Domingo, 08 de março de 2026

Postado às 09h30 | 14 Ago 2025 | redação Prefeito Allyson Bezerra tenta abafar crise com troca de secretário na Saúde

Crédito da foto: Reprodução Aparelhos para exames nas UPAs foram lacrados por falta de pagamento

Redação do Jornal de Fato

 

Para tentar abafar a crise na saúde pública do município de Mossoró, o prefeito Allyson Bezerra (União Brasil) decidiu trocar o comando da Secretaria Municipal de Saúde. Saiu o engenheiro Almir Mariano, que estava no cargo desde janeiro deste ano, e voltou a enfermeira Morgana Dantas, que comandou a pasta nos quatro anos da primeira gestão Allyson.

Por gravidade, Allyson Bezerra alterou a composição de outras pastas do primeiro escalão. Almir Mariano retorna à Secretaria de Programas e Projetos Estratégicos, que ele administrou entre 2023 e 2024, e Augusto Cavalcante, que estava respondendo pela pasta, foi transferido para uma diretoria na Secretaria de Infraestrutura.

Para auxiliar Morgana Dantas na nova missão, o prefeito nomeou o servidor Francisco Rosivan para o cargo de secretário-adjunto da Saúde. Todos os atos foram publicados no Diário Oficial do Município (DOM), edição do dia 12 de agosto.

A crise na saúde pública foi denunciada pelo Jornal de Fato por uma série reportagens nas últimas edições. Por gravidade, a repercussão afetou a imagem da gestão municipal, daí, a reação de Allyson Bezerra. Ao trocar o comando da pasta da Saúde, o prefeito acredita que amenizará a crise e, por consequência, evitará maiores danos ao seu projeto de disputar o cargo de governador do Rio Grande do Norte nas eleições 2026.

A mudança na Saúde, a princípio, resume-se a nomes, uma vez que o prefeito não anunciou nenhuma medida para resolver os gargalos que afetam a assistência à saúde da população. A escolha pelo retorno de Morgana Dantas é um recorte do cenário de crise, uma vez que a enfermeira foi exonerada da pasta, em janeiro deste ano, justamente por falta de solução para os problemas na rede municipal.

Até agora, a gestão municipal não esclareceu sobre o atraso de pagamento que provocou a suspensão das cirurgias, nem apresentou solução para o problema.

O Conselho Municipal de Saúde, depois de notificar a Secretaria de Saúde por várias vezes, levou o caso ao Ministério Público Estadual (MPRN). Um documento protocolado na 1ª Promotoria de Justiça da Comarca detalha toda a situação de crise na saúde municipal.

O Conselho solicitou ao MPRN a abertura de uma ação civil pública e a adoção de providências urgentes para garantir o restabelecimento dos serviços. O ofício inclui documentos da Maternidade Almeida Castro e da Central de Regulação que confirmam a paralisação das cirurgias e o acúmulo na lista de espera.

Crise começou na primeira passagem de Morgana Dantas na Saúde

A crise na saúde municipal veio à tona com a denúncia de que a Prefeitura de Mossoró atrasou o pagamento às instituições credenciadas para a realização de cirurgias eletivas, como a Liga de Mossoró, o Hospital São Luiz e a Associação de Proteção e Assistência à Maternidade e à Infância de Mossoró (APAMIM).

A reportagem do Jornal de Fato, publicada na edição de sábado, 9, mostrou que as cirurgias eletivas estão suspensas desde novembro de 2024. Isso significa que a falta de pagamento começou no fim do ano passado, quando Morgana Dantas era a secretária de Saúde. Ela está retornando à pasta agora e o problema continua.

As informações da Central de Regulação indicam que a lista de espera, que contava com 793 solicitações em janeiro deste ano, já ultrapassa a marca de mil procedimentos pendentes. Com o intuito de reduzir essa fila de espera, Luiz Avelino informou que o Conselho Municipal tentou dialogar com a Secretaria Municipal de Saúde para que fosse realizada uma força-tarefa com várias cirurgias.

“O Conselho de Saúde vem cobrando desde o início do ano uma força-tarefa para retomar as cirurgias e atender a demanda que só cresce. A fila de espera acumula mais de 1 mil pessoas e não existe previsão quando essas cirurgias vão ser realizadas”, revelou Luiz Avelino, membro do Conselho Municipal de Saúde.

“Tem mulher sangrando há mais de trinta dias, com quadro de anemia, e sem previsão de cirurgia”, afirmou o conselheiro, lembrando que muitas dessas mulheres precisam retirar miomas e, em alguns casos, fazer histerectomia.

Muitas mulheres têm recorrido a outros municípios, como Alexandria e Apodi, para conseguir realizar os procedimentos, diante desse impasse gerado pela gestão municipal. Outras, sem alternativas, recorrem a empréstimos ou vendem bens pessoais para arcar com os custos na rede privada.

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