Ao todo existem 232 vagas esperando seus titulares, mas fala-se em necessidade de 500 candidatos. Recentemente, o prefeito Marcos Bezerra afirmou da inexistência de vacância e que todos os cargos já teriam sido ocupados no quadro da Prefeitura
Postagem do grupo de aprovados faz afirmação sobre alunos sem aulas e escolas sem professores
Por Edilson Damasceno / Da Redação
Os candidatos aprovados em concurso realizado pela Prefeitura de Mossoró estão cansados de esperar pela boa vontade do prefeito Marcos Bezerra (Republicanos) e estão organizando um protesto, em data a ser definida, para ser demorado: o grupo vai acampar em frente ao Palácio da Resistência para mostrar à sociedade que existe falta de vontade política na convocação dos aprovados ao preenchimento de cargos vagos na Educação.
Ao todo existem 232 vagas esperando seus titulares, mas fala-se em necessidade de 500 candidatos. Recentemente, o prefeito Marcos Bezerra afirmou da inexistência de vacância e que todos os cargos já teriam sido ocupados. “Ele vai ter que provar”, afirmou a vereadora Marleide Cunha.
O certo é que o protesto a ser realizado pelos candidatos aprovados representa dois pesos, um administrativo e outro político. O primeiro diz respeito à falta de conhecimento de quem assumiu a Prefeitura de Mossoró, e o segundo respinga diretamente no ex-prefeito Allyson Bezerra (União Brasil).
O peso administrativo será utilizado para reforçar a ideia, já externada até pelo prefeito Marcos Bezerra, da inexistência de conhecimento sobre como funciona a máquina pública, sua estrutura e suas necessidades. Em recente entrevista concedida à TCM Mossoró, o prefeito enfatizou que absolutamente todos os cargos que estavam vagos na Educação haviam sido preenchidos e que não iria haver mais convocações, exceto em casos excepcionais. O mesmo foi dito com a Saúde, ressalvando-se a questão da existência de candidatos convocados e que não assumiram.
O peso político recairá, em grande vertente, contra o discurso do ex-prefeito Allyson Bezerra. O Ministério Público abriu linhas distintas de investigação, por meio de inquérito administrativo, para saber como está a situação da Saúde e da Educação. Com isso, a Prefeitura de Mossoró vai ter que informar, concretamente e em números reais, sobre cargos vagos, convocações, preenchimento, desistência e quantos servidores temporários e ou terceirizados estão ocupando vagas que devem ser preenchidas por servidores concursados.
É nesse sentido que entra o peso político, negativo, contra o ex-prefeito. O protesto servirá para mostrar ao eleitor que a gestão municipal não estaria interessada em resolver problemas que envolvem, no caso da educação, avanços sociais. Como a administração Marcos Bezerra é a continuidade do trabalho iniciado por Allyson Bezerra, certamente haverá ligação dos pontos e o reflexo dessa leitura pode parar, por exemplo, no programa eleitoral gratuito.
Este não será o primeiro protesto que candidatos aprovados fazem. No ano passado, os aprovados foram às ruas reivindicar que a Prefeitura de Mossoró se pronunciasse acerca da paralisação dos prazos anunciados quando da realização do concurso. O certame foi interrompido por intervenção do Ministério Público, que viu inconsistências legais na correção da prova escrita e que envolveu uma candidata que disputou cargo para docente da rede municipal de ensino.
Em recente entrevista ao JORNAL DE FATO a vereadora Marleide Cunha informou que existe necessidade de cerca de 150 profissionais da Educação Infantil e do Ensino Fundamental Anos Finais, bem como pessoal ao Atendimento Educacional Especializado (AEE), Matemática, Ciências, Português, dentre outras disciplinas. Com a negativa da administração em reconhecer a existência de vagas, os candidatos aprovados agora buscam atrair a atenção da sociedade para exigir a convocação.
Movimento afirma que existem escolas sem professores
Nas redes sociais, aprovados no concurso público criaram grupo para fortalecer a luta de quem peleja pela convocação. Denominado de “aprovadoscrmossoró”, o perfil tem 1.200 seguidores e se volta para a causa em questão, não apenas da Educação: o grupo quer que a Prefeitura de Mossoró convoque também os que podem compor os quadros da Saúde e da Assistência Social.
O grupo tem postagens diversas sobre a situação e uma delas enfatiza que o prefeito Marcos Bezerra tem dito que convocou cerca de 330 professores, mas os aprovados reagem a essa afirmação e cobram a desistência de posse.
Os aprovados afirmam que documentos oficiais apontam para 230 cargos vagos, sendo 150 de pedagogos, 18 de professores de Matemática, igual número para a disciplina de Português, e cinco de História. Isso somente na Educação.
Os candidatos afirmam que existem escolas que estão sem professores e, consequentemente, alunos estão sem aulas. O grupo também enfatiza que o Processo Seletivo realizado em 2025 já se encerrou e que a Prefeitura de Mossoró não tem mais como convocar nenhum temporário.
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