Presidente estadual do PT, em entrevista ao Cafezinho com César Santos, afirma que o campo progressista está consolidando a candidatura de Cadu Xavier ao Governo do Estado. Samanda Alves também confirma que disputará um mandato de deputada federal
Vereadora Samanda Alves, presidente estadual do PT, no Cafezinho com César Santos
Mossoró terá uma filha da terra na disputa à Câmara dos Deputados nas eleições 2026. Samanda Alves (PT), vereadora em Natal, confirma que vai buscar o voto para mudar o seu status político de vereadora para deputada, mas, acima de tudo, tornar-se uma legítima representante da segunda maior cidade do Rio Grande do Norte na Câmara Federal.
Samanda saiu de Mossoró ainda jovem, aos 20 anos, para estudar e fazer carreira na capital do estado. Com êxito. Ela foi assessora pessoal da governadora Fátima Bezerra (PT) por mais de 20 anos, acumulou funções e cargos importantes como secretária-adjunta do Gabinete Civil do Governo do Rio Grande do Norte, subsecretária do Trabalho, Emprego e Renda, coordenando o SINE/RN, e também ocupou cargo no Ministério de Direitos Humanos da Presidência da República, durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
Em 2022, concorreu à sua primeira eleição ficando na primeira suplência de deputada federal, com 31.240 votos. Dois anos depois, em 2024, foi eleita vereadora com 5.189 votos, a 15ª mais votada entre os 29 vereadores eleitos de Natal.
O projeto eleitoral de Samanda se soma à pré-candidatura da vereadora Marleide Cunha (PT), que também propõe ser a representante de Mossoró em Brasília. O fato de ser do mesmo partido e, teoricamente, concorrentes, não afeta a relação política entre ambas.
“A companheira Marleide é um grande nome e merece ser eleita. Ela nos comunicou sobre a pré-candidatura à deputada federal e nós desejamos boa sorte”, disse Samanda nesta entrevista ao Cafezinho com César Santos.
Foi uma conserva longa sobre a nova fase do PT, que tem a presidência estadual conduzida em conjunto por Samanda Alves e a deputada estadual Isolda Dantas, sobre a sucessão estadual e o projeto do PT de aumentar o número de mandatos na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa. Samanda confirma que Cadu Xavier (PT) tem a pré-candidatura a governador consolidada pelos partidos do campo progressista, mas admite que é preciso trabalhar mais para ele se tornar conhecido em todo o Rio Grande do Norte e aumentar as suas chances de vitória nas eleições 2026. Confira a entrevista:

A sua eleição e da deputada Isolda Dantas à presidência do PT do Rio Grande do Norte teve, como um dos pontos de sustentação, a valorização do partido nos municípios. Seria o PT mais interior, menos capital. Essa proposta está em curso?
Nós já começamos a promover esse processo quando transformamos cinco vagas na Executiva, que eram de vogais, ou seja, não tinham funções determinadas, e transformamos em cinco vice-presidências regionais. Para além disso, nós começamos a lançar o nosso manifesto com vista às eleições 2026 pelo interior, com grande evento em Mossoró. São oito partidos do campo progressista, que estão construindo as pré-candidaturas para as próximas eleições, e participaram dessa mobilização. Então, o que foi dito durante o processo de reformulação do comando do partido, nós estamos cumprindo.
Menos capital, mais interior. Essa mudança enfrenta resistência dentro do partido?
Nenhuma. Inclusive, com a renovação de todo o diretório, nós temos mais de 50% de membros de novos diretórios residindo e atuando no interior do estado. Então, não houve qualquer tipo de resistência e temos total apoio do partido.
Os diretórios municipais reclamavam com frequência a estrutura tímida que eles tinham no interior, enquanto as ações eram voltadas para o partido em Natal. Como é que a senhora e a deputada Isolda Dantas vão modificar esse cenário?
Nós estamos convocando uma reunião do diretório estadual, que será realizada no próximo mês, para a gente discutir e definir um planejamento. Vamos reunir os deputados do partido, prefeitos, vice-prefeitos e vereadores justamente para que todos participem desse planejamento para o primeiro semestre de 2026. Vamos fazer isso de forma coletiva, com a presença maciça dos diretórios do interior para que cada um participe diretamente das decisões do partido no Rio Grande do Norte.

Há uma versão de que o PT do Rio Grande do Norte vai priorizar a eleição da governadora Fátima Bezerra ao Senado e a reeleição do presidente Lula. Essa prioridade não reduz a importância de o partido tentar manter o poder estadual nas próximas eleições?
Nós temos essa grande prioridade de lutar pela renovação do mandato do presidente Lula, cujo processo é liderado pelo Diretório Nacional. Aqui no Rio Grande do Norte nós temos a pré-candidatura da governadora Fátima ao Senado, mas também temos uma tarefa importante de dar continuidade ao legado do governo da professora Fátima. Nós lançamos o nome de Cadu Xavier (atual secretário da Fazenda estadual) para o Governo do Estado e entendemos como importante consolidar essa pré-candidatura até para fortalecer a sustentação do governo do presidente Lula. O nosso partido está muito convicto do que tem que ser feito nas próximas eleições. Vamos, sim, lutar para devolver a governadora Fátima para o Senado. Ela foi eleita (em 2014) para um mandato de oito anos, mas aceitou abrir mão de quatro anos para assumir o governo e trabalhar para tirar o Rio Grande do Norte das péssimas condições em que se encontrava. Eram quatro folhas salariais atrasadas, servidores sofrendo, e o estado vivendo uma crise profunda na segurança pública. O nosso estado era considerado o mais violento do Brasil. A governadora Fátima mudou essa realidade. Salários em dia, investimentos na segurança pública, estado mais seguro, e obras estruturantes acontecendo. Então, vamos lutar para que esse legado possa ter continuidade com Cadu Xavier.
Quanto à disputa proporcional, para Câmara e Assembleia Legislativa, como o PT está priorizando esse processo que também é importante para dar sustentação à disputa majoritária?
O campo progressista do Rio Grande do Norte vai lutar para ampliar a nossa bancada na Câmara dos Deputados e aumentar o número de mandatos na Assembleia Legislativa. O PT vem em uma crescente. De um deputado federal subimos para dois nas últimas eleições e agora acreditamos ser possível a nossa federação (PT, PcdoB e PV) eleger três federais. É importante para o governo do presidente Lula que ampliemos a nossa bancada na Câmara. Dos oito parlamentares do nosso estado, apenas dois (Fernando Mineiro e Natália Bonavides, ambos do PT) estão alinhados com o presidente Lula. Vamos ainda priorizar a Assembleia Legislativa, onde o PT também está numa crescente. Saímos de um deputado estadual para três na legislatura atual. Acreditamos ser possível aumentar a nossa bancada nas eleições do próximo ano. Vamos construir uma nominata forte justamente para alcançar esse objetivo.

A pré-candidatura a governador de Cadu Xavier não aparece em boa situação nas pesquisas de intenção de votos, sempre na terceira ou quarta colocação. Cadu precisa viabilizar o nome para consolidar a candidatura ou o PT entende que ele precisa ser competitivo para ter a candidatura confirmada na convenção do partido?
O nome de Cadu está colocado. A gente não questiona as pesquisas, mas temos uma leitura bem clara sobre a candidatura de Cadu. A gente sabe que é preciso fortalecer o nome, no entanto, ele nunca foi candidato a cargo eletivo e ainda não é conhecido em todo o estado. Precisamos ressaltar a sua atitude de aceitar participar pela primeira vez de um projeto político. O que eu posso afirmar é que os partidos do campo progressista, que chamamos do time Lula, estão com Cadu. Quanto às pesquisas, elas não dizem muita coisa nesse momento que estamos a um ano das eleições. Temos exemplo, inclusive, das eleições passadas em Natal, em que nomes que apareciam bem nas pesquisas sequer conseguiram passar para o segundo turno. Mas sabemos que precisamos fortalecer mais o nome de Cadu e fazer com que todos saibam que Cadu é o candidato de Lula no Rio Grande do Norte.
Mas Cadu será mesmo candidato, isso é ponto inquestionável ou a candidatura dele dependerá do desempenho na hora da definição?
Existiria uma candidatura natural que era de Walter Alves, atual vice-governador que será governador a partir de abril do próximo ano. No entanto, a partir do momento que Walter decide não ser candidato, inclusive, pediu para que todos os institutos retirassem o nome dele das pesquisas, ele deixa claro que não deseja essa candidatura. Então, o nosso campo político, os partidos do campo progressista decidiram lançar Cadu Xavier ao governo. Portanto, não existe outro nome que não seja o de Cadu Xavier. Vamos seguir trabalhando para consolidar a sua candidatura para dar continuidade ao legado da governadora Fátima, com apoio do nosso presidente Lula.
A senhora num intervalo de dois anos foi suplente de deputado federal e se elegeu vereadora em Natal. Essa boa aceitação nas urnas é o estimulo para a senhora tentar um mandato à Câmara dos Deputados nas eleições 2026?
O estímulo maior é a necessidade que a gente tem de ter uma bancada forte que ajude ao nosso presidente Lula. Eu nunca tinha sido candidata na minha vida até disputar as eleições de 2022, quando fiquei na primeira suplência e só não fui eleita porque a nossa votação não alcançou os 20% do quociente eleitoral. No entanto, a nossa votação em 2022, com mais de 31 mil votos, nos ajudou a chegar à Câmara de Natal nas eleições de 2024. Agora, mais uma vez, o projeto nacional nos chama a colocar o nome mais uma vez à Câmara. Estamos prontas para esse novo desafio.

A senhora é mossoroense, embora a sua carreira política tenha sido construída a partir de Natal. E em Mossoró tem a pré-candidatura à deputada federal da vereadora Marleide Cunha, a sua companheira de partido. Como a senhora pensa a sua campanha pelo voto dentro do segundo maior colégio eleitoral do estado?
A vereadora Marleide é uma companheira muito importante dentro do nosso partido. Ela apresentou a sua pré-candidatura à Câmara e, na condição de presidenta do PT no nosso estado, eu a cumprimentei e disse que é uma pré-candidatura muito bem-vinda. Nós incentivamos a candidatura dela e eu até brinquei dizendo que nós vamos dividir o argumento de que seremos as candidatas de Mossoró do presidente Lula. Eu nasci em Mossoró, meus pais moram em Mossoró, a minha juventude toda foi em Mossoró, estudei e me alfabetizei na minha cidade natal, então, tenho toda uma história com a cidade. Entendemos que as nossas pré-candidaturas, a minha e a de Marleide, chegam num momento importante porque Mossoró, depois de sete décadas, deixou de ter representante legítimo na Câmara dos Deputados. Perder representatividade política é muito ruim para a cidade. Veja que essa semana a bancada federal se reuniu para discutir a distribuição das emendas coletivas do orçamento da União 2026 e a classe política de Mossoró não estava presente. São quase 1 bilhão de reais em emendas e Mossoró ficou ausente. Isso custa muito caro para a cidade. Então, eu coloco o meu nome à disposição da cidade, assim como a nossa companheira Marleide.
A pré-candidatura de Cadu Xavier representa o chamado campo progressista, enquanto o senador Rogério Marinho, também pré-candidato a governador, sustentará o discurso da direita. Já o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, que pretende disputar o governo, não assume posição. A senhora acha que haverá uma polarização entre esquerda X direita, Cadu X Rogério?
Na política não existe espaço para quem não se posiciona. O caso do prefeito de Mossoró, como ele é gestor, naturalmente ele se posiciona conforme o perfil do seu próprio governo. Veja, por exemplo, o trato dele com o servidor público. É um trato de governo da direita. Então, Allyson mesmo que não queira assumir que é de direita, que usa um chapeuzinho de couro para tentar disfarçar, ele cumpre um mandato com perfil da direita. Veja que o partido que ele é filiado (União Brasil) acabou de sair da base do governo do presidente Lula para se aliar aos adversários de Lula. O importante é que o campo progressista tem uma pré-candidatura colocada, que é de Cadu Xavier, assume a sua identidade e defende as pautas progressistas. Enquanto isso, a extrema direita está desorganizada, dividida com as pré-candidaturas de Allyson e de Rogério Marinho, e não conseguem construir um palanque único.
Quando chegar a campanha eleitoral, que os palanques estiverem formados, o debate de Cadu Xavier será com Rogério Marinho, que assume a sua identidade de direita, fará com que Allyson Bezerra fique à margem?
Nas últimas eleições, o debate tem sido nacionalizado. Acreditamos que isso vai se repetir nas eleições de 2026. Na disputa para o Senado em 2022, no Rio Grande do Norte, tivemos um exemplo disso. Candidatura que era vista como forte, acabou vendo um candidato da direita eleito. Nas eleições de 2024 em Natal aconteceu o mesmo, quem não se posicionou como direita ou esquerda, não conseguiu ir nem para o segundo turno. Carlos Eduardo era tido como o prefeito de férias e não passou para o segundo turno. Isso vai se repetir no plano estadual nas eleições do próximo ano. Vai ser o time de Lula contra o time da direita. Não vai ter espaço para quem não se posiciona.
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