Mossoroense Nelson Rebouças construiu uma trajetória marcada pela diversidade de linguagens e experi
Parnamirim amanheceu de luto nesta terça-feira (7) com a notícia da morte de Nelson Rebouças, um dos nomes mais conhecidos da cena cultural de Pium e figura que dedicou décadas à produção artística no Rio Grande do Norte. Produtor cultural, ator, artista plástico, escritor e cineasta, Nelson deixa um legado construído entre palcos, livros, projetos culturais e espaços de encontro que ajudou a criar e manter ao longo da vida.
A morte foi comunicada pela família em uma nota de pesar divulgada nas redes sociais. “É com profunda tristeza que nós, familiares de Nelson Rebouças, comunicamos o seu falecimento”, diz o texto. A família agradeceu a todos que fizeram parte de sua trajetória e destacou que o artista será “eternamente lembrado com carinho, amor e saudade”. Amigos próximos relataram que Nelson Rebouças morreu em casa, vítima de um infarto.
Nascido em Mossoró, Nelson Leite Rebouças Filho construiu uma trajetória marcada pela diversidade de linguagens e experiências. Trabalhou com produções musicais no Rio de Janeiro e teve passagem pelo teatro no Ceará, onde atuou em espetáculos como “Corações Guerreiros” e “Caminho das Garças”. Na literatura, publicou obras como “Sonhos e Solidez”, “Marcas de um Andarilho”, “Verdades e Mentiras”, “69 – Versos Fesceninos” e “A Mulher que Mora em Mim”.
Nos últimos anos, seu nome tornou-se especialmente associado a Pium, distrito de Parnamirim onde ajudou a fortalecer a vida cultural da comunidade. Foi ali que criou o Porão das Artes, espaço que se consolidou como ponto de encontro para músicos, escritores, atores, artistas visuais e produtores culturais da Grande Natal. O local recebeu shows, exposições, lançamentos de livros, rodas de conversa, apresentações teatrais e diversas iniciativas independentes, tornando-se uma referência para a cena artística potiguar.
Além de atuar como articulador cultural, Nelson seguia desenvolvendo projetos ligados à memória e à identidade local. Entre eles estava o curta-metragem “Pium – Do Chão Batido ao Asfalto de Hoje”, concebido para registrar transformações históricas e afetivas da comunidade que escolheu como lar.
A notícia da morte provocou comoção entre artistas, escritores e produtores culturais do estado. O escritor e jornalista Cefas Carvalho relembrou a amizade de décadas com Nelson em uma homenagem publicada nas redes sociais.
“Sem chão com a morte repentina do amigo Nelson Rebouças. Amizade de décadas, fomos vizinhos em Mossoró nos anos 90 (ele jurava que dividíamos o mesmo liquidificador), onde trabalhamos juntos no jornal ‘Vocês Verão’. De lá para cá, papos, risos, desabafos, sonhos, porres, parcerias e o plano da FliPium que ele tanto sonhava”, escreveu.
Na publicação, Cefas definiu o amigo como “impulsivo, inquieto e generoso” e lamentou a perda. “Vai fazer muita, mas muita falta aqui”, afirmou.
A cantora Khrystal também esteve entre os artistas que manifestaram pesar pela morte de Nelson, cuja atuação atravessou diferentes áreas da cultura e ajudou a construir redes de afeto e colaboração entre gerações de artistas potiguares.
Mais do que produzir arte, Nelson Rebouças dedicou a vida a criar espaços para que ela acontecesse. Em Pium, transformou uma iniciativa independente em referência cultural e ajudou a aproximar artistas e público em torno de experiências coletivas. Sua partida deixa uma lacuna na cultura potiguar, mas também uma memória construída por meio dos encontros, projetos e histórias que ajudou a tornar possíveis.
Fonte: saibamais.jor.br
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