Sábado, 07 de março de 2026

Postado às 08h45 | 03 Out 2025 | redação Allyson aumenta “rombo” nas contas do município para mais de R$ 600 milhões

Dívida Consolidada Líquida (DCL) até agosto de 2025 alcança R$ 610.639.267,27.  O valor é quase metade do orçamento anual do Município, que estre ano foi de cerca de R$ 1,3 bilhão. Em 2024, prefeito deixou em Restos a pagar de mais de R$ 367 milhões

Crédito da foto: Reprodução Palácio da Resistência, sede da Prefeitura de Mossoró

Da Redação do Jornal de Fato

A gestão do prefeito Allyson Bezerra (União Brasil) é um péssimo exemplo no trato do dinheiro público. Gasta mais do que arrecada. Na calculadora simples, a conta fica no vermelho. Por consequências, serviços essenciais, principalmente na área da Saúde, acabam comprometidos, uma vez que não sobra recursos para investimento em ações que atendam as necessidades da população.

O desmantelo nas contas públicas do município veio a público esta semana, com a relação de um “rombo” de mais de meio bilhão de reais.

De acordo com o Relatório da Gestão Fiscal (RGF), enviado pela Prefeitura de Mossoró ao Tribunal de Contas do Estado (TCE/RN), a Dívida Consolidada Líquida (DCL) até agosto de 2025 alcança R$ 610.639.267,27.  O valor é quase metade do orçamento anual do Município, que estre ano foi de cerca de R$ 1,3 bilhão.

A Dívida Consolidada Líquida é o principal indicador do endividamento do município. É o total de dívidas de longo prazo que a gestão tem, como empréstimos e financiamentos. A DCL mostra o tamanho real da dívida que ainda precisa ser paga, depois de descontados os recursos disponíveis.

Os números, no vermelho, foram reportados pelo jornalista Bruno Barreto em seu blog e pela jornalista Carol Ribeiro, editora de política do jornal Diário do RN.

“De acordo com o relatório que consta no TCE, R$ 478.954.340,56 são de dívidas contratuais, sendo a maior parte, R$ 312.386.756,40, de empréstimos. Outros R$ 166.567.584,16 são referentes à renegociação de dívidas, sendo R$ 163.389.542,94 de dívidas tributárias. Precatórios posteriores a 2025, vencidos e não pagos, são da ordem de R$ 127.877.116,75”, revela a reportagem assinada por Carol Ribeiro.

De acordo com o material jornalístico de Bruno Barreto, Mossoró mais que dobrou sua dívida nos últimos quatro anos da gestão Allyson Bezerra: saltou de R$ 233,2 milhões em 2020 para R$ 509,2 milhões em 2024, um aumento de 118%. Em relação a 2016, quando era de R$ 174,9 milhões, o crescimento chega a quase 200%.

Com os números atualizados pelo Diário do RN, de 2024 até agosto de 2025, a dívida de Mossoró já aumentou mais 100 milhões de reais.

Para especialistas em contas públicas, a gestão Allyson gasta mal os recursos e a consequência é que o município fica sem dinheiro próprio para fazer investimentos. As obras realizadas são quase a totalidade bancada pelo Finisa, contratado ainda na gestão da ex-prefeita Rosalba Ciarlini, empréstimo junto à Caixa e transferências federais por meio de emendas parlamentares.

Há um receio de que o município, se não adotar medidas austeras, caminha para a insolvência financeira. Isso ocorrendo comprometerá obrigações básicas como manter salário em dia e os serviços essenciais em funcionamento.

 

Restos a pagar de mais de R$ 367 milhões

A reportagem da jornalista Carol Ribeiro, com base nos dados oficiais, mostra que além da Dívida Consolidada Líquida, o relatório do 4º bimestre de 2025 escancara outro dado alarmante: a gestão Allyson Bezerra inscreveu R$ 367.726.710,78 em Restos a Pagar Não Processados, valor que na prática funciona como uma dívida escondida que ficará para o futuro.

Os dados são do Relatório Resumido de Execução Orçamentária do Município (RREO), anexado no TCE/RN.

“Os números mostram que, apesar de ter empenhado R$ 1,15 bilhão, liquidou R$ 784,1 milhões e pagou R$ 778,6 milhões no período, empurrando para a frente quase R$ 400 milhões em compromissos não quitados, comprometendo de forma severa o orçamento de 2026. O rombo é cerca de um terço do orçamento anual do município.

Na linguagem técnica, os Restos a Pagar Não Processados são despesas que foram empenhadas, mas que ainda não foram confirmadas porque o serviço não foi feito ou o produto contratado não teve sua execução até o fechamento do exercício.

Em termos práticos, esse valor equivale a contas abertas pela gestão Allysson que deverão ser cobradas e pagas nos próximos meses, estrangulando o caixa da Prefeitura, comprometendo a execução do orçamento”, destaca a reportagem.

 

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