Segunda-Feira, 09 de março de 2026

Postado às 08h45 | 19 Jul 2025 | redação Visto de Moraes cancelado: Contato de embaixadora brasileira foi recusado pelos EUA

Crédito da foto: Reprodução Ministro Alexandre de Moraes, do STF

O governo dos Estados Unidos revogou os vistos de entrada do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) bem como de seus familiares e "aliados na corte". A decisão foi anunciada pelo secretário de Estado Marco Rubio, que afirmou ter determinado a medida com efeito imediato.

A iniciativa foi tomada após acusações formais da Polícia Federal de que Jair Bolsonaro e seu filho, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), atuaram para coagir autoridades brasileiras e articular sanções internacionais contra membros do Judiciário. A investigação levou o STF a impor medidas restritivas a Bolsonaro, como o uso de tornozeleira eletrônica e proibição de contato com autoridades estrangeiras.

Rubio afirmou que "Donald Trump deixou claro que sua administração assumirá responsabilidade com nacionais de outros países que forem responsáveis pela censura da expressão proibida nos Estados Unidos". Também justificou a sanção alegando que sua "caça às bruxas contra Jair Bolsonaro criou um complexo de perseguição e censura tão generalizado que não apenas viola direitos básicos de brasileiros, mas se estende para além das margens do Brasil para atingir americanos".

Eduardo agradece

Em publicação feita na plataforma X, Eduardo Bolsonaro agradeceu diretamente a Trump e Rubio. "Eu não posso ver meu pai e agora tem autoridade brasileira que não poderá ver seus familiares nos EUA também ou quem sabe até perderão seus vistos. Eis o custo moraes para quem sustenta o regime. De garantido só posso falar uma coisa: tem muito mais por vir".

Eduardo Bolsonaro está desde março nos Estados Unidos, onde ele próprio assume articular contra Moraes junto ao governo e ao Congresso americanos. Ele é investigado pela Polícia Federal sob suspeita de tentar fazer lobby internacional em benefício de seu pai, que responde no STF por golpe de Estado. Jair Bolsonaro chegou a ser citado na carta publicada por Donald Trump para anunciar o pacote tarifário de 50% sobre importações brasileiras.

 

Recusado

Segundo apuração do analista de Internacional da CNN Lourival Sant’Anna durante o CNN Prime Time, a embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, procurou o departamento de Estado dos Estados Unidos e o contato dela foi recusado.

Segundo fontes, a resposta do Departamento de Estado foi "too late" (tarde demais), indicando uma insatisfação com a falta de esforços anteriores do Brasil para estabelecer canais diplomáticos desde janeiro.

Esta versão contrasta com as declarações do Itamaraty, que afirma ter realizado diversas tentativas de diálogo, incluindo uma carta enviada em 16 de maio que nunca obteve resposta.

 

Residência de Eduardo Bolsonaro nos EUA

Em paralelo a essa situação, fontes indicam que a Casa Branca determinou a aceleração do processo para concessão de residência ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos. Eduardo, que atualmente reside no Texas e frequenta Miami, conta com o apoio da Universidade Internacional da Flórida e do Centro Adam Smith, instituição financiada por Ron DeSantis.

De acordo com Cristina Rosales, ex-assessora de Trump e Biden no Departamento de Estado, existe um planejamento de escalada nas medidas contra o Brasil. As próximas etapas podem incluir o congelamento de ativos de autoridades brasileiras nos Estados Unidos e possíveis sanções secundárias contra instituições financeiras que mantenham negócios com eles.

A situação representa um momento delicado nas relações entre Brasil e Estados Unidos, que já enfrentam tensões devido à imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto.

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