Domingo, 08 de março de 2026

Postado às 17h45 | 25 Ago 2025 | redação Ministro diz que pagará valores tabelados de produtos afetados por tarifaço de Donald Trump

Ministro do Desenvolvimento Agrário diz que os produtos agropecuários atingidos pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos serão comprados pelo governo brasileiro a valores já definidos nos programas nacionais, sem equiparação ao preço de exportação

Crédito da foto: Reprodução Café não foi incluído na lista

Por Bruna Lessa / O Globo

O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, afirmou nesta segunda-feira que os produtos agropecuários atingidos pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos serão comprados pelo governo brasileiro a valores já definidos nos programas nacionais, sem equiparação ao preço de exportação.

— Nós não teremos como pagar preços de exportação, preços que são fixados em dólar. São preços que levam em consideração uma remuneração adequada ao produtor — afirmou o ministro.

O ministro ainda acrescentou que o governo seguirá adquirindo os produtos pelos preços já estabelecidos nos programas existentes, considerados adequados.

— Vamos comprar pelos preços que estão dentro desses programas, que são bons. Se precisar complementar as tabelas para incorporar novos produtos, faremos isso — disse em conversa com jornalistas.

 

Quais produtos entram

Dois dos principais itens da pauta exportadora brasileira — carne bovina e café — não foram incluídos na lista inicial de produtos que poderão ser adquiridos pela União, estados e municípios. Teixeira explicou que a exclusão ocorreu porque ambos não são perecíveis e ainda encontram forte demanda internacional.

— O café tem um mercado muito grande no mundo inteiro e há uma falta de café. Nós acreditamos que, em algum momento, eles (EUA) vão excepcionar o café e a carne — afirmou. Ainda assim, o ministro reconheceu que produtores desses setores pressionam o governo por negociações contínuas e monitoramento da situação.

A Portaria Interministerial nº 12 autorizou a compra de açaí, água de coco, castanha de caju, castanha-do-brasil, mel, manga, pescados e uva. Os alimentos abastecerão escolas públicas e formarão estoques de segurança alimentar.

Para participar, empresas deverão apresentar uma Declaração de Perda (DP) comprovando a interrupção de exportações aos EUA, enquanto produtores que fornecem indiretamente terão de apresentar uma Autodeclaração de Perda (AP).

Validade da medida

A MP 1.309/2025, que criou o Plano Brasil Soberano, estabelece validade inicial de 180 dias para as compras públicas. No entanto, segundo Teixeira, a vigência poderá ser prorrogada ou até transformada em lei pelo Congresso, tornando o mecanismo permanente.

Diplomacia busca alternativas: missão ao México

Em paralelo, o governo aposta na diversificação de mercados para reduzir a dependência dos EUA. O vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, devem ir nesta semana nesta semana a uma missão ao México (27 e 28 de agosto) para ampliar acordos comerciais.

O país se tornou o quarto principal destino da carne bovina brasileira em 2024, com exportações de US$ 363 milhões entre janeiro e julho, alta de 250% em relação ao mesmo período do ano anterior. O café brasileiro também deve ser destaque nas negociações.

— É um pedido ( a visita) da presidente do México, ela quer ampliar o comércio com o nosso país — disse Teixeira.

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