Marleide Cunha afirmar ao Jornal de Fato que o quadro é alarmante e disse que o atendimento médico da rede é feito por apenas quatro médicos efetivos e quatro enfermeiras com especificidades da área psiquiátrica, além de número baixo de psicólogos.
Crise na saúde pública de Mossoró
Edilson Damasceno / Jornal de Fato
Avanços na saúde de Mossoró existem apenas na ficção. A realidade exposta em números obtidos pela vereadora Marleide Cunha (PT) por meio de mandado de segurança – já que houve a negativa de atender ao pedido por parte da Prefeitura de Mossoró – difere totalmente da que é dita em canais oficiais e redes sociais e evidenciam que a segunda maior cidade do Rio Grande do Norte, na verdade, está com o setor arquejando e carente do que o faz funcionar: material humano.
Se a situação está deficitária na Educação, em que a falta de professor impacta negativamente a aprendizagem de crianças e adolescentes, conforme foi mostrada pelo JORNAL DE FATO na edição desta sexta-feira, 29, é na saúde que se encontra o verdadeiro problema da administração pública municipal. São exatos 654 cargos vagos na área. Eram 683, mas houve a convocação de 29 concursados no dia 22 que passou.
Entenda-se por cargos vagos aqueles que não possuem titular. Com isso, não poderiam ser ocupados por servidores temporários. “A rede de saúde está funcionando com a precariedade de servidores públicos”, afirmou Marleide Cunha. Ela acrescenta que a situação é complicada e que o quadro ainda é mais preocupante quando o olhar se volta para a saúde mental.
Pelos números, aos quais teve acesso por força judicial, Marleide Cunha comenta que o quadro é alarmante e disse que o atendimento médico da rede é feito por apenas quatro médicos efetivos e quatro enfermeiras com especificidades da área psiquiátrica, além de número baixo de psicólogos.
“A gente vê uma necessidade enorme. Existem muitas crianças com autismo nas escolas sem atendimento. Não tem psicólogo suficiente e falta neuropediatra”, afirmou a parlamentar. Ela deixa claro, com estas palavras, que estaria existindo falhas na orientação às mães atípicas e, ainda, lacuna no atendimento às crianças matriculadas na rede municipal de ensino e que necessitam de atendimento especializado.
A vereadora deixa no ar duas perguntas: “no Hospital Milton Marques quem está atendendo os internados se temos só quatro médicos? Se temos só quatro enfermeiras e existem 26 cargos vagos?” Como a Prefeitura de Mossoró tem adotado o silêncio para a imprensa, as indagações feitas pela parlamentar ficarão sem respostas.
Quando se faz um tour pela área da saúde, saindo do problema vigente na questão mental e indo para a Odontologia, a vereadora aponta outro problema: existem mais de 100 cargos vagos de auxiliares e técnicos em saúde bucal.
Além disso, ainda segundo Marleide Cunha, há cargos vagos de cirurgião-dentista. São 16 vagas em aberto. Paralelo a isso, a parlamentar informou que existe denúncia de tentativa de fraude nas cotas de Pessoas Pretas e Pardas (PPP). “Temos a denúncia de que a Prefeitura burlou a cota de pretos e pardos na questão do dentista, pois convocou o sexto cirurgião da cota, que não assumiu e até hoje não convocou o sétimo. É outro problema também”, disse.

Vereadora Marleide Cunha afirma que falta transparência em convocação
A ausência de detalhes na convocação dos candidatos aprovados em concurso público é outra questão exposta pela vereadora Marleide Cunha e que, para ela, direciona para um sério problema que é centrado em aspectos éticos. “O fato é que falta transparência na ocupação dos cargos públicos”, disse.
Marleide Cunha afirma que a Prefeitura de Mossoró adotou a prática de convocar aprovados à conta-gotas. E essa estratégia, disse, é marcada pela falta de transparência, uma vez que não se torna público quem não assumiu.
“Tem vários técnicos de enfermagem que foram convocados pela Prefeitura e que passaram também no concurso do Estado e que preferem o Estado. A Prefeitura não convoca os seguintes e depois diz que fez três convocações e não diz quais cargos não foram ocupados e não faz a (convocação) seguinte”, denuncia.
Ela também informa que tudo vem sendo acompanhado pelos candidatos aprovados e aguardam a devida convocação. Diante da negativa de posse de alguns, a Prefeitura de Mossoró opta por chamar servidor temporário. “Isso não pode. A convocação de temporário para cargo vago é irregular. A sociedade espera que a prefeitura aja com transparência”, disse.

Servidores criaram o bone Judallyson como protesto
‘É uma gestão escandalosa para o serviço público e para os servidores’
Uma expressão que vem do senso comum se encaixa perfeitamente com os adjetivos direcionados pela vereadora Marleide Cunha (PT) à gestão Allyson Bezerra e que tem continuidade com Marcos Bezerra: são seis anos de peia para o serviço público e aos servidores municipais.
“A gestão Allyson Bezerra imprimiu uma gestão pautada no desleixo, na desvalorização, na perseguição e falta de planejamento com relação aos serviços e servidores públicos. A gente vê um déficit de servidores e falta de material enormes”, comenta a vereadora.
Esse cenário, na fala dela, direciona para um aumento do problema que acaba atingindo quem precisa dos serviços públicos em Mossoró. Disse que existem consultórios fechados, equipamentos quebrados, desvalorização e adoecimento de servidores jamais vistos na história da segunda maior cidade do Rio Grande do Norte.
A vereadora afirma que a gestão mossoroense tirou direitos dos servidores, não concede reajuste salarial e nem faz reposição com base na inflação. Prova disso, segundo ela, é que existe técnico de enfermagem com 16 anos de trabalho e que tem salário base menor que o salário mínimo, recebendo R$ 1.400,00.
“Isso continua com a gestão Marcos Bezerra. Esse ano os servidores não tiveram reposição. Dos seis anos da gestão Allyson, os servidores da saúde tiveram reajuste apenas um ano. É uma gestão escandalosa para o serviço público e para os servidores”, disse.
Por outro lado, a vereadora Marleide Cunha enfatiza que a sociedade acompanha que o dinheiro público da saúde vem sendo usado para a compra de medicamentos e “indo embora em envelopes, com empresas fazendo fraudes e com investigação da Polícia Federal.”
A vereadora também diz que o adoecimento do servidor é profundo e que o desrespeito, a desvalorização e a maquiagem no trato com a coisa pública continuam da mesma forma. Marleide é enfática: “falta transparência em tudo.
Assistência Social tem 166 servidores terceirizados contra 201 efetivos
Entre a Saúde, Educação e a Assistência Social, a última é a que tem o menor número de cargos vagos. De acordo com os números expostos pela vereadora, existem apenas 24 cargos vagos na pasta para servidores efetivos.
A questão é que algo chama a atenção: alto número de funcionários terceirizados e de comissionados. Para se ter ideia, e fazendo um comparativo, a Secretaria Municipal de Assistência Social tem 201 servidores efetivos e 166 terceirizados e quase o mesmo número de comissionados.
Na análise feita pela parlamentar, a gestão mossoroense tem transformado a Secretaria de Assistência Social em cabide de emprego. Para ela, a pasta é para que se faça assistência em vez de caridade.
“A política de assistência social deve ser de Estado e não de caridade. É um dado que vamos levar ao Ministério Público, das três secretarias. Não dá para ter número de terceirizados, sem falar nos comissionados, muito próximo de efetivos. Precisa fazer reflexão sobre os números e tudo mostra que a Prefeitura está usando a secretaria como cabide de emprego para fins eleitoreiros. Os servidores deveriam ser, em sua maioria, efetivos, e não são.”
Vereadora afirma que servidores têm alívio com saída de Allyson
“A gestão municipal é fundada na mentira”. Como se tem a continuidade de atos e aspectos iniciados por Allyson Bezerra, Marleide Cunha é categórica ao afirmar que não houve mudanças. E a afirmação dela segue os parâmetros dos números aos quais teve acesso por força de mandado de segurança. Disse que, para o serviço público e para os servidores municipais, Allyson ficou marcado como o “pior prefeito de Mossoró para os servidores públicos e para o serviço público em geral.”
Para ela, a gestão que tem continuidade com Marcos Bezerra não dialoga com servidores, comete desvalorização salarial e a desconstrução da imagem dos servidores públicos, induzindo a população a ataques e à desqualificação do funcionalismo, como se eles fossem os culpados por não ter as condições dignas de atendimento à população.
“O sentimento que o servidor tem é que, felizmente, ele foi embora e agora estão na torcida para que este mal não chegue a contaminar todo o Rio Grande do Norte. Esse é o sentimento de todo servidor de Mossoró”, disse.
Ao ser perguntada sobre um aspecto que vem sendo enaltecido, de maneira geral, pela administração municipal, ela não titubeou: “É uma gestão que não é do futuro. É uma gestão do retrocesso, que se apega a atitudes dos coronéis, de imposições, abuso de poder, de intolerância, de falta de diálogo para solucionar problemas. Falta de respeito ao contraditório. Uma gestão ultrapassada vestida de modernidade. Basta ver que ele está com as elites do atraso.”
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