Campus central da Uern em Mossoró
Por Anne Vieira / Especial
Durante o Agosto Lilás, mês marcado pela luta em defesa dos direitos das mulheres e pelo enfrentamento à violência contra elas, a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) reforça a política institucional que integra ações de prevenção, acolhimento e enfrentamento às violências contra a mulher nos espaços acadêmicos e administrativos.
É nesse processo que a ouvidoria ocupa um papel importante. Para Carmem Sousa, ouvidora-geral da Uern, o canal de atendimento não deve ser visto apenas como um lugar para registrar manifestações, mas como um espaço de escuta e acolhimento. “A ouvidoria é um lugar de escuta qualificada. É um local seguro que existe para ouvir, estabelecendo assim uma confiança entre o cidadão e a instituição. Por meio dessa confiança as pessoas nos procuram e dizem: isso aconteceu comigo”, afirma.
A política institucional de enfrentamento às violências contra as mulheres foi formalizada em 2022 e consolidada em 2024 com a criação do protocolo de atendimentos, mas bem antes dessa formalização, a Uern já desenvolvia ações educativas que falassem sobre o tema.
Com a instituição do protocolo, o atendimento às demandas passou a envolver, além da ouvidoria, a colaboração de setores como as Diretorias de Ações Inclusivas (Dain) e Ações Afirmativas e Diversidade (Diaad) e as Pró-reitorias de Gestão de Pessoas (Progep) e Assuntos Estudantis (Prae), com o objetivo de tornar o enfrentamento às violências contra a mulher mais articulado e sistemático.
A política também busca fazer com que a mulher possa permanecer e participar plenamente da vida universitária. Quando necessário, o protocolo prevê medidas de apoio às estudantes e servidoras durante o processo dos casos, considerando as necessidades apresentadas por cada uma.
Para a ouvidora, o objetivo é que a comunidade universitária esteja preparada não apenas para identificar situações de violência, mas também para acolher quem procura ajuda. “Precisamos construir uma universidade em que a mulher possa estudar, trabalhar, ensinar, pesquisar, ocupar espaços de decisão e participar plenamente da vida acadêmica”, destaca.
Retranca – Uern realiza programação alusiva ao Agosto Lilás
Ao longo de agosto, a Uern promove uma série de atividades em todos os campi como parte da programação do Agosto Lilás.
Uma das atividades principais é o Intervalo Lilás, oficina de livre participação que convida a comunidade universitária a construir coletivamente um painel temático sobre o enfrentamento à violência contra as mulheres. A atividade passa por todos os campi até o dia 29 de agosto, e os painéis ficam expostos durante todo o mês.
A programação contou também com uma roda de conversa com o tema: “Convivência Universitária: enfrentando o machismo, o patriarcado e as novas formas de misoginia no ambiente acadêmico”, realizada no último dia 20 de agosto.
Realizada pela ouvidoria e a Diaad, o evento reuniu docentes, técnicos e estudantes para discutir o tema. Para Tenalyn Rocha, do curso de Ciências Sociais, a realização de ações como essa contribui para a conscientização da comunidade acadêmica. "Eu acho importante esse tipo de ação pela questão da conscientização, porque tem gente que não sabe e não enxerga a importância. Então escutar pessoas que têm muito domínio sobre o assunto traz pra gente esse senso de pertencimento", afirmou.
A programação do Agosto Lilás encerra dia 31 de agosto, às 15h, com uma Formação sobre o Protocolo de Acolhimento, voltada aos profissionais que atuam no atendimento a mulheres em situação de violência.
Com essas ações, a Uern reafirma seu compromisso com a construção de uma comunidade acadêmica mais segura, acolhedora e livre de violência contra as mulheres.
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