Líder do maior partido no estado, Walter não quer tomar a decisão sozinho. Ele decidiu ouvir os mais de 40 prefeitos do MDB e lideranças regionais. A opinião dos gestores municipais tem relevância, uma vez que são eles que dão sustentação ao partido
Vice-governador Walter Alves
Da Redação do Jornal de Fato
“Ainda não decidimos.” A fala, curta, é do vice-governador Walter Alves (MDB) sobre a possibilidade – ou não – de assumir o Governo do Rio Grande do Norte em abril de 2026, quando a governadora Fátima Bezerra (PT) precisa se desincompatibilizar do cargo para ser candidata ao Senado nas próximas eleições.
De fato, Walter ainda não tem a certeza do que fazer. Nos bastidores do poder, ele tem dito que não é uma decisão fácil e que só resolverá quando tiver um quadro mais nítido do cenário administrativo e político.
Líder do maior partido no estado, Walter Alves não quer tomar a decisão sozinho. Ele decidiu ouvir os mais de 40 prefeitos do MDB e lideranças regionais. A opinião dos gestores municipais tem relevância, uma vez que são eles que dão sustentação ao partido em todas as regiões do Rio Grande do Norte.
Um dos pontos que o vice-governador levará em conta é a necessidade de os prefeitos do MDB terem uma parceria mais efetiva com o Estado, o que será possível se ele assumir o governo. No entanto, os próprios gestores municipais também estão olhando para o projeto do partido nas eleições de 2026, que é justamente aumentar a sua participação na Assembleia Legislativa e, se possível, eleger representantes à Câmara dos Deputados.
Centro
Nos últimos dias, ganhou força a versão de que Walter Alves não assumiria o governo porque teme a saúde fiscal do Estado. O mandato “tampão” de nove meses poderia ser ruim para o currículo político, caso não tenha as condições ideais para realizar ações positivas e de cumprir deveres básicos como manter em dia o pagamento da folha salarial.
O governo reagiu à versão de que a situação financeira é “terra arrasada”. O secretário da Fazenda e pré-candidato a governador, Cadu Xavier (PT), concedeu entrevista essa semana para afirmar que não há um desequilíbrio nas contas do estado a ponto de atrasar salário ou inviabilizar o governo. No entanto, admitiu que as contas públicas serão um grande desafio ao próximo gestor do RN.
Walter Alves colocou mais ingrediente no caldeirão das especulações ao afirmar, de público, que a sua posição política para as eleições 2026 não será de esquerda nem de direita, mas, sim, de centro: “Se eu pudesse escolher, hoje, Ezequiel Ferreira (presidente da Assembleia Legislativa), eu ficava sabe aonde? No centro. Nem esquerda, nem direita. A gente é centro.”
Essa afirmação não foi bem recebida na Governadoria, sede do Governo do Estado, onde a ideologia de esquerda está encravada na vida pública da governadora Fátima Bezerra. A fala de Walter foi vista como um recado, uma vez que até agora não foi estabelecido um diálogo para definir o rumo político do projeto vitorioso nas eleições de 2022.
O discurso de Walter ocorreu no púlpito da Assembleia Legislativa, onde ele tem parceria política com o presidente da Casa. Os dois tomaram decisão conjunta em 2022 e decidiram somar à reeleição de Fátima Bezerra. Para 2026, a dupla fará o mesmo, só não sabe ainda se ficará com o governo ou buscará uma outra via que possa sustentar o novo projeto político.
Allyson poderá ser candidato dos Maia e Alves
Ao afirmar que “Nem esquerda, nem direita. A gente é centro”, o vice-governador Walter Alves alimenta as especulações em torno de uma eventual aliança político-eleitoral com o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), que é pré-candidato a governador. Allyson tem se colocado em via alternativa na corrida ao Governo do RN, exatamente no centro, com os lados ocupados pelos pré-candidatos da esquerda, Cadu Xavier (PT), e direita, senador Rogério Marinho (PL).
Walter não se posicionou de público sobre alianças para as eleições 2026, mas deixou claro que se depender dele o MDB se posicionará numa via de centro. Ele tem reforçado apenas o discurso de que o projeto do partido é eleger o maior número de deputados estaduais e de representantes à Câmara dos Deputados.
Já Allyson Bezerra abriu a porta para receber Walter Alves, mas com uma condição: que o vice-governador pule do governo para a oposição. Essa exigência é vista como desconfortável para Walter, que é parceiro da governadora Fátima Bezerra desde 2022, já assumiu o governo por quase uma dezena de vezes e que é parte da administração estadual. Fazer a travessia para a oposição à porta das eleições não seria positivo para a imagem do vice-governador.
Allyson Bezerra é pré-candidato a governador com apoio do líder do União Brasil no RN, ex-senador José Agripino Maia, e do presidente estadual do Progressistas, deputado federal João Maia. Tem também o apoio do PSD, presidido no estado pela senadora Zenaide Maia, que é vice-líder do governo do PT no Senado. Se ocorrer a aliança com o vice-governador Walter, o prefeito de Mossoró seria o candidato dos Alves e Maia ao Governo do RN.
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