Quinta-Feira, 30 de julho de 2026

Postado às 10h15 | 30 jul 2026 | redação Mossoró tem a segunda maior população autista do Rio Grande do Norte

Crédito da foto: Ilustrativa No Brasil foram identificadas 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com TEA por um profissional de s

Da Redação do Jornal de Fato

Pautas importantes exigem um debate sério e responsável na campanha eleitoral do Rio Grande do Norte. Os candidatos e candidatas devem colocar em evidência temas como saúde, educação, infraestrutura e segurança, bem como outras pautas pouco visitadas por políticos, mas que exigem um novo olhar dos atuais e futuros gestores públicos.

Uma delas é sobre a população autista que tem crescido no estado e no país. O Rio Grande do Norte conta com quase 38 mil pessoas com diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Essas pessoas declararam ter recebido diagnóstico de autismo por um profissional de saúde, o que sugere que o número pode ser maior se levar em conta as pessoas que não tiveram acesso à atenção na rede pública de saúde.

O último Censo Demográfico, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que cerca de 1,1% da população do Rio Grande do Norte têm diagnóstico de autismo. Em números exatos são 37.635 pessoas. Essa foi a primeira vez que o IBGE incluiu perguntas sobre o TEA no Censo Demográfico.

Mossoró tem a segunda maior população autista do estado, com 3.527 pessoas, atrás apenas de Natal, que aparece com 10.518 pessoas com TEA.

A segunda maior cidade potiguar apresentou os percentuais mais elevados entre os homens relacionados ao autismo. São 2.342 homens diagnósticos (taxa de 1,9% entre o público masculino, uma das maiores proporções do estado) de 1.185 mulheres diagnosticadas.

As entidades que reúnem mães atípicas esperam que os candidatos, principalmente os que disputam o Governo do Estado, coloquem o autismo em debate, considerando que a discussão é fundamental para reduzir o preconceito, garantir direitos e promover a inclusão social das pessoas no espectro.

As famílias atípicas vão acompanhar de perto os programas dos candidatos, como forma de verificar se o TEA está inserido nos planos de governo. Os postulantes devem apresentar propostas focadas em pessoas inseridas no Transtorno do Espectro Autista e fazer dessa bandeira um ponto de destaque na campanha que se aproxima.

Os futuros governantes estarão diante do desafio que vem sendo apontado por famílias, profissionais de saúde e educadores, que é ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e garantir uma rede capaz de acompanhar a crescente demanda por atendimentos especializados.

 

Maior proporção está entre os homens com 1,5%

O Censo Demográfico 2022 revela que a taxa de 1,1% da população do Rio Grande do Norte diagnosticada com autismo é idêntica à do Nordeste, mas levemente inferior à média do Brasil (1,2%). Das 37.625 pessoas com diagnóstico de autismo, a maior proporção está entre os homens com 1,5%, enquanto as mulheres aparecem com 0,8%.

O Rio Grande do Norte fica atrás do Ceará (126,6 mil) e da Paraíba (46,5 mil) em números absolutos. Os dados reforçam que, embora o estado tenha uma população menor, compartilha com os vizinhos o desafio de ampliar a rede de diagnóstico e acompanhamento especializado.

Os dados por faixa etária revelam que a proporção de pessoas com diagnóstico de autismo foi mais elevada entre crianças e adolescentes, com destaque para meninos de 5 a 9 anos (4,2%) e de 0 a 4 anos (3,0%). Entre as meninas, os maiores percentuais também ocorreram nas idades iniciais, mas com valores significativamente mais baixos: 1,3% de 0 a 4 anos e 1,2% de 5 a 9 anos.

O levantamento também mostra que o diagnóstico é mais frequente entre homens do que entre mulheres. Nacionalmente, a prevalência foi de 1,5% entre a população masculina e de 0,9% entre a feminina. As maiores taxas aparecem entre crianças, especialmente na faixa de 5 a 9 anos, em que 2,6% da população declarou possuir diagnóstico de TEA.

No Brasil foram identificadas 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com TEA por um profissional de saúde. Esse número corresponde 1, 2% da população brasileira, sendo mais comum entre os homens (1,44 milhões) do que entre as mulheres (0,96 milhão).

No recorte de idade, a predominância do diagnóstico é maior entre crianças e adolescentes: 2,6% de crianças entre 5 e 9 anos foram diagnosticadas com autismo.

Ao se considerar conjuntamente os recortes de sexo e idade, o grupo de meninos de 5 a 9 anos apresentou o maior percentual de diagnóstico: 3,8% da população masculina nessa faixa etária (ou 264,6 mil indivíduos). Entre as meninas da mesma faixa, o percentual foi de 1,3%, totalizando 86,3 mil pessoas.

 

Por que o debate é necessário

- Combate ao preconceito

Falar sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) ajuda a desmistificar ideias falsas e reduz o bullying nas escolas e na sociedade;

- Diagnóstico precoce

Informações claras permitem que famílias e médicos reconheçam os primeiros sinais mais cedo, melhorando o desenvolvimento da criança;

- Garantia de políticas públicas

O diálogo constante pressiona governos a criarem melhores redes de atendimento em saúde, educação e terapias especializadas;

- Apoio às famílias

Compartilhar experiências fortalece a rede de apoio aos pais e cuidadores, que frequentemente enfrentam sobrecarga emocional e financeira.

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