Quinta-Feira, 23 de April de 2026

Postado às 09h00 | 21 Apr 2026 | redação Mais de 800 mil pessoas no RN moravam de aluguel em 2025, aponta pesquisa

Crédito da foto: Reprodução Em menos de dez anos, o número de residências alugadas no Rio Grande do Norte quase que dobrou

Por Edinaldo Moreno / Jornal de Fato

Em menos de dez anos, o número de residências alugadas no Rio Grande do Norte quase que dobrou. É o que aponta o módulo mais recente sobre Características Gerais dos Domicílios e Moradores (2025) da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número de pessoas morando de aluguel no estado passou da marca de 800 mil no ano passado.

O número de residências alugadas no estado saiu de 167 mil para 309 mil. De acordo com o levantamento, em 2025, a quantidade de domicílios alugados no Rio Grande do Norte chegou a 24,8% do total dos domicílios ocupados por moradores no estado, um crescimento de 8,7 pontos percentuais (p.p.) desde 2016.

O levantamento do IBGE apontou que havia 807 mil pessoas morando de aluguel no Rio Grande do Norte no último ano. Segundo o instituto, é a primeira vez na série histórica que o número supera a marca dos 800 mil. Em 2024, 711 mil potiguares moravam em residências alugadas.

Para Willian Kratochwill, analista da pesquisa do IBGE, o fenômeno pode ser indício de aumento de concentração de riqueza no país. “O número de domicílios no Brasil segue em alta, mas cresce também a fatia de imóveis alugados. O dado indica que mais brasileiros vivem em casas que não são próprias, o que pode refletir maior concentração de riqueza, com imóveis adicionais nas mãos de proprietários que os destinam ao aluguel”, comentou. 

Além do aumento de moradias alugadas, a pesquisa também revela a queda na proporção de pessoas morando em casas de propriedade de algum dos moradores. O percentual de domicílios nestas condições diminuiu quase 10 pontos percentuais, caindo de 76,1% em 2016 para 66,2% no ano passado. Os números consideram imóveis quitados e ainda em pagamento.

Os números colocaram o Rio Grande do Norte em segundo lugar no ranking Nordeste com maiores proporções de domicílios alugados, e na 10ª posição no ranking nacional. O crescimento de moradias alugadas no período também foi observado a nível nacional, chegando a 23,8% dos domicílios ocupados pelos moradores brasileiros (+5,4 p.p). Já os imóveis próprios caíram para 67,0% (-6,0 p.p.).

A proporção de potiguares morando em apartamentos dobrou entre 2016 e 2025. No Rio Grande do Norte, houve uma redução de 6 p.p. na proporção de casas

 

Em dez anos, percentual de mulheres responsáveis pelo domicílio quase dobrou no RN

De 2015 a 2025, a Pnad Contínua destaca que o percentual de mulheres responsáveis pelos domicílios no Rio Grande do Norte subiu de 22,9% para 40,0%, quase dobrando em uma década. Com o resultado, o RN se tornou o quinto estado do Brasil com maior proporção de domicílios liderados por mulheres. Os outros quatro estados também estão no Nordeste. 

O analista do IBGE, Damião Ernane de Souza, explica que “a pessoa responsável é aquele morador, homem ou mulher, que é reconhecido como tal pelos demais componentes do domicílio, independente de idade, trabalho ou renda. Como se trata da percepção coletiva, os membros dos domicílios fazem essa escolha com base na experiência do grupo familiar a partir de sua vivência em cada realidade. Esse fenômeno pode estar relacionado, entre outros aspectos, às mudanças sociais na organização das famílias e à emancipação feminina”.

 

Percentual de domicílios unipessoais segue crescendo no RN e homens tomam liderança

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua ressalta que, em uma década, o percentual de unidades domésticas unipessoais, ou seja, compostas apenas por um morador no Rio Grande do Norte aumentou de 10,4% para 16,4%.

Embora permaneçam maioria, as famílias nucleares diminuíram de 67,9% para 65,1% no mesmo período no estado. O arranjo nuclear consiste em um único núcleo formado pelo casal, com ou sem filhos (inclusive adotivos e de criação) ou enteados. São também nucleares as unidades domésticas compostas por mãe com filhos ou pai com filhos, as chamadas monoparentais.

Os dados mostram ainda que o crescimento dos lares unipessoais foi mais evidente entre os homens. No RN, a proporção de homens morando sozinhos quase duplicou em dez anos, saindo de aproximadamente 10% para mais de 20%. Entre as mulheres, os percentuais ficaram mais estáveis no cenário estadual, mantendo-se por volta de 12% entre 2015 e 2025.

 

RN tem a maior proporção de carros entre os estados nordestinos

Em 2025, houve aumento no número de domicílios com carro no Rio Grande do Norte, crescendo de 33,9% para 37,4%, em relação a 2016. Com o resultado, o estado ficou com a maior proporção de carros entre os estados nordestinos. No período analisado, o número de domicílios com motocicleta teve um aumento proporcional de apenas um ponto percentual.

Na avaliação de Ernane de Souza, “elementos como o custo do combustível e da manutenção, outras dificuldades de mobilidade urbana e trânsito, além da ampliação dos aplicativos de transportes, podem ter interferido na redução da posse de veículos na capital”.

 

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