Jorge do Rosário assume hoje a presidência do PL de Mossoró
Da Redação do Jornal de Fato
A posse do empresário e político Jorge do Rosário na presidência do Partido Liberal (PL) de Mossoró nesta sexta-feira, 10, não será um ato protocolar. Ele está encarando como o ponto de partida de um projeto que visa estabelecer um novo movimento político a partir de Mossoró, a “capital” da região Oeste e a segunda maior do Rio Grande do Norte.
A forma como o evento foi preparado mostra o propósito que Jorge e o PL pretendem consolidar. A solenidade de posse, no auditório do Villa Oeste, às 19h, contará com a presença do líder da oposição ao governo Lula (PL) no Senado Federal, senador Rogério Marinho, que traz na comitiva deputados federais, estaduais, prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e lideranças regionais.
Jorge do Rosário sabe exatamente o que ele pretende construir a partir de sua liderança no PL. Em recente entrevista ao “Cafezinho com César Santos”, publicada no Jornal de Fato, ele disse que o partido pode liderar uma nova oposição em Mossoró, a partir da apresentação de um projeto que possa agregar todos os segmentos da sociedade.
A visão de Jorge é clareada pelo fato de a atual gestão municipal não ter uma oposição organizada e forte. Essa lacuna está aberta desde que o grupo da ex-prefeita Rosalba Ciarlini se distanciou da atividade política, logo após perder as eleições municipais de 2020. O prefeito Allyson Bezerra (União Brasil), que é pré-candidato a governador, está governando praticamente sem ser questionado.
É possível que esse movimento chegue forte na sucessão municipal de 2028, no entanto, vai ser testado antes, nas eleições estaduais de 2026. Jorge do Rosário é pré-candidato a deputado estadual e será o principal apoiador em Mossoró da candidatura de Rogério Marinho a governador do Rio Grande do Norte.
“Nosso objetivo é unir, fortalecer e ampliar a presença do PL em Mossoró e na região. O partido tem um papel fundamental no cenário estadual e nacional, e queremos construir juntos um projeto sólido, comprometido com o desenvolvimento e com os valores que defendemos”, afirma.
Rogério Marinho, responsável direto pelo retorno de Jorge do Rosário ao PL, destaca o novo momento do partido em Mossoró e a importância da chegada de Jorge à presidência municipal. “Jorge é um amigo querido, alguém com quem tenho caminhado ao longo da vida pública. É uma pessoa bem-intencionada, que comunga dos mesmos valores que nós defendemos, e que é muito bem-vindo ao nosso Partido Liberal.”
Segundo Marinho, Jorge do Rosário vai comandar o processo de recomposição do partido na cidade de Mossoró ao lado de outros nomes que ele considera importantes, como o vereador Jailson Nogueira, que assumirá a vice-presidência do Diretório Municipal.
“Temos uma missão importante, porque Mossoró é a capital do Oeste do RN, e essa missão é fazermos deputados estaduais, federais, termos uma bancada eficiente e elegermos senadores e o próximo presidente da República”, reforça o senador.
Nova comissão municipal do PL em Mossoró
- Jorge do Rosário – Presidente
- Vereador Jailson Nogueira – Vice-presidente
- Vereador Mazinho do Saci – Secretário
- Genivan Vale, Stênio Max e Nayara Gadelha – Vogais
ENTREVISTA

“Nosso projeto não é apenas para uma disputa eleitoral, ele vai além disso”
Em entrevista ao “Cafezinho com César Santos”, em setembro, Jorge do Rosário afirmou que o projeto do PL de Mossoró vai além das eleições 2026. Ele deixou clara a vontade de o partido assumir uma nova via na política local para, provavelmente, disputar a Prefeitura em 2028. Na entrevista, outros temas importantes foram abordados. Confira alguns trechos:
O senhor vai para a terceira disputa à Assembleia Legislativa. Nas duas vezes anteriores, em 2018 e 2022, apesar da boa votação, não se elegeu em razão da legenda. Para 2026, qual a garantia que o senhor tem do PL para ter uma nominata capaz de viabilizar a sua eleição?
O PL está formando um grupo muito forte para as eleições de 2026. Nós estamos confiantes de que será possível formar uma nominata capaz de eleger um bom número de deputados estaduais. Nas vezes anteriores que fui candidato a deputado estadual, recebi boas votações, e sempre estive entre os 24 mais votados, que é justamente o número de vagas na Assembleia Legislativa, mas em razão das regras eleitorais, acabei não me elegendo. Eu tive votação de deputado, só não consegui o mandato. Acredito que agora será diferente. Temos um partido grande, forte, bem estruturado, que vai nos oferecer a oportunidade de disputar as eleições com boas chances de vitória. Estamos construindo uma rede de apoio que nos deixa muito otimistas para 2026.

Quando o senhor fala sobre uma rede de apoio, está se referindo ao contexto geral do PL ou a sua postulação para deputado estadual?
O PL está se fortalecendo em todos os sentidos, tanto para a disputa majoritária quanto para as eleições proporcionais. Quando eu falo em rede de apoio em Mossoró e região, também estou me referindo a nossa pré-candidatura a deputado estadual. Estamos começando esse trabalho de forma muito otimista, pela maneira como retornei ao PL, pelo convite que recebi de Rogério Marinho e pelo apoio do grupo de amigos que tenho dentro do partido. Isso nos faz acreditar que é possível conquistar um mandato de deputado estadual. Posso afirmar que dessa vez será bem diferente como foi nas vezes anteriores em 2018 e 2022.
O senhor falou que Mossoró não tem representatividade política na Assembleia Legislativa, embora a cidade tenha a deputada estadual Isolda Dantas (PT). Essa crítica que o senhor faz leva em conta a quantidade ou qualidade de mandato?
Uma coisa leva a outra. A quantidade numérica culmina com ações. Mossoró já teve quatro deputados estaduais e dois deputados federais na mesma legislatura e se tivesse mantido essa representatividade, certamente as ações políticas hoje estariam em outro nível. O povo de Mossoró precisa fazer essa reflexão. A nossa cidade perdeu muito em não ter uma representação política forte como ela já teve no passado. Veja que na hora da divisão do bolo, que já não é tão grande no nosso estado, isso tem um peso muito importante. Basta observar as ações do governo, para onde vai a maior parte dos recursos, para onde o governo direciona as prioridades. Mossoró tem ficado para trás. Tudo se resolve por meio da política e se você não tem representação política para lutar em prol do seu povo, as coisas ficam muito mais difíceis. É o que acontece hoje com a nossa cidade.

Esse novo projeto do PL de Mossoró, que o senhor vai liderar, visa ir além das eleições 2026, por exemplo, assumir o comando da oposição local?
O nosso projeto não é apenas para uma disputa eleitoral, ele vai além disso. Mossoró, por sua importância no contexto político estadual, precisa de uma oposição forte, atuante, coisa que não existe nesse momento. Então, uma das nossas missões será estabelecer um grupo forte de oposição para estabelecer um debate de ideias e de projetos para a cidade. É bom deixar claro que a oposição, que nós vamos trabalhar para construir, é a maneira de colocar em discussão os interesses de Mossoró. A oposição tem um papel importante, porque em qualquer cidade, estado ou país, em qualquer democracia, é a oposição que legitima o governo. Então, posso afirmar que vamos ter uma oposição forte, vamos trabalhar nesse sentido, porque a cidade não pode continuar da forma que está sendo conduzida.
Essa é uma crítica a gestão do prefeito Allyson Bezerra?
Estamos falando de uma forma geral, com base no que Mossoró está vivendo. Veja que aqui é quase um crime fazer oposição, uma coisa absurda. Eu, particularmente, se fosse o prefeito da cidade gostaria de ter uma oposição atuante, que pudesse apontar os erros ou sugestões, porque isso iria nos ajudar a governar melhor. Quero dizer que nós vamos fortalecer o PL, já estamos iniciando esse trabalho, e no passo seguinte vamos procurar outros agentes políticos para construir uma frente de oposição forte e atuante, no sentido de defender o melhor caminho para a nossa cidade de Mossoró.
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