Secretário Cadu Xavier: “Não faz sentido nenhum, no último ano, a gente aumentar a folha em 40%”
Da Redação do Jornal de Fato
A folha de servidores do Estado do Rio Grande do Norte deve aumentar entre 7% a 8% no exercício financeiro de 2026. Nesta quarta-feira, 10, o secretário estadual da Fazenda, Carlos Eduardo Xavier, o Cadu Xavier, negou que o impacto seria de 40%, conforme divulgou setores da oposição ao governo Fátima Bezerra (PT).
Entrevistado pela Jovem Pan News, de Natal, disse que faz questão de negar a informação de que a folha subiria 40% justamente para restabelecer a verdade e evitar que a notícia falsa seja explorada politicamente, uma vez que 2026 é ano eleitoral.
“Faço questão de negar essa informação. Não faz sentido nenhum, no último ano, a gente aumentar a folha em 40%. A folha vai aumentar em 2026 em torno de 7% a 8%”, afirmou.
Cadu Xavier, que é pré-candidato a governador pelo PT, disse que o aumento estimado decorre da política salarial anual e de acordos já firmados com categorias específicas.
“Existe a recomposição através da Política Salarial dos Servidores, que vai dar em torno do IPCA, 4%. E também tem a negociação com algumas categorias. E tem essa outra recomposição para os servidores da segurança e da saúde”, explicou.
O secretário observou que o piso do magistério, que é assegurado por lei e será definido no início de janeiro, pode acrescentar de 3% a 4,5%.
Cadu voltou a atribuir parte da pressão sobre as contas estaduais aos aumentos considerados expressivos do piso nacional do magistério em 2022 e 2023. “Em 2022 a gente teve 33%, e em 2023, 15%. Esses dois percentuais saíram da curva. Isso se tornou, não tem como negar, é a maior categoria do Estado, se tornou um problema fiscal.
O piso é uma lei, a gente tem que cumprir a lei”, disse ao justificar os reajustes concedidos ao magistério.
Os reajustes incidiram sobre uma categoria com cerca de 40 mil profissionais entre ativos e aposentados. “Passou naquele momento ali de 50% de incremento na folha, isso gerou um grande impacto na situação fiscal do Estado”, explicou.
Outro ponto abordado pelo secretário foi o comprometimento da receita corrente líquida com pessoal ao longo dos últimos anos. Ele citou que o Estado chegou a 53% em julho de 2022, após reduções de alíquotas de ICMS definidas pelo Congresso, mas voltou a subir depois disso. “Chegamos a 58% e hoje a gente volta numa trajetória de queda com um comprometimento de 55%”, revelou.
Walter Alves tem reservas para assumir o governo em 2026
O secretário Cadu Xavier trouxe a público as contas públicas do estado não apenas para reforçar o discurso da transparência, mas também com um propósito político. Nos últimos dias ganhou força a versão de que o vice-governador Walter Alves (MDB) não estaria disposto a assumir o governo em abril de 2026, para a governadora Fátima Bezerra (PT) ser candidata ao Senado, por temer a situação financeira do estado.
Na entrevista desta quarta-feira, 10, o titular da Fazenda revelou números importantes que, segundo ele, comprovam que o governo trabalha para garantir o equilíbrio fiscal.
Segundo Cadu, o Governo do Estado deve encerrar 2025 com, aproximadamente, R$ 1,5 bilhão em restos a pagar e outro valor semelhante referente ao déficit previdenciário.
Cadu entende que parte das interpretações recentes sobre a situação fiscal do Estado se deve ao novo orçamento enviado à Assembleia Legislativa. “O orçamento que a gente trouxe de volta, o conceito de orçamento deficitário, a gente agora em 2025, na PLOA de 2026, a gente encerra o déficit previdenciário. Por isso que gerou várias interpretações, a meu ponto de vista, equivocadas”, disse.
O déficit fiscal permanece registrado no documento, garantiu Cadu: “O déficit está lá, R$ 1,1 bilhão. Restos a pagar, acho que está em torno de um R$ 1,5 bilhão, de 2025 para 2026 a gente deve deixar isso. E o déficit está posto lá, por causa da Previdência, em torno de um R$ 1,5 bilhão também”.
Para a governadora Fátima ser candidata nas eleições 2026, ela precisará se desincompatibilizar do cargo até 3 de abril, seis meses antes das eleições, conforme previsto em lei. Para cumprir esse prazo, Fátima precisará que o vice-governador Walter Alves aceite assumir o governo a partir de abril. Até agora, Walter não se posicionou de público sobre o assunto.
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