Domingo, 08 de março de 2026

Postado às 09h15 | 12 Ago 2025 | redação Crise na saúde pública de Mossoró atinge o secretário Almir Mariano

Crédito da foto: Reprodução Engenheiro Almir Mariano não deve continuar na Secretaria Municipal de Saúde

Da Redação do Jornal de Fato

O engenheiro Almir Mariano antecipou a caneta do prefeito Allyson Bezerra (União Brasil) e disse, em agenda no fim de semana, que está deixando o cargo de secretário de Saúde do município de Mossoró. Não entrou no mérito de sua saída, mas mostrou desconforto. De fato, a pasta da Saúde não ofereceu bom ambiente para Mariano mostrar que é capaz de administrar uma secretaria tão importante.

Os últimos dias têm sido difíceis diante do agravamento da crise na saúde pública do município. Servidores da saúde, favoráveis à exoneração do secretário, comentam que Almir Mariano não conseguiu imprimir um modelo de gestão capaz de resolver os gargalos da pasta. Outros ressaltam que ele não teve o respaldo do Palácio da Resistência.

A verdade é que os problemas se acumularam e atingiram um nível insuportável. Duas reportagens do Jornal de Fato, publicadas nas últimas edições, mostram problemas agudos que comprometem o atendimento aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Na quinta-feira, 7, estourou a denúncia que nenhuma das três Unidades de Pronto-Atendimento (UPA) está realizando exames. A empresa que fornecia os serviços suspendeu o atendimento por falta de pagamento. Uma nota assinada por Almir Mariano negou a suspensão de exames, mas admitiu que estão sendo feitos em outros locais.

O Jornal de Fato apurou que o material é coletado nas UPAs e encaminhado para uma empresa privada. Os pacientes reclamam a demora para receber o resultado dos exames, o que pode, inclusive, comprometer o diagnóstico médico.

Servidores afirmam que uma empresa de Natal, contratada para oferecer os aparelhos utilizados em exames, decidiu lacrar os equipamentos das UPAs do Alto de São Manoel, zona leste; do bairro Santo Antônio, zona norte; e da unidade do Belo Horizonte, zona sul, por falta de pagamento. Servidores enviaram fotos dos aparelhos lacrados para o Jornal de Fato.

Dois dias depois, no sábado, 9, outra reportagem do Jornal de Fato noticiou que o Conselho Municipal de Saúde denunciou a suspensão das cirurgias eletivas ginecológicas no município desde novembro de 2024. A suspensão, segundo o documento enviado à 1ª Promotoria de Justiça da Comarca (MPRN), ocorreu devido à falta de pagamento da Prefeitura de Mossoró às empresas responsáveis pelos procedimentos.

As duas reportagens, que mostraram problemas na realização de exames e a suspensão de cirurgias eletivas há nove meses, irritaram o prefeito Allyson Bezerra, que decidiu fazer mudanças no comando da Secretaria de Saúde. A versão corrente dava conta do retorno da ex-secretária Morgana Dantas, mas até o fechamento desta edição não havia confirmação.

 

Cirurgias eletivas estão suspensas há nove meses

O Conselho Municipal de Saúde de Mossoró, em ofício encaminhado ao Ministério Público Estadual (MPRN), denuncia que a realização das cirurgias eletivas foi suspensa por falta de pagamento da Prefeitura de Mossoró às empresas responsáveis pelos procedimentos.

De acordo com o documento, assinado pelo conselheiro Luiz Avelino da Silva, a situação já se arrasta há nove meses e tem prejudicado diretamente milhares de mulheres de Mossoró. Ele afirma que a paralisação dos procedimentos não afeta apenas as cirurgias ginecológicas, mas também outros procedimentos eletivos, como os de hérnia e apendicite.

Avelino informou ao Jornal de Fato que a interrupção das cirurgias foi motivada pela suspensão dos repasses financeiros da Prefeitura às instituições prestadoras de serviço, como a Liga de Mossoró, o Hospital São Luiz e a Associação de Proteção e Assistência à Maternidade e à Infância de Mossoró (APAMIM), que realizavam esses procedimentos.

As informações da Central de Regulação indicam que a lista de espera, que contava com 793 solicitações em janeiro deste ano, já ultrapassa a marca de mil procedimentos pendentes. Com o intuito de reduzir essa fila de espera, Luiz Avelino informou que o Conselho Municipal tentou dialogar com a Secretaria Municipal de Saúde para que fosse realizada uma força-tarefa com várias cirurgias.

Ainda segundo Luiz Avelino, muitas mulheres têm recorrido a outros municípios, como Alexandria e Apodi, para conseguir realizar os procedimentos, diante desse impasse gerado pela gestão municipal. Outras, sem alternativas, recorrem a empréstimos ou vendem bens pessoais para arcar com os custos na rede privada.

Diante da situação, o Conselho solicitou ao MPRN a abertura de uma ação civil pública e a adoção de providências urgentes para garantir o restabelecimento dos serviços. O ofício inclui documentos da Maternidade Almeida Castro e da Central de Regulação que confirmam a paralisação das cirurgias e o acúmulo na lista de espera.

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