucessão municipal. O partido indicou a então vereadora Carmem Júlia para candidata a vice na chapa encabeçada pelo tucano Lawrence Amorim, ex-presidente da Câmara Municipal.
Além de respeitar a parceria política estadual entre o vice-governador Walter Alves, presidente do MDB, e Ezequiel Ferreira de Souza, presidente do PSDB, a aliança contou com apoio da Federação Brasil da Esperança, formada pelo PT, PCdoB e PV. A chapa foi a segunda colocada no pleito, mas manteve a coerência política.
Depois das eleições, com apenas um mandato conquistado, o do vereador Cabo Deyvison, o MDB praticamente desapareceu. O último presidente, ex-prefeito Fernando das Padarias, deixou a legenda e não foi substituído.
Atualmente, no segundo maior colégio eleitoral do Rio Grande do Norte, o MDB praticamente deixou de existir. Não tem presidente, não tem vice-presidente, nem representante legal. Sobrou apenas o mandato do vereador Cabo Deyvison, que está saindo do partido por não concordar com a aliança entre Walter Alves e o prefeito Allyson Bezerra.
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