Jean Paul Prates com a governadora Fátima Bezerra
A saída de Jean Paul Prates do PT é traumática, embora ele, em entrevista, diga o contrário. A sua versão de que está indo embora de forma tranquila, sem queixas ou ressentimentos, briga com a realidade.
Ele tem queixas do PT, sim; e o PT tem que queixas dele.
O ex-senador e ex-presidente da Petrobras e o PT protagonizam uma crise iniciada em 2022 e que se arrasta até aqui. Naquele ano, Paul, que tinha o direito natural à reeleição, foi descartado pelo partido, que optou pelo ex-prefeito Carlos Eduardo Alves na chapa da governadora Fátima Bezerra.
É claro que o ex-senador não gostou, mas ficou calado porque ganhou a presidência da Petrobras do presidente Lula.
Pouco tempo depois, foi convidado por Lula para entregar o cargo, perdendo a briga com o ministro das Minas e Energias, Alexandre Silveira, do PSD.
De público, Paul optou por uma postura soft naquele momento, mas nos bastidores falou cobras e lagartos do PT.
Agora, que passou a criticar abertamente o PT do Rio Grande do Norte, o partido reagiu igualmente de público. A presidente estadual, vereadora Samanda Alves, chamou o ex-senador de ingrato.
O sentimento dentro do partido é que Paul só foi senador porque o PT lhe agraciou com o mandato. Lembrando que ele era o primeiro suplente de senador e assumiu o mandato quando a titular Fátima Bezerra se elegeu governadora em 2018.
O fato é que Paul e o PT não estão se tolerando mais. E isso terá repercussão nas eleições 2026.
Se ele for para o MDB (foi convidado pelo presidente estadual, vice-governador Walter Alves), terá alguma dificuldade para ser aceito como o segundo candidato ao senado do governo, ao lado de Fátima Bezerra, se o seu novo partido fizer a indicação.
O que pesa a favor é o tempo e os interesses eleitorais. Se houver o encaixe desses dois pontos, Paul poderá, outra vez, compor o palanque vitorioso de 2018.
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