Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS
Da Redação do Jornal de Fato
A derrota do governo do presidente Lula (PT) na composição do comando da CPMI do INSS, ocorrida nesta quarta-feira, 20, tem as digitais da federação União Progressista, formada pelo União Brasil e PP, partidos que compõem a Esplanada dos Ministérios.
A federação mantém quatro ministérios, sendo três com o União (Integração e Desenvolvimento Regional, Turismo, Comunicações), e um com o PP (Esporte). O bloco também detém os principais cargos de direção da Caixa Econômica Federal, bem como várias diretorias da Codevasf.
No Rio Grande do Norte, o União Brasil, liderado pelo ex-senador José Agripino Maia, faz oposição ao governo Fátima Bezerra, do PT, enquanto o PP, liderado pelo deputado federal João Maia, tem aliança com a oposição para enfrentar o governo nas eleições 2026.
A oposição no Congresso derrubou a indicação do presidente do Senado, governista Davi Alcolumbre (União-AP), e elegeu o senador oposicionista Carlos Viana (Podemos-MG) como presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que vai apurar desvios no Instituto Nacional da Previdência Social. Além disso, a oposição emplacou o deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL) como relator.
Alcolumbre havia indicado o senador Omaz Aziz (PSD-AM) para o cargo. Membros da oposição, que encabeçaram a criação da CPI mista, criticaram a escolha e articularam o lançamento de uma candidatura alternativa, alcançando êxito com apoio do União Brasil e PP.
A reviravolta confirmada nesta quarta-feira, segundo líderes partidários, chegou a ser discutida por participantes no lançamento da federação União Progressista, ocorrida no dia anterior. Nas palavras de governistas, o movimento foi uma espécie de “tiro para o alto” da federação partidária, que tem salientado independência em relação ao governo petista.
A federação PP e União Brasil tem reafirmado postura de independência no Congresso Nacional, apesar de fazer parte da Esplanada dos Ministérios. O PP é majoritariamente de oposição, mas o União Brasil tem uma bancada federal dividida.
Com a possibilidade de o comando da CPMI do INSS ser inteiro de oposição, deputados do centrão comparam o colegiado à CPI da Covid. As duas demonstraram uma falha da articulação política dos governos de Jair Bolsonaro (PL) e de Luiz Inácio Lula da Silva, respectivamente.
Nova federação soma 109 deputados federais e 15 senadores
A Federação União Progressista, agora, formalizada, consolida-se como a maior força política do país com a aliança entre União Brasil e PP. No entanto, o bloco nasce marcado pela contradição: embora a tônica dos discursos seja de oposição ao governo do presidente Lula, uma ala da federação, liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), resiste a entregar os cargos e deixar a base governista.
Os presidentes do PP e União Brasil, Ciro Nogueira e Antônio Rueda, defendem a saída imediata da base do governo, mas fontes da cúpula do bloco afirmam que não há previsão de desembarque. Por ora, a expectativa é que os ministros da federação só deixem os postos no fim de março, no prazo da desincompatibilização para disputarem as eleições.
A federação soma 109 deputados federais, 15 senadores (com a filiação ao PP, nos próximos dias, da senadora Margareth Buzetti, do Mato Grosso), 1.335 prefeitos, sendo 5 de capitais, e 7 governadores.
A nova força política terá direito às maiores fatias dos fundos eleitoral e partidário, de modo que mais de R$ 1 bilhão deverão entrar no cofre da federação em 2026. No ano passado, as duas siglas juntas receberam R$ 953,8 milhões do fundo eleitoral, além de R$ 197,6 milhões do fundo partidário.
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