É importante manter o animal com vacinação atualizada
Por Edinaldo Moreno / Jornal de Fato
A Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) acende alerta para tutores de cães da região sobre os registros de casos de dirofilariose canina realizados pelo Hospital Veterinário (HOVET). De maio a junho deste ano, o HOVET registrou 18 casos positivos de dirofilariose entre os 185 exames de ecocardiografia realizados.
Embora a doença ainda não seja de notificação compulsória no Brasil, os atendimentos realizados pela equipe do curso de Medicina Veterinária revelam que o chamado “verme do coração” está presente entre os animais atendidos pela instituição. Ainda de acordo com a Ufersa, outro levantamento da Clínica Médica aponta que, dos cerca de 200 atendimentos realizados por médicos-veterinários residentes, 15 cães apresentaram resultado positivo para microfilárias, detectadas por teste rápido ou exame em lâmina.
A dirofilariose é uma doença parasitária causada pelo verme Dirofilaria immitis, que se aloja principalmente no coração e nas artérias pulmonares dos cães. A transmissão ocorre pela picada de mosquitos infectados, entre eles espécies dos gêneros Aedes, Culex, Anopheles e Ochlerotatus. Um dos principais desafios é que muitos animais permanecem sem apresentar sinais clínicos durante um longo período. Quando os sintomas aparecem, podem incluir tosse persistente, cansaço fácil, dificuldade para respirar, perda de peso e, nos casos mais graves, insuficiência cardíaca e desmaios.
O médico-veterinário João Marcelo destaca que esses números demonstram que a enfermidade merece atenção dos profissionais e da população. “Temos registros diários de dirofilariose canina. Nos últimos três meses, registramos 18 casos positivos entre os exames de ecocardiografia realizados no Hospital Veterinário. Também identificamos animais positivos nos atendimentos clínicos por meio de testes rápidos e exames laboratoriais”.
Segundo João Marcelo, embora os testes de sangue sejam importantes, os exames de imagem são fundamentais para avaliar a gravidade da doença. “O exame de imagem é fundamental. Ele permite visualizar o verme adulto no coração e nas artérias pulmonares, além de mostrar se o animal já apresenta hipertensão pulmonar. Mesmo quando o teste rápido é positivo, ele deve estar associado ao exame de imagem”, explica.
O veterinário acrescenta que nem sempre os testes laboratoriais conseguem identificar todos os casos. “Às vezes o animal apresenta resultado negativo no teste, mas o exame de imagem revela a presença dos parasitas. Isso pode acontecer em infecções leves ou em situações específicas da doença”, explica o veterinário.
PREVENÇÃO
Embora seja considerada uma zoonose, a infecção em seres humanos é rara. Ainda assim, a circulação do parasita reforça a importância do controle dos mosquitos e da prevenção nos animais. Os especialistas alertam que a dirofilariose possui tratamento, mas ele é complexo e deve ser realizado com acompanhamento veterinário. Por isso, a prevenção, a realização periódica de exames e o diagnóstico precoce continuam sendo as principais estratégias para proteger os cães e reduzir a circulação da doença na região.
A professora Nilza Dutra Alves reforça que evitar a picada dos mosquitos transmissores é a forma mais eficiente de proteger os animais. “A forma de prevenção mais eficiente é utilizar coleira repelente para manter afastado do animal o mosquito transmissor”. Ela lembra que os mesmos cuidados adotados para combater o mosquito da dengue ajudam a reduzir o risco de transmissão da dirofilariose. “É importante manter o ambiente sempre limpo, sem lixo e sem água parada. A realização de dedetizações periódicas também contribui para combater os mosquitos transmissores”.
Para a professora Ana Carla Diógenes Suassuna Bezerra, o desconhecimento da doença ainda representa um dos maiores obstáculos para o controle da enfermidade. “Muitos tutores não sabem que a doença existe, desconhecem as formas de transmissão e, consequentemente, não adotam medidas preventivas”, revelou.
A professora ressalta que ampliar o conhecimento da população e fortalecer os estudos epidemiológicos são medidas essenciais. “É preciso aumentar a vigilância por meio de pesquisas, fortalecer o diagnóstico dos casos suspeitos e estimular a prevenção entre tutores e profissionais da saúde animal”.
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