Prefeito Allyson Bezerra
Da Redação do Jornal de Fato
O prefeito de Mossoró e pré-candidato a governador, Allyson Bezerra (União Brasil), ignorou a reunião da bancada federal do Rio Grande do Norte que começou a receber propostas de emendas coletivas ao Orçamento Geral da União (OGU) de 2026. Além de não atender à convocação da bancada de deputados e senadores, o prefeito também não mandou representantes.
A bancada potiguar terá direito a R$ 959,8 milhões em Projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) da União para 2026, que está em discussão na Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO) e com previsão de votação em dezembro no Congresso Nacional”.
A ausência de Mossoró só não foi total porque a reitora Cicília Maia, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), e o reitor Rodrigo Codes, da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), fizeram-se presentes para defender pleitos das duas instituições de ensino superior, sediadas na cidade.
A ausência da classe política de Mossoró em momento importante é consequência da falta de representatividade da segunda maior cidade potiguar. Desde as eleições de 2022, quando Mossoró não elegeu nenhum representante legítimo que a cidade tem pouca participação no “bolo” das emendas coletivas, e se limita a receber recursos de emendas individuais, mesmo assim, de pouco volume financeiro que servem apenas para ações pontuais.
Quando o chefe do Executivo ignora a reunião de bancada, a cidade perde a oportunidade de defender projetos estruturantes em áreas como saúde, educação e infraestrutura. Natal, por exemplo, que foi representada pela vice-prefeita Joana Guerra, apresentou demandas importantes como a liberação de R$ 110 milhões para a segunda etapa do Hospital Municipal e recursos para obras de drenagem e mobilidade urbana.
A vice-prefeita disse que a conclusão do hospital é essencial para fortalecer a rede de saúde pública na região metropolitana. “Embora seja um hospital municipal, o equipamento tem repercussão em toda a região porque ele diminui a demanda nos outros hospitais. E ele está com a sua primeira etapa executada, falta avançar para a segunda etapa”, justificou.
Ufersa
O reitor Rodrigo Codes ocupou a lacuna deixada pela ausência de Allyson Bezerra e apresentou pleito para a Ufersa como legítimo representante de Mossoró. Ele destacou a prioridade para o complexo de saúde, incluindo investimentos em infraestrutura que viabilize a chegada dos novos cursos de Psicologia, já aprovado pelo Ministério da Educação, e ainda os cursos de Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional, bem como a concretização de um Hospital Universitário.
O reitor explicou em sua fala que a proposta perpassa por cinco eixos de forte potencial para a Região Oeste. “Essa reunião é uma oportunidade para colocarmos à mesa, democraticamente, todas as nossas necessidades. O complexo de saúde da Ufersa é uma necessidade que atende eixos como educação, saúde pública, economia, ciência, pesquisa e inovação e ainda fortalece a integração institucional entre as universidades, Governo do Estado e prefeituras”, defende Codes.
A reunião, realizada no hotel Barreira Roxa, em Natal, foi conduzida pelo coordenador da bancada federal do RN, deputado Robson Faria (PP), que ressaltou a necessidade de ouvir os órgãos para definição das emendas. “Essa é uma oportunidade para ouvirmos as demandas da sociedade, aqui representada pelas entidades do nosso Estado, de modo que possamos atender as necessidades do nosso povo a partir de uma escuta democrática”.
Governo apresenta propostas que somam R$ 179 milhões
O Governo do Estado apresentou as propostas de emendas coletivas ao Orçamento Geral da União (OGU) de 2026, que totalizam R$ 179,1 milhões e contempla projetos estratégicos voltados para o desenvolvimento econômico e social do Estado, com foco nas áreas de infraestrutura rodoviária e hídrica.
A prioridade apresentada é a conclusão da Estrada da Produção, eixo rodoviário que interliga os municípios de São Tomé, Cerro Corá, Lagoa Nova e Tenente Laurentino Cruz, conectando as regiões do Agreste, Trairi e Seridó.
Considerada fundamental para o escoamento da fruticultura irrigada, da agropecuária e da cerâmica vermelha, a estrada é vista como um corredor logístico essencial para o fortalecimento das cadeias produtivas, o turismo regional e o desenvolvimento sustentável da Serra de Santana.
As propostas somam R$ 83 milhões, sendo R$ 18 milhões destinados à conclusão do trecho São Tomé–Cerro Corá (RN-203) e R$ 65 milhões para finalizar o segmento Lagoa Nova–Tenente Laurentino Cruz (RN-087), totalizando 38 quilômetros de pavimentação.
A segunda frente de prioridades se concentra na infraestrutura hídrica, com investimentos estimados em R$ 96,1 milhões. Os projetos visam ampliar o acesso à água potável, mitigar os efeitos da estiagem e fortalecer a resiliência hídrica das regiões mais vulneráveis do semiárido potiguar.
Entre as ações propostas estão R$ 20,38 milhões para perfuração e instalação de poços tubulares, R$ 21,5 milhões para implantação e requalificação de sistemas de dessalinização por osmose reversa, R$ 26,5 milhões para execução da primeira etapa do Projeto Seridó Sul — beneficiando municípios como Caicó, Jardim do Seridó, Parelhas e São João do Sabugi — e R$ 27,75 milhões para implantação da primeira etapa do trecho 3N (Serra de Santana) do Projeto Seridó Norte, atendendo Tenente Laurentino Cruz, Lagoa Nova, Bodó e Cerro Corá.
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