A gestão Allyson Bezerra autorizou a doação de dois terrenos públicos para empresa que já recebeu mais de R$ 100 milhões da Prefeitura de Mossoró. O negócio beneficia o empresário Diego Dantas, amigo de Allyson, dono da cooperativa médica SAMA
Prefeito Allyson Bezerra tem relação próxima com o empresário Diego Dantas
Da Redação do Jornal de Fato
A empresa Oeste Verde Pré-Moldados e Artefatos de Concreto Ltda foi aberta em 19 de julho de 2011, mas foi ativada em 11 de dezembro de 2020 e ganhou nova estrutura a partir de 2023, com a sociedade firmada entre Francisco Diego Costa Dantas e a Mar de Java Participações Societárias Ltda. Por coincidência, ou não, esse novo formato se estabeleceu na gestão do prefeito Allyson Bezerra (União Brasil).
A sociedade de Diego e Mar de Java em torno da Oeste Verde se firmou no momento que a gestão Allyson, por meio das emendas do orçamento secreto, hoje chamadas de emendas pix, passou a investir em pavimentação de ruas com piso intertravado, que é um dos principais produtos da Oeste.
Esse fato vem à tona no momento em que uma reportagem do Diário do RN, assinada pela jornalista Carol Ribeiro, noticia que a gestão Allyson autorizou a doação de dois terrenos públicos, que juntos somam 21.963,53 m², à empresa Oeste Verde Pré-Moldados Ltda. A matéria destaca que a área doada, localizada no Distrito Industrial da Barrinha, à margem da RN-105, saída para Baraúna, equivale a, aproximadamente, três campos de futebol.
O incentivo à indústria justifica a doação dos terrenos, que passou pelo crivo da Câmara Municipal de Mossoró. No entanto, conforme alerta a reportagem, “o que chama atenção é o vínculo direto do sócio-diretor da empresa, Francisco Diego Costa Dantas, com a própria Prefeitura: ele é dono da Sama Serviços Médicos Hospitalares, prestadora de serviços contratada pela administração municipal sem licitação desde 2021.”
Os dados levantados pelo material investigativo mostram que a Sama acumula faturamento milionário dos cofres municipais. Os números são bem generosos:
- Em 2021, primeiro ano da gestão Allyson, o contrato foi de R$ 14.631.647,64;
- Em 2022, R$ 23.323.254,31;
- Em 2023, R$ 29.412.425,34;
- Em 2024 manteve alguns dos maiores valores: R$ 28.622.850,58;
- Já em 2025, até agosto, R$ 20.061.678,75.
Os contratos foram firmados pela Inexigibilidade nº 01/2021, sem concorrência pública.
Allyson Bezerra e Diego Dantas mantêm relação muita próxima, inclusive, o empresário exerce influência no secretariado municipal. Pelo menos quatro auxiliares de primeiro escalão são da cota de Diego: Morgana Dantas (Saúde); Edilson Júnior (Fazenda); Miguel Rogério (Serviços Urbanos); e Tales Belém (Procurador Geral).
Localização
Os dois terrenos doados pela gestão Allyson Bezerra à empresa Oeste Verde ficam na comunidade da Barrinha. Um tem cerca de 12 mil metros quadrados e outro, quase 10 mil metros quadrados.
A transferência dos terrenos foi oficializada por meio de leis sancionadas pelo prefeito em agosto e dezembro de 2023: lei nº 4.052, de 25 de agosto de 2023 – lote 17, no bairro Barrinha, com 12.007,60 m²; e lei nº 4.099, de 21 de dezembro de 2023 – lote 18, com 9.955,93 m².
SAMA ganhou força na gestão do ex-prefeito Silveira
A Sama Serviços Médicos Hospitalares ganhou força na gestão do ex-prefeito Silveira Júnior, entre os anos de 2013 a 2016. A cooperativa ganhou todas as concorrências para serviços médicos contratados pela Prefeitura de Mossoró.
O proprietário da Sama, empresário Diego Dantas, apareceu várias vezes em casos suspeitos, conforme conta a reportagem da jornalista Carol Ribeiro, no Diário do RN:
“Além de figurar nos milionários contratos da saúde e agora na doação de áreas públicas, Diego Dantas já foi investigado criminalmente em gestões anteriores da própria Prefeitura de Mossoró por supostas fraudes em licitações.
Diego Dantas tem histórico de suspeitas de fraudes em licitação e já foi investigado em diferentes ocasiões. Em 2004 foi flagrado em Teresina (PI) tentando fraudar vestibular com gabaritos e celulares; o caso prescreveu.
Já em 2012 foi acusado pelo Ministério Público Federal de manipular licitação da CBTU em Natal, processo ainda em recurso. Em 2014, um relatório da Secretaria de Saúde apontou vínculos dele com a Associação Marca, envolvida em escândalos de terceirização da saúde em Natal e em Mossoró.”
A partir de 2012, Diego assumiu o controle da Sama, ampliando sua participação societária e aumentando o capital social da empresa de R$ 100 mil para R$ 1 milhão em poucos meses, coincidindo com contratos sem licitação na gestão de Silveira Júnior.
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