Reunião da federação União Progressistas evitou pontos polêmicos
Da Redação do Jornal de Fato
Com dois pré-candidatos ao governo do Rio Grande do Norte, a oposição considera possível unificar o palanque em torno de um nome. Para isso, é preciso convencer o senador Rogério Marinho (PL) ou o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), para retirar a pré-candidatura e apoiar uma chapa de consenso.
A federação União Progressistas assumiu a condução do processo. No primeiro momento, o trabalho será de unificar o discurso interno, a partir do entendimento de que é preciso abrir espaços para dialogar com os outros partidos de oposição. Esses espaços são o caminho para acolher os interesses do PL de Rogério Marinho, do Republicanos do ex-prefeito Álvaro Dias e do PSDB do senador Styvenson Valentim.
Os líderes da federação entendem que todos os partidos querem participar da chapa majoritária e que esse direito é legítimo. Daí, a discussão interna para encontrar a melhor solução. O ex-senador José Agripino Maia tem dito que é viável unificar as oposições, mas alerta que isso só será possível se houver o interesse de todos.
Na reunião realizada na segunda-feira, 28, cada membro da federação expressou o seu ponto de vista. No entanto, os pontos principais foram evitados pelos participantes. O prefeito de Natal, Paulinho Freire, por exemplo, não disse que defende o apoio da federação à pré-candidatura de Rogério Marinho ao governo, nem que deseja reforçar os projetos de Styvenson Valentim e Álvaro Dias ao Senado.
O prefeito Allyson Bezerra também evitou colocar na mesa a sua aliança político-eleitoral com a senadora Zenaide Maia, do PSD. Recentemente, em uma entrevista à imprensa de Natal, Allyson disse que Zenaide tem o apoio dele e que só não votará na reeleição dela se ela não quiser. Allyson sabe que Zenaide é rejeitada dentro da federação, principalmente pela ala liderada por Paulinho Freire.
Inclusive, após a declaração de Allyson a favor de Zenaide, o prefeito de Natal falou de público que poderia até apoiar Allyson para governador, mas ressaltando que a chapa não teria Zenaide, uma vez que, se depender dele, os candidatos ao senado seriam Styvenson e Álvaro.
Outro ponto evitado na reunião de segunda-feira foi a possibilidade de Allyson Bezerra recuar da candidatura ao governo para apoiar Rogério Marinho. Há rejeição ao nome de Rogério na ala de Agripino Maia, que não esconde o desejo de ver Allyson encabeçando a chapa majoritária.
Discurso
Ao sair da reunião, Agripino disse que “todos tiveram a oportunidade de falar e de expor todos os pontos de vista” e que o encontro foi marcado pela “harmonia e interesse na união das oposições.” Ele, porém, evitou cravar essa possibilidade tendo em vista o conflito de interesse entre os partidos.
Agripino disse que diálogo entre os partidos de posição devem continuar até as vésperas das convenções partidárias, no meio do ano que vem: “As circunstâncias de cada dia podem orientar, antecipar ou dilatar o prazo para que haja o desejado entendimento”, afirmou em entrevista ao jornal Tribuna do Norte.
Rogério e Allyson romperam nas eleições 2024
O senador Rogério Marinho e o prefeito Allyson Bezerra foram aliados políticos até o início de 2024. Durante o governo Bolsonaro, na condição de ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério viabilizou investimentos importantes para Mossoró, com destaque para a construção do novo anel viário.
Em contrapartida, nas eleições de 2022, Allyson apoiou a candidatura vitoriosa de Rogério ao Senado, embora tenha se esquivado de assumir de público o voto no então presidente Jair Bolsonaro.
Apesar dos projetos aprovados em Brasília e da aliança eleitoral em 2022, Allyson rejeitou o PL de Rogério em seu palanque nas eleições 2024, optando pelo primo Marcos Bezerra (PSD) como vice-prefeito de sua chapa. Daí, o rompimento político foi inevitável.
Distante de Allyson, o PL disputou a Prefeitura de Mossoró com a candidatura do ex-vereador Genivan Vale, que terminou em terceiro lugar no pleito. Por consequência, a crise entre o PL e o prefeito de Mossoró ficou ainda maior, inclusive, o partido, por meio de Genivan, é autor da ação na Justiça Eleitoral que pede a cassação do mandato de Allyson por abuso de poder econômico e midiático.
Agora, Rogério Marinho se prepara para enfrentar Allyson Bezerra nas eleições 2026, quando os dois deverão disputar o cargo de governador do Rio Grande do Norte. Rogério está articulando uma frente de direita com apoio de Bolsonaro, inclusive, atraindo nomes do próprio partido de Allyson, o União Brasil, como é o caso do prefeito de Natal, Paulinho Freire.
Já Allyson faz o caminho à margem do bolsonarismo, fortalecendo aliança com a senadora Zenaide Maia, presidente estadual do PSD, e inimiga política de Rogério Marinho.
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