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Postado às 09h00 | 31 Dez 2025 | redação Rio Grande do Norte caminha para ter eleição indireta para o Governo do Estado

Uma decisão parece definida: a governadora Fátima Bezerra e o vice-governador Walter Alves vão renunciar aos cargos em abril. Eles serão candidatos ao Senado e Assembleia Legislativa, respectivamente. E o presidente da Assembleia não quer o cargo

Crédito da foto: Sandro Menezes / Assecom RN Fátima Bezerra deixará a Governadoria no início de abril

Da Redação do Jornal de Fato

Ao fim da reunião entre a governadora Fátima Bezerra (PT) e o vice-governador Walter Alves (MDB), na tarde de segunda-feira, 29, uma decisão parece definida: os dois renunciarão aos cargos para disputar as eleições 2026. Fátima tentará voltar ao Senado Federal e Walter Alves, à Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte.

Se isso ocorrer, haverá eleição indireta para o cargo de governador do Estado em abril, isso porque o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira de Souza (PSDB), já avisou que não assumirá o governo porque será candidato à reeleição.

A decisão de Fátima havia sido anunciada no início deste ano, quando a governadora afirmou que seria candidata ao Senado para cumprir o projeto nacional do PT, a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por consequência, renunciaria ao cargo de governadora seis meses antes das eleições, para cumprir a legislação eleitoral.

Naquele momento, era dado como certo que o vice-governador assumiria o cargo de governador para um mandato de nove meses. O próprio Walter Alves, em várias entrevistas, afirmou que iria assumir o governo e que não seria candidato à reeleição para apoiar a candidatura a governador de Cadu Xavier (PT), atual secretário estadual da Fazenda.

Coube a Walter Alves promover a mudança de rota. As especulações de que ele havia desistido de assumir o governo ganharam força no mês de outubro. O motivo seria a situação financeira do Estado. Walter, inclusive, reuniu-se em Brasília com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, para expor a situação. Também conversou a sua posição com o ministro dos Transportes, Renan Filho, do MDB.

Já em dezembro, Walter Alves falou pela primeira vez sobre a possibilidade de não assumir o governo para ser candidato a deputado estadual. Ele não colocou como uma decisão tomada, ou posição irreversível, mas disse que se não assumir o cargo de governador tentará um mandato de deputado estadual.

 

Agendada

Na reunião com a governadora, Walter expôs a sua posição e disse que o seu projeto é ser candidato à Assembleia Legislativa, daí ficaria impossibilitado de assumir o governo. Walter também afirmou que pretende, se eleito deputado, disputar a presidência da ALRN, e que precisaria do apoio de Fátima e do PT.

Esse é um dos pontos de divergência entre a governadora e o vice-governador. Fátima queria que Walter assumisse o governo, como estava combinado no início do ano, justamente para fortalecer o projeto político entre PT e MDB iniciado nas eleições de 2022.

Diante do impasse, Walter Alves sugeriu que a discussão fosse transferida para as instâncias nacionais do PT e do MDB. Uma reunião entre as cúpulas dos dois partidos deve ocorrer em Brasília no dia 13 de janeiro.

Ao fim da reunião de segunda-feira, Fátima e Walter assinaram a seguinte nota:

“Reunidos na tarde dessa segunda-feira, 29 de dezembro, para avaliação política e administrativa do Rio Grande do Norte, concluímos, conjuntamente, que os interesses do Estado do Rio Grande do Norte sempre se imporão aos nossos legítimos projetos partidários ou pessoais, conforme aconteceu nas eleições de 2022.

Entendendo que a aliança que nos elegeu Governadora e Vice-Governador foi parte do projeto nacional, consolidado no governo do Presidente Lula e no nosso governo estadual, e em contato com dirigentes nacionais dos nossos partidos, comunicamos que as decisões quanto às questões das eleições de 2026 serão tomadas, ouvidas as instâncias nacionais do Partido dos Trabalhadores e do Movimento Democrático Brasileiro.

Walter tem desafio de formar nominata do MDB à Assembleia Legislativa

Com a decisão de não assumir o governo, o vice-governador Walter Alves terá um desafio maior para construir uma chapa forte do MDB à Assembleia Legislativa. É que deputados governistas, que estavam se transferindo para o partido presidido por Walter, decidiram recuar.

Um deles é o deputado estadual Dr. Bernardo Amorim, que desistiu do MDB para se filiar ao PV, por onde será candidato a deputado federal. Bernardo deixou a sua esposa Kaline Amorim filiada no MDB para ser candidata à Assembleia Legislativa, mas ela não tem a mesma densidade eleitoral.

Os deputados Ivanilson Oliveira e Ubaldo Fernandes, que haviam anunciado saída do União Brasil e do PSDB, respectivamente, para se filiarem ao MDB, também recuaram. Os dois parlamentares vão aguardar o desfecho da novela PT/MDB para decidirem sobre a nova filiação.

Quem também suspendeu temporariamente a decisão de trocar o PSDB pelo MDB foi o deputado estadual Kleber Rodrigues. Ele pretende ser candidato à presidência da Assembleia Legislativa, cargo desejado por Walter Alves, por isso, o parlamentar cogita outro rumo partidário.

Com essa dispersão, Walter Alves terá um desafio maior de atrair novos postulantes ao MDB no sentido de formar uma nominata competitiva à Assembleia Legislativa.

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