Deputado João Maia, presidente do Progressistas, emplaca a esposa em secretaria de Allyson Bezerra
Da Redação do Jornal de Fato
A ex-prefeita de Messias Targino, Shirley Targino, do Progressistas, confirmou nesta terça-feira, 1º, que irá assumir a Secretaria de Assistência Social de Mossoró. A sua nomeação será assinada pelo prefeito (União Brasil) como consequência de negociações políticas iniciadas há alguns meses e que ganharam força em junho.
O reforço de Shirley na equipe de Allyson é exclusivamente político-eleitoral. A ex-prefeita do pequeno município do Médio Oeste do Rio Grande do Norte não irá comandar as políticas públicas sociais de Mossoró; essa função continuará sendo executada pela equipe técnica efetiva. A sua missão será articular o apoio de prefeitos e lideranças do interior do estado à provável candidatura de Allyson a governador nas eleições 2026.
Shirley Targino é casada com o deputado federal João Maia, presidente estadual do Progressistas, e cunhada da senadora Zenaide Maia, presidente estadual do PSD, aliada do prefeito de Mossoró. Shirley é uma liderança do tamanho do seu município de 4.274 habitantes (Censo 2022), onde mantém o poder há anos, no entanto, a força regional advém de João Maia, que oferece todo o suporte para a esposa desenvolver as atividades políticas.
A aliança de Allyson e João Maia é consequência da federação construída entre o União Brasil e o Progressistas. Os dois políticos entendem que formando um grupo forte em torno do projeto eleitoral de Allyson, forçará as duas legendas a apostar na candidatura do prefeito de Mossoró a governador do Rio Grande do Norte. No momento, há divisões em torno do nome de Allyson, principalmente dentro do União.
É o caso do prefeito de Natal, Paulinho Freire, que tem compromisso com a pré-candidatura a governador do senador Rogério Marinho (PL). A deputada federal Carla Dickson, também do União, está mais próxima de Rogério. Ela era primeira suplente na Câmara e assumiu o mandato em 2024, com a renúncia de Paulinho para ser prefeito de Natal.
Allyson Bezerra acredita que com o “reforço” de João Maia será possível quebrar resistências dentro da federação e unificar os dois partidos em torno do seu projeto eleitoral.
Terceira via
Outro ponto que salta aos olhos de observadores políticos é a provável formação de uma terceira via, que reuniria o União Brasil, Progressistas e o PSD, liderada por Zenaide Maia. A senadora não esconde a empolgação de apoiar Allyson nas eleições 2026, em detrimento da aliança política com a governadora Fátima Bezerra (PT), que defende a pré-candidatura de Cadu Xavier (PT).
Dessa forma, e se confirmando a terceira via para as eleições do próximo ano, o quadro da sucessão estadual terá Cadu, representando o atual governo estadual; Rogério Marinho, que defende a bandeira da direita e do bolsonarismo; e Allyson Bezerra, com João Maia e Zenaide Maia, conduzindo o grupo alternativo.
Rosalbismo deve deixar o Progressistas em Mossoró
O apoio do Progressistas ao prefeito Allyson Bezerra terá consequências no diretório do partido de Mossoró. Controlado pelo grupo da ex-prefeita, ex-governadora e ex-senadora Rosalba Ciarlini há mais de uma década, a legenda terá que mudar de comando. É certo que Rosalba não ficará no partido.
No entanto, há uma dúvida sobre o posicionamento do ex-deputado federal Beto Rosado. Recentemente, questionado sobre se permaneceria no Progressistas se o partido passasse a apoiar o prefeito de Mossoró, o ex-parlamentar disse que não havia problemas, embora não tenha cravado permanência na legenda.
Beto Rosado, que foi presidente do Progressistas até 2024, quando transferiu o comando para João Maia, está afastado do ambiente político. Desde que concluiu o mandato na Câmara, há três anos, ele vem se dedicando aos negócios da família, com destaque para a produção de sua fazenda localizada na zona rural de Mossoró.
Diante do novo cenário, é possível que João Maia entregue o controle do Progressistas de Mossoró para Allyson Bezerra, como atitude de fidelidade à nova parceria político-eleitoral. Se isso ocorrer, o prefeito passará a comandar diretórios de quatro partidos: União Brasil, PSD, Solidariedade e o Progressistas.
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